they’ll hang us in the louvre

down the back, but who cares, still the louvre


number one

puxando bem pela memória, eu lembro como conheci o mateus. eu tinha uns quatorze anos, tinha acabado de mudar de colégio, não conhecia ninguém. ele me pediu um apontador de lápis – porque eu sempre tinha tudo – e fez uma brincadeira comigo. pra quê? dois dias depois, cutuquei barbara, minha melhor amiga “tô afim do mateus”. ela riu. “o mateus? meu deus, não pode ser.” e riu mais um pouco.

mas esse não é o ponto. eu não tô saudosa. eu e mateus tentamos, sabe? por mais que hoje eu saiba que muito do fato de que a gente não deu certo foi porque eu gostava mesmo era de mulher, a gente também não se amava. só amor de verdade salvava aquilo ali. tivemos altos e baixos, um sendo babaca com o outro em diferentes níveis, e foram quatro anos de vai e volta, de descomunicação, de tentativas frustadas de fazer um amor nascer. a gente tentou se gostar, a gente tentou se encaixar, a gente tentou transar – pra ver se isso ajudava – e nada. nada. vários nadas.

hoje mateus estuda no mesmo campus que eu. tá quase terminando engenharia química. namora há uns dois anos com uma garota de nome estranho (não me leve a mal, o nome é estranho mesmo e eu não decorei). aliás, ele só se da bem com garota de nome esquisito, laís era um nome muito comum pra ele. e, por mais que a gente não se fale com frequência, eu sei que tenho nele um amigo. mau ou bem, mateus me conhece. a gente foi colega de classe, ficantes, namorados, e ele sabe como eu sou, pelo menos um pouco. intensa demais pra ele. kinda fragile. indie pra caralho. muito signo de água pro caminhãozinho do taurino.

no fim das contas, o que esse relacionamento acrescentou em mim foi: aceite quem você é, não tente encaixar em alguém que não tem nada a ver com você. okay, i know that you are not my type… e não era mesmo. mateus só servia pra amor de verão, e nosso erro foi tentar fazer isso durar quatro estações inteiras. erro grave. mas tem nada não. nada é perdido.


the louvre – lorde

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.