Laís Malek
Nov 4 · 3 min read

finados e insônia

agora ironicamente são 4:20 e estou escrevendo esse post

o relógio já virou e já é dia 04/11/2019, mas eu ainda não dormi, então para o meu cérebro ainda é dia 3, então ontem foi dia de finados. e eu não lembrei da minha avó.

a minha avó, faride, é até hoje uma das minhas maiores influências e referências em tudo que eu faço. em abril de 2017, o prazo de validade dela expirou e nós, meros mortais, mais ou menos 2 anos e meio depois, ainda estamos aprendendo a lidar com o fato de que ela não está mais aqui. às vezes eu esqueço, como ontem. mas faride sempre foi egocêntrica e não deixa ninguém esquecer dela. hoje eu sonhei com a minha avó.

eu tinha acabado de dormir, mas meu sossego não durou nem quarenta minutos, segundo as mensagens que enviei no zap. eu que sou contadora de histórias aprecio a tecnologia pra me manter cronologicamente acurada nas minhas narrativas. eu tenho tido dias bem intensos recentemente, e agora o meu cérebro está me obrigando a parar. não precisou de muito pra que, quando ele parasse, a minha avó aparecesse e viesse me lembrar de que ontem era o dia de pensar nela. e eu não pensei. e eu acordei, percebendo isso, por volta de 2h10. e eu senti saudades da minha avó.

ela sempre foi muito religiosa, assim como a minha mãe, e assim como eu era há uns anoa atrás. eu ainda tenho a minha fé, mas hoje ela se deslocou — está no universo, não em uma pessoa. mamãe diz que é a mesma coisa que ela, e mamãe geralmente acerta, então acredito. pedi ajuda e rezamos alguns pai nossos e ave marias. não adiantou. eu conto histórias. essa precisava sair.

segundo os meus zapdadod, entre 2h40 e 3h20 eu escrevi o poema que eu vou linkar aqui. esse texto todo é a história da história do poema — eu amo metalinguagem.

mas essa história não estava completa. eu sou uma pessoa muito visual, mas curiosamente bem pouco áudio. então pra ilustrar esse meu poema eu decidi, lá pelas 3h39, que eu precisava de imagens para ilustrar o poema. procurei a foto que eu queria, mas não achei. resolvi produzir.

primeiro tirei com o celular, mas depois lembrei que estou com as câmeras do curta que gravamos no sábado. fiz mais uns testes e aí por volta de umas 4h10 eu já estava com a imagem pronta e o texto pronto. hora de postar!

o computador não ligou, então não consegui abrir a imagem em um tamanho que ficasse legível. resolvi tirar a foto da foto pra contar a história da história do poema. a minha essência é contar histórias. a minha formação é trazer as bases pra apoiar isso. então estou aqui, documentando tudo, não apenas por uma egotrip bizarra (o que também aprecia) mas também porque eu acredito no poder da construção de narrativas de moldar a percepção da sociedade e blablabla. hoje teve enem, a o tema. foi sobre acessibilidade e cultura. a galera discutiu bastante, peguei o final, mas não tô embasada o suficiente pra defender isso.

voltando porque agora já são 4h38 e meu olho tá fechando, aqui vão as imagens que eu tirei hoje e postei no stories. terminando aqui, eu vou dormir com a minha mãe. é como se eu tivesse dormindo com a minha vó.

    Laís Malek

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    tentando viver de palavras

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