15 jogos digitais para se divertir com as crianças

Por uma curadoria atenciosa nos jogos dos nossos pequenos ❤

Daniel Lameira
Nov 3 · 11 min read

Depois do desespero da notícia da gravidez, me imaginava com o futuro filho em brincadeiras de rua, lendo livros, quadrinhos, assistindo filmes incríveis, nos divertindo com jogos de tabuleiro e, claro, com jogos de video-game.

Bom, sete anos depois imaginação se tornou realidade e acontece todos os dias.

Mas, nessa busca, senti falta de encontrar dicas do que hoje seria legal e acessível para ter essas experiências com os filhos, que incluam uma visão artística, afetiva e cuidadosa. Resolvi então dividir os achados aqui para tentar ajudar quem também estiver busca.

Vale ressaltar o quão pessoal é essa lista, obviamente. Foram experiências que gostamos aqui em casa.

Vou começar com jogos e, em futuras listas falarei de livros, filmes, hq's.


1. Rayman Legends

Rayman sempre figurou para mim como um genérico jogo de plataforma francês. Mas agora, tendo jogado com o filhote, e com o lançamento do mais recente jogo da série, Rayman Legends, ele se tornou uma das experiências mais legais de jogo cooperativo que tivemos.

O visual foi retrabalhado por Aymeric Kevin, artista conceitual com formação em Gobelims, na França, e é um destaque a parte. Uma mistura de pinturas surrealistas com tons de Bruegels e Bosch, mas com influências de animes, principalmente o universo de Miyazaki, do qual é fã.

Essa estética, somada à deliciosa jogabilidade, às pequenas recompensas constantes e à trilha sonora integrada a experiência de jogo, torna uma diversão indispensável para a nova geração; seja para os pequenos jogarem sozinhos, com os pais ou com mais três amigos.

Ah, eu amo essas fases de música:


2. Machinarium

Criado por estudantes da academia de arte de Praga, esse é um jogo lindo e repleto de sentimento. Ele estava guardado no meu Steam há anos esperando o momento certo, mas nunca imaginei que seria acompanhado com o meu pestinha gênio favorito.

De forma simplificada, a mecânica do jogo funciona da seguinte forma: acompanhamos uma história se desenrolando e interagimos com ela através de objetos que encontramos, clicamos, pegamos, combinamos com outros e usamos em locais diferentes, ou conversando com outros personagens. Assim, então, liberamos a continuação da história.

Se ajudar a convencer alguém que tem preconceito com jogos, dá pra exagerar e dizer que é como um desenho ou livro interativo. Uma história sendo contada, sem perigo de morte, sem ter que ficar pulando. Para quem já gosta de jogos, é um point and click ou adventure de altíssima qualidade.

Acompanhamos, com trejeitos de filme mudo e espírito de Wall-E, a aventura do pequeno robô Josef, que sai literalmente do lixo para investigar o que está acontecendo nessa misteriosa cidade mecânica e salvar (e ser salvo) pela sua companheira.

Alguns quebra-cabeças são fáceis, mas outros difíceis até para os pais. E tenho que admitir, fiquei surpreso em ver como as ideias do filhote para solução de problemas já são muitas vezes mais certeiras do que as minhas. E, pro bem da diversão familiar para o mundo dos jogos, o walkthrough com as respostas pra tudo está liberado. Dá pra ver o jogo inteiro no vídeo abaixo:

Destaque para a trilha sonora do Floex.


3. Unravel 1 e 2

Eu comprei o primeiro jogo no dia que foi lançado porque tinha visto a emocionada apresentação do criador, o sueco Martin Sahlin, na E3 de 2015:

Tremendo de nervoso, com o pequeno boneco de lã na mão, Martin explica sua criação, a jornada desse pequeno Yarny, tentando recuperar as memórias de uma idosa que, aos poucos, esvanece. Na prática, é um emocionante e primoroso jogo de plataforma, com quebra-cabe que envolvem o uso da lã do protagonista, sem violência, só amorzinho.

Mais recentemente o segundo jogo foi lançado, que permite que dois jogadores joguem em conjunto e resolvam quebra-cabeças que dependam da cooperação, mas sugiro que comecem com o primeiro. É bem divertido, mas, ao contrário dos dois primeiros, esse o jogo tem um certo nível de complexidade e necessita de um pouco de destreza, o que pode afastar pais iniciantes nos video-games.

Mas vale o esforço, é uma obra de arte como poucas vezes vistas na mídia.


4. Abzu

Abzu é uma experiência de fruição artística. Calmo, meditativo e enigmático, o jogo é baseado na exploração de estranhos oceanos. Sem inimigos, sem violência, só o onírico oceano azul, misteriosas construções submersas, animais reais, plantas e cores.

I spent three years making a desert for other game, and I wanted to make a game that was full of life. — Matt Nava

Um crítico comparou o jogo ao filme 2001, de Kubrick e dá pra entender o motivo. O senso de imersão que Abzu remete realmente outras artes e me lembrou livros como Encontro com Rama, do C. Clarke, e até artistas plásticos como Hockney.

Reconhecido por expandir o potencial de percepção nos jogos enquanto algo além do óbvio, a experiência também é excelente para crianças aprenderem, se instigarem e se divertirem com a beleza das profundezas.


5. Mimpi Dreams

Uma das coisas mais fofas que o Antônio fazia, enquanto um mini-adolescente de 6 anos, é olhar para algo, que de fato é muito fofo, e falar com uma voz fofa: fofinho.

É nisso que eu penso quando falo desse jogo. É um jogo tcheco, de plataforma, ou seja de pular de um lugar para outro, onde vivemos os sonhos de um cachorro, não tem outra palavra, fofinho. Como não é multiplayer acabo ficando apenas do lado e ajudando nas partes difíceis.

O jogo fez tanto sucesso que vários derivados já saíram, mas por enquanto o preferido aqui em casa é mesmo esse.


6. Plants vs Zombies 2

Como bem se orgulha o pequeno, esse foi um jogo que ele que nos alertou que era legal. Ele viu ou ouviu amigos falando sobre e pediu para nós baixarmos. Corta para alguns meses depois e estamos Giovanna e eu tentando espantar os zumbis do nosso quintal enquanto ele ri da nossa cara.

É o perfeito jogo de celular. Fácil no começo, desafiador depois; um misto de estratégia com reação em tempo real.

Você tem um tabuleiro, que começa sendo o jardim da casa, e escolhe as plantas que defenderão a casa do ataque dos zumbis. Aos poucos as coisas começam a se complicar.

É um clássico dessa geração e já consigo imaginá-los nostálgicos daqui 20, 30 anos falando sobre ele. Esse vídeo explica melhor a dinâmica:


7. Chuchel, Windosill, Botanicula

Dos mesmos criadores do Machinarium, que apresentei lá em cima, esses três jogos entram em um combo aqui porque, além de serem feitos pelo mesmo estúdio, guardam uma unidade entre si. São menos focados na história e sim em explorar as interações em cada tela do jogo.

Então, ao invés de vencer vilões, os jogos se focam em resolver alguns enigmas que travam a trajetória do jogador. Seja um grupo de seres botânicos, um carrinho ou o chapliniano bichinho de sujeira, Chuchel, na busca por sua cereja.

Os quebra-cabeças tem o nível certo para jogar com os filhos por volta dos 6 anos e ver a mente da crianças funcionando e achando as soluções. São jogos curtos, vencidos em algumas horas de jogo, mas talvez o que há de melhor sendo criado com esse foco.

Quando falei pro Antônio que ia fazer essa lista ele mandou não esquecer esses.

Trippy
Anfetaminado
Alucinógeno

8. Guacamelee 1 e 2

Após acabarem de desenvolver um jogo, a pequena equipe da DrinkBox Studios começou a pensar qual seria a próxima empreitada. No meio do brainstorm o animador Augusto Quijano, nostálgico de sua terra natal, sugeriu um jogo que envolvesse a cultura mexicana: luchadores, alejibres e mariachis.

Então ele fez um pitch: um jogo de luta, no estilo Tartarugas Ninjas, com influência de Street Fighter e Metroid, com luchadores enfrentando esqueletos.

Agora, quase dez anos depois, o jogo é um fenômeno independente. Com um roteiro muito engraçado e piadas levadas ao extremo do ridículo, que já fizeram o Antônio rir até doer a barriga. Além disso, a curva de aprendizagem é excelente, quase que uma aula sobre como jogar jogos de plataforma com uma jogabilidade primorosa.

Assim como Rayman, se você tiver mais que dois controles, ou chamar um amigo que tem o mesmo video-game pra casa, dá para jogar com até 4 jogadores. Um destaque para os momentos que o jogo te transforma em uma galinha.

  • Talvez alguns pais prefiram apresentar esse para filhos mais velhos, por causa da violência, mas vocês decidem.

9. Lovers in a dangerous spacetime

Coelhinho, sapinho, gatinho. Corram para os seus postos da nave. Canhões, controle, escudo. Lovers é um jogo de tiro espacial que entrega experiência divertida, equilibrada e não-frenética. Perfeito para jogar em conjunto, até com pessoas que não estão acostumadas com jogo algum e enfrentar as ameaças dessa colorida e perigosa galáxia.

Esteticamente inspirado pelo quadrinista Chris Ware, somado a intenção do criador em emular o sentimento de estar em uma nave de Star Wars com os amigos e “recriar a fantasia infantil de embarcar em uma grande e imaginária aventura espacial com seus amigos”.

Esse é um jogo que realmente faz diferença se conseguirem jogar com mais de dois controles.

10. 39 days to Mars

Dois cavalheiros da era vitoriana resolvem construir uma nave para ir para Marte, no final do século 19. Bem, nós somos eles, tentando ir para Marte nessa nave maluca. Alguns problemas começam a acontecer e cabe aos jogadores resolvê-los: pegar mais carvão espacial, caçar águas vivas, mandar uma mensagem telegráfica para a terra ou consertar o encanamento.

Tudo isso, não sem antes prepararmos um chá ou comermos um bolinho feito na lareira da nave. Diversão e risadas na certa, um pouco de desespero às vezes também.

O jogo é bem curtinho, os desafios precisam de dois jogadores. Dá pra acabar em uma tarde chuvosa.


11. Monument Valley 1 e 2

Inspirado pelas obras do Escher, esse jogo ficou conhecido por aparecer na série House of Cards, mas na época não pensei nele com a possibilidade de explorar o universo infantil e, inclusive, usá-lo para introduzir alguns conceitos de ótica, de arte e de lógica.

A mecânica é simples, você tem que ajudar a princesa Ida em sua jornada, que está repleta de escadas, manivelas, caminhos que se abrem, fecham e viram. Através de algumas mecânicas vamos aprendendo como podemos ajudá-la no seu misterioso caminho.

Talvez você já tenha visto:


12. Max: The Curse of Brotherhood

Seu irmão mais novo foi sequestrado por um vilão de um mundo fantástico e a culpa foi sua. Agora apenas Max, e sua caneta mágica poderão salvá-lo.

Esse é um jogo também muito interessante, uma mistura de jogo de plataforma com estratégia onde a arma dos nossos pequenos são alguns poderes de criar e destruir elementos do cenário com sua caneta: mover pedras, criar cipós, correntes de água; diversos elementos naturais estão sob o controle do jogador para conseguir passar dos obstáculos.

Baseado em um jogo bem bonitinho de 2010, Max and the Magic Marker, essa nova versão mantém a dinâmica do anterior, mas com gráficos e desafios bem mais elaborados. Tem partes difíceis, mas com um pouco de esforço a experiência é bem recompensadora.


13. Mônica e a guarda dos coelhos

Prepare os coelhos. Coloque carvão nos canhões. e… atire! A turma da Mônica se junta para defender os castelos dos monstros da sujeira.

Esse é um jogo focado na diversão conjunta, jogamos aqui em casa com três controles e nos desdobramos para organizar a defesa dos nossos castelos, com diferentes coelhinhos e enfrentando os obstáculos dos castelos.

Tem uma curiosidade também. Talvez alguns de vocês, assim como eu, vai lembrar com carinho de um jogo da Mônica de 30 anos atrás para o Master System. Na época esse jogo foi recriado em cima de outro, chamado Wonder Boy.

Esse novo jogo também se baseou em outro que já existia, chamado No Heroes Here. Algo que poderia servir como crítica mas, na verdade, eu acho genial. É uma marca da MSP como essa elasticidade temática da Mônica, por vezes impulsionada por um acaso de negócios, se incorporam no cânone da turminha.


14. Boy and his blob

Um menino na floresta precisa jogar feijões mágicos para uma bolha alienígena fofa e, a cada feijão, ela se transforma em algo que o ajuda a passar por obstáculos: escada, pula-pula, bola, balão. Esse é um jogo com visual muito amigável, inspirado por Miyazaki.

Os bastidores do jogo também guarda uma curiosidade, embora poucos lembrem, esse jogo foi inspirado por um antigo título do começo da década de 90, para Nintendinho, e agora recriado por um fã para uma nova geração.


15. Gorogoa

Publicado pelo meu estúdio contemporâneo preferido, Gorogoa é uma experiência mágica. Inicialmente imaginado como um quadrinho interativo, Jason Roberts, seu criador levou seis anos para lançar esse que é o seu primeiro jogo.

O fato da plataforma jogo ser secundária a intenção artística fez com que ele tivesse uma identidade e jogabilidade própria. Embora tenha uma inspiração em um jogo de 1987, The Fool's Errand, o jogo bebe mais de quadrinhos e livros infantis, de Chris Ware ao lindo Maze, do Christopher Mason.

As artes foram todas pintadas a mão, com um toque oriental e inspirado por Escher e Doré.

16. Pikuniku

Uma das indicações mais recentes que recebi (obrigado, Melite!), Pikuniku é um jogo para computador e Wii, estilo plataforma, mas misturado com RPG, dos mais divertidos que joguei.

Nós somos um monstro, ou ao menos acham que somos. Ao acordar e começar explorar as redondezas da caverna, onde existem algumas comunidades com pequenos seres, descobrimos que algo está acontecendo. Em troca de suas riquezas, plantações, árvores, água, o Sr. Radiante está dando GRANA DE GRAÇA para todo mundo.

Todos estão felizes! Mas, espera, talvez algo esteja errado.

Uma aula sobre a importância do cuidado com a natureza e sobre os verdadeiros vilões.


É isso, chega! Vão se divertir.

Se você souber de outros jogos, ajude também e me fala aí nos comentários.

ps.: um agradecimento a minha mãe, que passava tardes se divertindo jogando Ilha dos Macacos, The Dig e outros jogos comigo. :)

Daniel Lameira

Written by

Historiador, editor e consultor de tendências no mercado editorial.

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