A Importância da Luta Ideológica no Período Eleitoral

Crescem as nesgas oportunistas, as defesas cegas a Lula e PT, enquanto ignora o jogo de cartas marcadas que é a política brasileira e levam uma multidão de honestos marxistas, potenciais soldados da revolução, para lata de lixo do imobilismo eleitoreiro.

Neste ano, 2018, todas as siglas oportunistas levantam a voz, as bandeiras e as mais esdrúxulas propostas para conseguir a tão desejada boquinha no parlamento brasileiro.

Os oportunistas agem de modo tão popular entre a juventude, que plantam a confiança nas urnas até nos mais honestos marxistas. Daí, a importância de estabelecer uma forte e frontal luta ideológica contra os oportunistas eleitoreiros esse ano.

Como já abordamos o cretinismo eleitoreiro, e já declaramos nosso apoio à campanha do boicote, promovido por diversas organizações democráticas brasileiras, em mais este esforço em desmascarar a tática eleitoreira, viemos embasar, em termos teóricos, o motivo pelo qual esta tática, hoje, é ineficaz e oportunista.

Antes de mais nada, estabeleceremos: I) A natureza do(s) oportunismo(s); II) As bases teóricas marxistas para a revolução.

O oportunismo pode ser divido em “de direita” e “de esquerda”. Em aspas, pois ambos estão em movimentos populares. 
O primeiro, o oportunismo de direita, é:

(…) um conjunto de opiniões teóricas e orientações táticas que se baseiam na submissão ao movimento operário espontâneo, na ideia “reformista” da transição gradual do capitalismo em socialismo e na renúncia à revolução socialista e à conquista do poder pela classe operária. Reflete os estados de ânimos da [parte] aburguesada da classe trabalhadora, a “aristocracia” operária, (…) os setores médios da sociedade capitalista e é típico dos partidos socialistas de direita.

Já o oportunismo de esquerda, também conhecido por aventureirismo, é:

(…) a mescla de proposições ultra-revolucionárias e aventureira(…). Reflete as vacilações no ânimo social dos pequenos proprietários que se arruinaram e dos elementos incapazes de sustentar uma luta de classes firme e organizada. Não leva em conta as etapas de desenvolvimento social e empurra o movimento operário no caminho de aventuras políticas e sacrifícios sem sentido.

De um lado, o oportunismo aparece como a posição de siglas como PSOL, PSTU, PCO, frações do PT, PCBrasileiro, PCdoB, etc. 
De outro, apresenta-se como a prática quase blanquista de grupos menores contaminados com ideias imediatistas e anarquistas, extasiados demais com filmes de ação para estudarem as leis objetivas da realidade — normalmente, todavia, sem nunca moverem uma palha no mundo real, dado o afastamento para com o povo.

No momento, entretanto, a primeira forma de oportunismo é a mais presente e perigosa. Por isso, deteremos nossa atenção nela.

Agora, falemos sobre as proposições teóricas fundamentais do marxismo em relação à Revolução. 
Comecemos por Engels:

(…) a grande indústria, apesar de na sua primeira época de desenvolvimento ter ela própria dado origem à livre concorrência, está agora, contudo, a abandonar a livre concorrência; que a concorrência e, em geral, a exploração da produção industrial por singulares se tornou para ela um grilhão que tem de quebrar e quebrará; que a grande indústria, enquanto for empreendida na base atual, somente se pode manter por meio de uma perturbação geral repetida de [anos em anos], a qual ameaça, de cada vez, toda a civilização, e não só faz cair os proletários na miséria como também arruína um grande número de burgueses; que, portanto, ou a própria grande indústria tem de ser completamente abandonada — o que é uma absoluta impossibilidade -, ou então ela torna absolutamente necessária uma organização totalmente nova da sociedade, na qual já não são os fabricantes individuais, em concorrência entre si, mas toda a sociedade, de acordo com um plano estabelecido e segundo as necessidades de todos, quem dirige a produção industrial.

Agora, passando a palavra ao próprio Marx:

A grande indústria aglomera num mesmo local uma multidão de pessoas que não se conhecem. A concorrência divide os seus interesses. Mas a manutenção do salário, este interesse comum que têm contra o seu patrão, os reúne num mesmo pensamento de resistência — coalizão. A coalizão, pois, tem sempre um duplo objetivo: fazer cessar entre elas a concorrência, para poder fazer uma concorrência geral ao capitalista. Se o primeiro objetivo da resistência é apenas a manutenção do salário, à medida que os capitalistas, por seu turno, se reúnem em um mesmo pensamento de repressão, as coalizões, inicialmente isoladas, agrupam-se e, em face do capital sempre reunido, a manutenção da associação torna-se para elas mais importante que a manutenção do salário. […] Nessa luta — verdadeira guerra civil — , reúnem-se e se desenvolvem todos os elementos necessários a uma batalha futura. Uma vez chegada a esse ponto, a associação adquire um caráter político.

Temos, por conseguinte, que: a) a luta marxista não pode ser resumida à corrida por cadeiras parlamentares, ao contrário, deve ser a própria preparação para a derrubada desta forma de política burguesa; b) é um movimento necessário da sociedade e suas contradições, não a vontade particular de grupos específicos.

Ou seja, as duas formas de oportunismo caem por terra frente à bases marxistas concretas. 
Esta, precisamente, é a importância da luta ideológica atualmente.

Não devemos duvidar que na base das siglas citadas há gente honesta, disposta à concretização do Novo Mundo. Contudo, recorrem aos velhos líderes, às velhas táticas ,que nada fazem além de jingles irritantes e porcentagens parlamentares minúsculas e indiferentes ao cenário político maior.

É preciso esclarecer o erro disso tudo. Esclarecer a real natureza da luta de classes que só considera o parlamento burguês como um instrumento de denúncias apenas, não de finalidade para a luta proletária. Afinal de contas, já disse Lênin:

Só canalhas ou simplórios podem pensar que o proletariado deve, primeiro, conquistar a maioria em eleições realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e, então, conquistar o poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia; isto é substituir a luta de classes e a revolução por eleições sob o velho regime e o velho poder.

Enfim! 
Reforcemos a natureza real da luta marxista. Combatamos as ideologias oportunistas “de direita” e “de esquerda” para resgatar qualquer honesto perdido no montão de lixo eleitoreiro e, principalmente, como forma de demonstrar às massas populares — cada vez mais convencidas da impossibilidade de mudança por eleições — a separação entre os revolucionários e os reformistas — entre quem levará até as últimas circunstâncias as lutas pela justiça e aqueles que vacilarão no primeiro disparo ao céu.

Inevitavelmente, a história jogará no lixo as táticas oportunistas com o rótulo de “inúteis”. Sem, no entanto, até lá, fazermos a história nesse sentido, testemunharemos mais uma vitória dos manipuladores oportunistas e, eventualmente, mais traições e retrocessos à luta proletária brasileira e mundial.