Bolsonaro Foi Esfaqueado: O Significado Prático Disto

L'ami du Peuple
Sep 6, 2018 · 3 min read

Parte da esquerda ainda não entendeu: a política não é feita de indivíduos, mas de classes sociais.

Por isso, subtraíram o conteúdo de classe do discurso boçal de Bolsonaro e empreenderam ataques pessoais a um indivíduo, não ao conteúdo material, classista, de seu argumento e ação.

As consequências finais disso: aparentemente, um militante da esquerda oportunista, excitado por discursos liberais preocupados demais em agir contra “monstros” individuais — ao invés de agir contra problemas reais, materiais, de interesse à toda classe produtora — realizou a investida do terrorismo individual, i.e., esfaqueou Jair Bolsonaro.

Todos os reacionários devem ser castigados, não existem dúvidas sobre isso. No entanto, esse castigo deve ser produto necessário de uma época e do conteúdo de classes reacionárias que tal ou tal representante destas é, de fato.

Em outras palavras:

Os comunistas sabem muitíssimo bem que todas as conspirações são não apenas inúteis, como mesmo prejudiciais. Eles sabem muitíssimo bem que as revoluções não são feitas propositada nem arbitrariamente, mas que, em qualquer tempo e em qualquer lugar, elas foram a consequência necessária de circunstâncias inteiramente independentes da vontade e da direcção deste ou daquele partido e de classes inteiras.

Dito isto, abordemos outra ótica da situação. Abordemos o tratamento correto disto, e as possíveis consequências deste fato.

Para começar, Bolsonaro é membro do consórcio reacionário que controla o Brasil: o Partido Único da Burguesia. Assim como todos os outros políticos disputando a eleição presidencial atual, não representa nada de mudança real na vida do brasileiro.

Consideremos, além disso, o conteúdo de classe de seu discurso. Bolsonaro é representante da fração reacionária da pequena-burguesia, nascida em oposição ao ascenso progressista da mesma classe. Além disso, naturalmente, representa os comandantes do Velho Estado, a citar: a burguesia burocrática, o latifúndio e a burguesia compradora.

Em outras palavras, Bolsonaro é um entreguista, serviçal da opressão material em terras brasileiras, que tenta uma boquinha no corrupto Estado para encher ainda mais os bolsos milionários, tudo isso, com base construída em cima da pequena-burguesia reacionária, seu gado movido à demagogia.

Bolsonaro, numa palavra, não é em nada diferente de um ou outro indivíduo que disputa a presente eleição. Simplesmente, por ter uma base agudamente retrógrada em discurso, constrói a própria popularidade em cima de idiotices proto-fascistas.

Agora, foi esfaqueado.

Numa situação que pode muito bem ter sido simulada, este indivíduo será colocado num patamar de popularidade que beira à martirização.

Historicamente, este foi o trampolim para o aumento da perseguição derradeira aos revolucionários honestos.

Se foi armação ou não, isto revela, pela comemoração dos oportunistas, que os democratas justos devem trabalhar para explicar o aqui exposto aos progressistas brasileiros para que este terrorismo individual não aconteça. Explicando, enfim, que a conspiração só levará ao prematuro falhanço da esquerda e que, por conseguinte, é preciso despertar as massas para a rebelião geral, e não aprofundar terrorismo desligado do povo.

Se este evento, encenado ou não, for repetido, bem como usado como justificação para desencadear a repressão mais contundente aos marxistas, teremos um problema muito maior em mãos.

Até lá, devemos educar as massas no combate necessário, coletivo e justo — despertando a população em geral para tomar a política em mãos — e depurar das fileiras progressistas o pensamento que desliga indivíduo de classe que pode, sempre, causar este tipo de acontecimento e instaurar o terror precoce contra a vanguarda do povo.

Não lamentamos pela saúde de Bolsonaro. Reacionários merecem tudo aquilo que provocam. Em contrapartida, não devemos estimular o terrorismo individual, no entanto, repetimos, em conclusão, a rebelião geral.

L'ami du Peuple

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O marxismo não só é um guia para a ação, como um convite à mesma.

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