Incêndio do Museu Nacional: Últimas Consequências de um Problema Muito Maior

Há muito tempo, no Brasil, as coisas públicas — em teoria direitos do povo — são sucateadas sistematicamente.
Se falarmos em serviços essenciais, teremos o demonstrativo disso na educação, na saúde, no transporte, etc.
O Estado ativamente sucateia as instituições que fornecem estes serviços para, então, introduzir pelas beiradas os serviços privados. Quando o sucateamento atinge seu ápice, a solução da privatização completa e irrestrita é vendida como “natural” e “inevitável”.
Não é um caso diferente este do Museu.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, tinha por função repassar ao museu uma verba de 550 mil, porém, há três anos, só repassava 60% disso.
Por quê? Para começar, a própria crise financeira que vive a UFRJ.
A universidade, faz tempo, vem sendo sucateada e pilhada. A crise, assim, não é de hoje, e é arrastada com vigor pelas gestões cariocas.
O acúmulo desse descaso: a falta de manutenção séria no Museu.
O resultado final? A destruição de um bem público.
Este incêndio é, portanto, e antes de mais nada, um alerta. Um alerta sobre as últimas consequências do que é feito diariamente contra o povo.
Para que mais incêndios como esse não aconteçam, em outros sentidos, e em outras seções do que é bem público, precisamos prevenir antes de remediar. Só há um jeito de fazer isso: exigindo, constantemente, e através da luta, tudo o que pertence ao brasileiro como direito das massas e dever daqueles que estão no controle do Estado.
Naturalmente, seria ingênuo acreditar que apenas a pressão política via manifestações bastaria para garantir ao povo o que é do povo. No entanto, este primeiro passo é indispensável, por educar o povo em luta, refinando sua experiência política e a verdade de que direitos não são concedidos, mas conquistados.
