A Origem da Crise no Brasil e Sua Solução

L'ami du Peuple
Sep 3, 2018 · 5 min read

I — As Elites e Seus Desmandos

O Brasil é um Estado de capitalismo burocrático.
Isto significa, em poucas palavras, que nosso Estado é um fantoche para a acumulação privada de capital.

Em poucas palavras:

(…) simplesmente a corrupção de funcionários do Estado que usam o Estado para a acumulação privada de capital por si mesmos, suas famílias e amigos. Pode envolver o estado diretamente fornecendo-lhes recursos de capital e privilégios para suas empresas privadas. Pode também envolver o estabelecimento e operação de empresas estatais em benefício de capitalistas privados de várias maneiras.

Vemos isso claramente quando pensamos em qualquer político atual, e em quem ele mantém e concede privilégios. Daí, os frutos óbvios: corrupção sistêmica, ineficácia deliberada de serviços públicos, favorecimento aos grandes financiadores de políticos, e assim por diante.

Os grandes financiadores, os principais, destes capitalistas burocráticos, são os latifundiários. Detendo a posse da maioria absoluta das terras brasileiras, adquirem renda através da lógica exportadora.

Conseguem isso com o favorecimento estatal, porém, com o intermédio da burguesia compradora. Sendo esta última, uma extensão do poder dos estrangeiros em nossas terras. São eles os principais agentes externos da manutenção da lógica exportadora, e os financiadores do atraso generalizado de nossa nação, coisa muito lucrativa e que trava o país no sistema de vendas de matéria-prima, e compra de manufaturados.

Assim sendo, temos três classes dominantes no Brasil. Os latifundiários, a burguesia burocrática e a compradora. Os três trabalham em conjunto para a manutenção do atraso, o favorecimento dos imperialistas estrangeiros e toda sorte de pilha ao povo.

Portanto, já que estas classes dominantes atuam dessa maneira, temos uma enorme dependência do que vem de fora. Então, chegamos nas origens da atual crise, a mesma — diga-se de passagem — de todas as outras até então: a crise geral do imperialismo.

Isto, em outras palavras, significa que a “fonte secou”, e a economia brasileira, sem nenhuma autonomia, faz o povo pagar por isso.
Vamos detalhar mais o acontecimento.

II — A Origem da Crise

Durante a Era Lula, o governo passou a subsidiar juros, favorecendo determinadas empresas favorecidas pelo Estado e, por consequência, aumentou o poder de endividamento à longo prazo dos trabalhadores — ou, como os petistas preferem, “aumentou o poder de consumo das classes D e E”.

Isto veio junto à retomada de certas obras públicas, que aqueceu a construção civil e garantiu uma estabilidade empregatícia. No entanto, nenhuma medida autêntica de desenvolvimento nacional foi tomada. Nada de industrialização, reforma agrária ou garantias produtivas de longo prazo.

Ulteriormente, com a Crise Imperialista de 2008, o Estado tratou de reduzir impostos sobre consumo para manter a aparência de economia viva e pulsante, dado que estimular o consumo das classes trabalhadoras ocultaria a crise de exportação que o latifúndio começava a vivenciar.

De um outro lado, todavia, isto elevou o custo geral dos aluguéis, uma vez que o favorecimento empresarial foi dado apenas à parcela financiadora do governo petista. Produzir independentemente, por conseguinte, ficou mais caro.

Depois, já em Dilma, houve a continuidade disso tudo. Com um “porém”: o endividamento, estimulado na Era Lula, gerou recessão geral no consumo escaldante que camuflava a crise; os subsídios, que agora foram estendidos a certos impostos, forma repassados em outros — evidentemente, os que mais afetam o povo. Por fim, a derradeira decorrência da falta de iniciativa industrial independente também acompanhou tudo isso, gerando desemprego generalizado.

A oligarquia brasileira, agora, precisava rapidamente de mais favorecimento estatal, mais garantia de mão-de-obra à preço de banana e investimentos públicos que beneficiassem ainda mais seus cofres. Eram necessárias atitudes mais anti-povo, pois a camuflagem da crise exportadora foi só uma maquiagem, não sua cura. As medidas de Dilma eram insuficientes, já que contavam com muito toma-lá-da-cá sindical e demagogia pró-massas populares.

A pequena-burguesia mais reacionária, sempre falando em “corrupção”, descobriu a América ao perceber que este governo favorecia e enriquecia bolsos privados, em detrimento dos públicos. Isto posto, fez sua campanha contra s má gestora petista, que tentava, àquela altura, basear-se nas massas populares para manter seu cargo, coisa que não estava mais nos planos das classes dominantes que via o iminente risco de prejuízos, caso medidas mais drásticas para voltar a fortalecer o latifúndio, a burguesia burocrática e compradora, não fossem tomadas.

Dado este cenário, a solução das elites foi apenas uma: o cruel, e sem demagogia, despotismo anti-povo de Temer.
Representando a necessidade dos exploradores de arrancar do povo, sem mais rodeios, cada centavo que for possível, Temer entra no jogo político para cumprir as funções que Dilma titubeou em cumprir. Para ser, em poucas palavras, um funcionário competente dos exploradores do povo.

Tal é a origem, de modo simplificado, da atual crise econômica no Brasil. Irresistivelmente, este cenário levanta a questão: como solucionar este caos?

III — A Saída Possível e Necessária

Todos os políticos que hoje pedem o voto do povo têm as mesmas promessas: anti-corrupção, emprego, desenvolvimento, solução para a crise, etc.

O que não contam é que, na prática, atuam como agentes de um grande consórcio, interessado em enriquecer bolsos privados. O que não contam, é que querem e vão manter todas as instituições e mecanismos que provocaram esta crise, em primeiro lugar.

Numa palavra: mentem — por mais que oportunistas de “esquerda” insistam no contrário.

A solução, logo, não pode decorrer dos parasitas engravatados de sempre. Antes, deve decorrer do próprio povo explorado.

Para romper com esta crise, e todas as outras que acontecerão caso nada seja mudado no Brasil, é preciso tornar esta nação realmente independente, soberana, democrática e desenvolvida.

Isto só é possível com uma Nova Democracia.
Isto deve ser repetido à exaustão, pois, além de ser a única saída possível e viável, é a necessária.

Esta Nova Democracia, por sua vez, só é possível com uma autêntica, ininterrupta e tenaz luta das massas e pelas massas, nas ruas, nas periferias, no campo e onde quer que o povo esteja localizado.

Somente partindo da mobilização popular verdadeira, em luta constante, é possível sair dessa crise, bem como evitar todas as outras.

L'ami du Peuple

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O marxismo não só é um guia para a ação, como um convite à mesma.

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