Dança

Yssa

Não havia luz, e ainda sim eu pude ver cada parte de seu corpo se movendo lentamente. Nossos corpos se encaixavam como em uma dança. Deixei-o me conduzir.

Lábios, mãos, saliva, gemidos inaudíveis.

O calor que vinha do seu corpo me queimava. Deixe-me ser consumida aos poucos pelo fogo,

parte por parte.

Pernas, quadris, seios, pescoço.

Seus lábios me beijavam não com urgência, mas como quem sugaria uma alma inteira. Suas mãos passeavam por cada contorno meu, e a cada toque algo em mim se abalava tal qual uma placa tectônica.

Nossa dança ganhava agora um novo ritmo.

Acelerado.

Nossa respiração já não seguia o fluxo calmo de antes.

Eu podia te ouvir. Eu sentia seu corpo.

Eufórico. Trêmulo.

Parte de mim parecia querer entrar em erupção. Suas mãos não eram mais tão gentis como no início da dança.

Elas me agarravam. Com força.

E a cada força usada, meu corpo respondia com gemidos cada vez mais desesperados.

Me permiti olhar em seus olhos. E então, a chama que antes me consumia aos poucos queimou o resto de mim que ali estava.

Gozamos.

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