Arizinho, canhoteiro e goleador

Arizinho foi o primeiro de uma série de goleadores que vestiram com sucesso a camisa juventina.

O maior artilheiro da história do Juventus, com 254 gols marcados, precisou encerrar sua carreira de forma precoce. As dores nos joelhos já não o deixavam mais produzir como outrora. O fato de estar cursando a faculdade de educação física, além da proximidade de seu casamento, também pesaram em sua decisão. Assim, aos 26 anos, o meia-atacante canhoteiro passou o bastão.

Ariovaldo Xavier dos Santos (20/05/1950) chegou a Jaraguá do Sul no ano de 1969. Paulista de Taubaté, trocou a base do Corinthians pelo Estádio João Marcatto, a convite do Padre Elemar Scheid. De início, morava no salão paroquial, em um cômodo que foi transformado em dormitório com a instalação de beliches. O local era dividido com outros atletas, que só utilizavam o espaço para dormir, uma vez que trabalhavam durante o dia. Já as refeições eram realizadas em uma lanchonete defronte ao Colégio São Luís. Desde o início, o atacante não gostava de morar no Cristo Rei, com receio do que as pessoas poderiam pensar. Então, quando foi possível, passou a residir na pensão da família Kuchenbecker.

Arizinho afirma ter marcado quase 80% dos gols do Juventus entre os anos de 1969 e 1976, lamentando o fato de não ter tido a oportunidade de marcar por mais vezes, pois a equipe só jogava aos domingos. Vale lembrar que na década de 1970 poucos estádios da região possuíam sistemas de iluminação. Sem contar que Arizinho não batia pênaltis, após falhar em uma oportunidade contra o Juventus, de Rio do Sul, fato que o traumatizou pelo resto da vida. Apesar de ser uma competição amistosa o craque se ressente de não ter dado ao clube aquele troféu. “Bati mal, no canto. O goleiro foi lá e amansou a criança”, recorda. Daquele dia em diante nunca mais encarou a pelota na marca da cal, nem mesmo em brincadeiras. “Entendi que, para bater um pênalti, não basta ser um bom jogador. Tem que estar tranquilo para cobrar. E depois daquele dia, nunca mais fiquei tranquilo”, lamenta.

Porém, a bola parada definitivamente não era o seu ponto fraco, pelo contrário. Gostava mesmo era de cobrar faltas. Arizinho era um exímio batedor e diz que guardava uma em cada quatro cobranças que executava. “Me aperfeiçoei mesmo”, recorda. O treinamento solitário acontecia no extinto campo do Colégio São Luís, tendo como companheiros a bola e uma barreira com rodinhas que ele mesmo mandou fabricar. “Posicionava a barreira e ficava treinando. Daí, no jogo, ficava fácil. Me lembro de um amistoso contra o João Pessoa, onde ganhamos por 5 a 2 e eu fiz quatro gols seguidos de falta. E o goleiro era o Melão, que jogava muito bem”, recorda.

Uma coisa é certa, Arizinho não tinha medo de finalizar. “Eu não me recordo de todos os gols que marquei, mas a bola pingava e eu metia em direção ao gol”, relembra rindo. Finalizar em todas as oportunidades foi um costume que pegou ainda nos tempos do Corinthians, após ouvir uma conversa do atacante Rafael Chiarella Neto, atleta que disputou 456 jogos e marcou 113 gols pelo Timão. “Ele dizia que se você quer ser um homem gol, primeiro precisa colocar a bola em direção ao gol, seja como for. Com o pé direito, o pé esquerdo ou de cabeça. Assim ela pode entrar. Agora, se você não tentar, você não vai fazer gol nunca”. O conselho o marcou e Arizinho nunca mais teve medo de finalizar, chegando a chutar de cinco a seis bolas contra a meta adversária em um único jogo. “Certa vez, minha noiva foi me assistir jogar e questionou porque dei um chute aonde a bola foi parar na torcida. Eu disse que tentei fazer o gol”, riu.

Arizinho foi o primeiro de uma série de goleadores que vestiram com sucesso a camisa juventina. Nelo foi o destaque em 1976. Tôto brilhou nos anos de 1990 e 1991. Já Alaor fez história no ano de 1994, ao lado de Ricardo e Índio, no ataque que marcou 62 gols no Campeonato Catarinense. Nos anos 2000 a tradição de goleadores foi mantida com Sabiá, Lourival e Max. E certamente outros nomes ainda virão.

Ariovaldo Xavier dos Santos

Texto adaptado a partir do livro ‘A primeira vez do Moleque’.