Castlevania em toda sua excelência!


O índice de acertos da Netflix foi deveras acurado por bastante tempo. Apesar de alguns deslizes, ainda mais quanto a sua política de cancelamentos/renovações de séries, as jogadas bem boladas do amado serviço de streaming ainda estão bem cotadas. Uma em especial, que estreou agora sexta-feira, 07 de julho, foi um dos exemplos de trabalhos certeiros da Netflix: sim, estou falando de Castlevania.

Vale lembrar que os últimos títulos ligados a série (Os dois Lords os Shadows e o Mirror of Fate) não foram da melhor qualidade, e estamos falando isso de uma série que teve jogos estupendos, como o sempre amado Symphony of the Night, Aria of Sorrow, Order of Ecclesia e, por que não, as séries clássicas de NES, SNES, Mega Drive, entre outros tantos consoles old school, que nós tanto adoramos. Castlevania, a animação, em seus quatro episódios, pega justamente um título da saga que junta três dos seus protagonistas mais icônicos (que não revelarei aqui, já que o sentimento de surpresa é algo bem recompensador). Mas aos que gostam de procurar por si mesmo falo dele:

Castlevania III: Dracula’s Curse.

E digo que é uma saga interessante, onde, logo de cara, você realmente verá um Conde Vlad, O Impalador, que não é só um sugador de sangue impiedoso, mas sim, uma criatura que tem a capacidade de amar outra. E justamente essa mesma capacidade de amar, algo novo para aqueles acostumados a chegar no Drácula como final boss e encher ele de “caceta”, que acaba convivendo em conjunto com o já conhecido sadismo, fúria e ímpeto genocida do vampirão mais badass de todos, que já começa a tornar as coisas interessantes. E devo falar já desde aqui: eles realmente captam o quão poderoso é nosso amigo/inimigo Vlad.

Não somente Drácula, mas os demais personagens também são interessantes. Até os rostos conhecidos que aparecem por alguns instantes tem sua dose de amabilidade e despertam nosso interesse. E isso fica mais forte quando começamos a juntar toda a mitologia que envolve o universo de Castlevania. O local onde se desenrola a história, o tempo, o jeito que os personagens vão se unindo e se relacionando, até mesmo habilidades e objetos utilizados, parece exatamente o que muitos fãs adoram: um grande service no formato de, nada mais, nada menos, do próprio jogo sendo animado traço por traço. E diga-se de passagem, isso me surpreendeu. Juro que tive que ir buscar algumas informações, pois, apesar de fã inveterado da série, não lembrava de muitas coisas apresentadas ali, de tão completa que foi a lista de referências. O arco de Castlevania III é, e digo isso com o risco de ser apedrejado, um dos mais cruciais para o que seria a linha de acontecimentos posterior, e mais conhecida, do jogo.

E o traço colabora ainda mais com toda essa hype.

Sim, o traço, meus amigos e amigas, lembra em muito a sutileza e complexidade encontrada nas ilustrações de Ayami Kojima sensei. Obvio que não podemos colocar como igual, pois o estilo de desenho não ficaria adequado para uma animação (tinta óleo animada? Essa eu pagava pra ver), mas que está muito bonito, isso está. Os caracteres angulares nas expressões dos personagens, os cenários desenhados, até a textura de alguns pontos das cenas mais ligados aos ambiente, tudo acaba remetendo aos estilo de traço de Ayami. E acreditem, isso só torna a experiência ainda melhor.

Mas aí você, amiguinho e amiguinha, que está lendo essa resenha despretensiosamente: “ok, mas não tem NENHUM aspecto negativo? Realmente o anime ficou tão bom assim?”.

E eu respondo, de pronto: olha, tem, mas falar deles é algo tão mesquinho da minha parte, que não sei nem se os considero como aspectos negativos. Posso apontar três: o fato de não ter opção de áudio em japonês, o que achei estranho, tendo em vista que a saga Castlevania teve origem no Japão, pelas mãos da nossa (nem sei se agora tanto) amada Konami; o fato de serem apenas quatro episódios, mas essa parte é meio ok, pois seria meio arriscado investir tanto em algo de enredo tão delicado e público tão exigente; terceiro, e o que mais me envergonha de ter pensado e de estar apontando, é o fato de o anime seguir JUSTAMENTE o enredo do jogo, pois isso tira a possibilidade de criar algo inédito, tornando pura reprodução. Mas quem estou querendo enganar né? Quanto mais fiel, quanto mais service, melhor.

A próxima temporada já está prevista para 2018 e, correm as más línguas, terá o dobro (!!!) de episódios. Já deixo claro que espero, sim, algo tão bom, senão melhor, do anime. Como sempre, a Netflix não deixa a desejar em seus originais, como foi também o caso com outras animações, como Knights of Cydonia (onde estão devendo seriamente uma segunda temporada, seriamente), Seven Deadly Sins (também está devendo outra temporada) e Blame!. E Castlevania não fica atrás. Então fique bem confortável e aproveite, pois, como fã, nada melhor que ficar catando e falando para si mesmo “hmmmm, peguei essa referência”, e mesmo que não seja admirador da série, a animação está bonita e o enredo está muito bem construído e próximo ao jogo que toma base. Então, bora chicotear uns sugadores de sangue?