Gordofobia, capitalismo e patriarcado: pequenas reflexões que achei boas o suficiente para publicar.

Então, eu sei que faz sentido toda a tristeza que eu sinto em relação ao meu corpo. Eu sei que a gordofobia neste estado, tão incrustada em nossos inconscientes a ponto de se mostrar em situações pequenas e, para alguns, indiferentes, foi perfeitamente moldada para que eu me sinta aflita e incapaz. Para que eu me angustie e perceba que ninguém se sente realmente atraído por mim. Para que eu me sinta perdida e consuma. É para que eu compre revistas de dietas nem um pouco saudáveis, que vanglorie uma moda e padrão de corpo surreal e assim eu compre, assim eu gaste e entre em um círculo vicioso de jamais me sentir perfeita ou plena, e assim eu tente de todas as formas possíveis atingir um modelo. Um modelo que não só beneficia o capitalismo, ele beneficia o patriarcado. Ele permite que homens se sintam no direito de me julgar e me rechaçar. Ele permite que me chamem de feia, de gorda e eu não saiba reagir e, assim, que os coloque no poder. Assim eu sou sempre menos. Assim eu estou sempre em desvantagem. Assim eu me sinto incubada de tratá-los melhor do que merecem, bem melhor, de mimá-los e me reduzir ao mínimo que eu consiga para que eles me queiram. Eu me reduzo até não ser menos que um inseto que eles podem pisar. Eu vejo isso, porém não é o suficiente. Eu continuo deprimida e cada vez comendo menos ou comendo absolutamente tudo. Eu fico desnutrida e fraca. Eu permito que a sensação de incapacidade e falta de atraência me corroam por dentro. E eu quero morrer. Porque lutar contra isso é cansativo. Porque no final sempre se resume em: pessoas magras são bonitas e desejadas, eu não sou bonita e logo ninguém me deseja. E saber como esse sistema funciona não é suficiente. Eu continuo me sentindo mal e continuo me reduzindo perante outros homens. E eu não sei como parar.