As romarias são ambientes em que a visualidade e a representação da fé se faz presente nos corpos das pessoas, que são chamados de romeiros, e estes demonstram, através de si, sejam com detalhes que fazem lembrar ou com expressões corporais, essa fé que os fazem se movimentar.
As representações visuais na romaria de Benigna não são diferentes. As simbologias se encontram tanto em objetos, bolsas, cadernos, chaveiros, quadros, quanto no corpo das pessoas, em roupas e acessórios.
É dessa maneira que as pessoas se submergem nessa atmosfera de romaria, onde seu corpo-romeiro se coloca à disposição para representar e sentir toda a fé daquele momento.
Das caminhadas da vida aos percursos da Santa terra: devota da Santa Benigna em manifestação pelas graças alcançadas. Em solo quente e fértil terra.
Imagens que são imperceptíveis dentre a comoção do imaginário religioso e o clima do sertão no mês de novembro. Benigna é encontrada em pequenos lugares na estrada de tijolinhos que representam o caminho da fé.
A relação entre os objetos que são pintados para representarem a indumentária de Benigna, a relação do imaginário popular para gerar proximidade com a fé.
O vermelho, branco e os traços não certeiros sobre o rosto da menina. O corpo-romeiro traz as cores, terços e blusas que compõem a narrativa visual de quem era e quem ainda éBenigna Cardoso da Silva.
Narrativa visual sobre a expressão de mulheres romeiras que colocam o seu corpo como representação do dia em que Benigna foi vítima de feminicídio. A roupagem daquelas que sentem a fé em seus olhos e transpassam se ajoelhando ao lugar do martírio.
A devoção atravessa as pontes do sentido. Todas as formas de vida e afeto são cobertas pela proteção de da Beata e utilizadas como porta-bandeiras da fé.
O asé do alimento escorre pelas mãos. Grande é quem alimenta. Da cabeça aos pés, as unhas pintadas da cozinheira Socorro são guardadas pelo pano de fé da menina Beata.
De geração para geração, uma tradição é firmada. Avó e irmã carregam um menino de poucos meses de vida pela jornada de peregrinação que transformou Benigna em Beata.
A tradição da vestimenta do vestido usado por Benigna no dia de seu martírio se tornou comum entre mães, crianças e avós. Esse símbolo é usado para pagar promessas e representar a pureza do corpo.
Representação visual do “Mártir sem face” no local de seu assassinato. As múltiplas narrativas ainda não contemplam a real face de Benigna Cardoso da Silva, a menina que sofreu feminicídio no dia 24 de Outubro de 1941. Sendo reconhecida como “Heroína da castidade” em seguida.