Fora dos planos (pt. I)

Para essa história acontecer eu precisei de: um cartão de crédito (que, coitado, foi usado com vigor e desespero nesse mês de maio), um amigo comprando meu xbox, uma amiga entrando no cheque especial sem querer ao me emprestar dinheiro e um ser humano maravilhoso com uma família maravilhosa que aceitou me receber em Brasília.

Na minha cabeça, o processo de ir para Brasília tirar o meu visto se dividiu em três partes: o desespero antes de ir, o desespero enquanto eu estive lá e a aceitação agora que preciso esperar.

Parte I — O pequeno desespero antes

Tirar visto não é fácil. Tirar visto de longa estadia então… não basta ter um documento, tem que ser traduzido, juramentado, tem que ir ao cartório, tem que ter 5 mil informações coletadas para eles não terem dúvida de que você tá indo fazer algo permitido por lei.

E lá fui eu. Depois da espera por documentos, ida ao cartório e uma comunicação capenga com um Ministro Conselheiro que mistura espanhol com português e às vezes até um romenozinho aqui e ali, consegui enviar a minha aplicação (online, olha a evolução) para começar o processo de visto. Depois que isso aconteceu, veio o alívio: tudo o que eu precisava fazer era tocar a minha vida com tranquilidade e aguardar meu agendamento para fazer uma visita ao Consulado da Romênia no Rio — que o google me fez muito feliz ao informar que ficava em Laranjeiras.

Esperei, esperei e chegou o dia 1 de maio, feriado, um dia pós-visita aos meus irmãos mais novos. Eu deitada na cama e tentando (sem sucesso) me direcionar para fazer coisas do meu TCC.

Um e-mail chega na minha caixa de entrada e vejo pelo pop-up que é da Embaixada da Romênia. O coração vai na boca e volta. MARCARAM O DIA DA VISITA À EMBAIXADA! Comemorei, mandei print screen para Deus e o mundo com o sentimento de “vai dar tudo certo” transbordando até perceber que não, eu não tiraria o visto no Rio de Janeiro.

“Your appointment is confirmed for visa application file identified by code *********** at Brasilia, for 8.5.2017, 10:00.”

Brasília. Eu vou ter que ir para Brasília em 7 dias. Como que eu vou fazer isso? Eu vou ter que ir para Brasília. Aonde eu vou ficar? 7 dias. Como que eu vou para lá? Como eu vou pagar? Mas será que não tem como ser no Rio? E se eu mandar e-mail?

Mando e-mail. O menistro me responde de maneira confusa e não entendo absolutamente nada. Respiro. Não tem jeito. Ou eu vou ou eu vou.

Olho para a minha carteira, a minha carteira olha para mim. A solução tá ali dentro, naquele cartão de crédito que eu acabei de receber e que tem um limite que é um pouco melhor que um cartão de universitário. Não dá para pedir dinheiro para a minha mãe, não dá para preocupar outras pessoas, eu sou quem precisa decidir os meus próximos passos, e naquele momento eu decidi que: eu iria para Brasília e conseguiria o meu visto, estivesse a viagem dentro dos meus planos ou não.

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