Balões de hélio, o caos e o AMOR

Balões de hélio, o caos e o amor

Era manhã de quarta-feira. Mais precisamente, 10:50 da manhã. Um dia nublado- como habitual-, cinza e frio em Lima, capital do Peru. Esperava minha irmã, quem chegava para passar as férias por aqui.

O desembarque internacional do aeroporto Jorge Chávez, sempre caótico- como a emular o trânsito limenho e a antecipar aos passageiros o que lhes espera- estava cheio gente. Gente de todo tipo, desde crianças chorando a taxistas oferecendo seus serviços; funcionários de companhias turísticas e hotéis com aquelas milhares de plaquetas (e até pôsteres de papel improvisados) poluindo visualmente o já não tão belo ambiente. Nomes e mensagens em todos os idiomas, alguns compreensíveis, outros nem tanto. Até aqui, tudo bem, poderíamos estar em um cenário de qualquer outro aeroporto sul-americano.

O mais curioso nesse aeroporto- e sua marca registrada- é a imensa quantidade de balões de hélio. Sim, balões de hélio! Aqueles que se vendem em bombonieres de shoppings, com temas de desenhos infantis e até emojis (¡estão digitalizando até os balões de hélio!). Por alguma razão que desconheço (por ignorância ou por estar há pouco tempo por aqui), os peruanos costumam expressar seu carinho pelos que regressam à terra amada ou aos novos visitantes segurando balões de hélio.

E balões de hélio ainda custam bem caro, hein! Seriam eles expressão materializada do imenso valor que se dá à chegada ou ao regresso dos seres queridos? Ou seria só cafonice e pieguismo mesmo? Sei lá. Melhor não especular.

Esses infláveis são realmente algo de extraordinário valor simbólico para nossos vizinhos andinos. O “plus a mais” da expressão de amor e boas-vindas são os buquês de flores. É tanto amor, que com uma mão segurando os balões e outra segurando o buquê não restam membros para abraçar o viajante amado (ironia?!). Vou parar por aqui.

Registro feito, os andarilhos do mundo já ficam avisados. Ao chegar em Lima, não se assustem com a quantidade de balões de hélio. Não é festa infantil. É amor!

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