Estar sozinho e ser feliz: quando nos encontramos com a nossa essência!

Desde muito pequenos fomos ensinados a ter sempre alguém por perto. Estar próximo a outras pessoas nos gera -acho que até por instinto- uma sensação de segurança.

Sentimo-nos mais confortáveis circundados por outros seres de nossa espécie. Somos naturalmente gregários.

Essa suposta segurança percebida ao estar em companhia de outras pessoas se contrapõe a uma espécie de vazio, de incômodo quando estamos sozinhos.

A própria palavra solidão, do latim solitudine, vem, na língua portuguesa, carregada de um sentido negativo. Atribuímos à solidão sensações consequentes de tristeza, medo, insegurança e dor.

É uma visão ligada à dependência emocional do outro: precisamos sempre de alguém para nos sentirmos completos, felizes e em paz.

Essa mesma visão foi corroborada por muitos filósofos, escritores e renomados poetas.

Aristóteles, por exemplo, afirmou que “Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus”.

Por muito tempo, mesmo morando sozinha desde os meus 23 anos, eu sentia a necessidade de estar circundada de amigos, de gente, de burburinhos e distrações. Eu não sabia, mas queria, no fundo, tapar um vazio da alma com a companhia alheia. O que eu tampouco sabia e que ainda me custaria muito a aprender, era que a melhor companhia (e a única que poderia suprir as carências da minha alma) era eu mesma.

Estar sozinho pode, portanto, ser uma grande oportunidade de dar-se um tempo para se reconectar com quem somos em essência.

Somente quando silenciamos a mente e nos permitimos entrar em contato com nossos reais anseios, podemos sentir a agradável sensação de completude.

Acho que somos, mesmo que muitos não acreditem, seres com poderes quase sobrenaturais. Por mais agradável que seja ter companhias para compartilhar alegrias e dores, a nossa verdadeira fortaleza não está no outro, mas sim em nós mesmos.

Se usássemos mais o termo poético “solitude” para expressar a beleza do ato de estar só, poderíamos vislumbrar os inúmeros presentes que nos são dados pelo simples fato de podermos ter um encontro com nosso espírito.

Sentimo-nos livres quando estamos sós. Não há julgamento, não há pressão, não há preconceito. Há beleza e silêncio. Há música e paz. Há tempo para refletir e meditar acerca de temas que só nós mesmos sabemos o quanto nos angustiam ou nos fatigam.

Como muito bem afirmou Arthur Schopenhauer, “Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.”

Diz mais: “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”.

A verdade é que quando estamos sozinhos podemos entrar em contato com o verdadeiro sentido da palavra liberdade. Acho que Paul Valéry concorda comigo, pois disse, certa feita, que “há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade”.

Numa noite de terça-feira, desfrutando a beleza e a alegria da solidão, as quais somente aprendi a apreciar depois de muito amadurecimento, venho propor um exercício de autoanálise.

Presenteemo-nos com pelo menos uma hora de solitude ao dia. Nesta hora, podemos escolher fazer qualquer coisa que faça nossas almas sorrirem: pode ser escutar uma boa música, tomar um chá, um café ou uma taça de vinho, observar o mar, sentar na grama, comer uma saborosa fruta, ler uma linda poesia. Cada um escolhe aquilo que faz bem ao coração e ao espírito.

Deixo que o poeta alemão Rainer Maria Rilke termine este texto por mim, pois ele, melhor do que eu, escreveu uma linda conclusão:

“Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar.”

(….)

Se você deseja conhecer mais acerca do meu trabalho, visite o blog www.abuscadoequilibrio.com ou o canal do Youtube https://www.youtube.com/channel/UCDvXSFH-kH4EWZcvOr2Q_Ug