Desculpa, não vou não

Esse meme aí tem circulado bastante nas redes sociais nos últimos dias. Tem a galera que entende que “nem todo mundo pode” — e tem a galera que critica as pessoas que desmarcam, não vão aos compromissos ou, simplesmente, se recusam a ir a algum lugar, “inventando uma desculpa qualquer”.

Como ando pensativo e bastante reflexivo sobre a vida (coisa que sempre fui mas que, por vários motivos, tenho feito mais), fiquei lembrando de várias situações, nos últimos meses, em que deixei de comparecer a eventos e compromissos — muitos deles, importantíssimos. Desmarquei, adiei, não fui, atrasei, inventei desculpas. Lembrei de todos os motivos que me fizeram não ir a esses eventos.

Quem me conhece sabe que eu sou enrolado, que eu me atraso, que eu tenho preguiça de fazer várias coisas. Mas mesmo quem me conhece não tem noção de tudo o que rola por aqui.

Fato é que, entre o “vamo?” e o “vamo!”, existem mais coisas do que imagina a sua vã filosofia. Eu ando cada vez com menos vontade de sair de casa e encarar o mundo. Se eu pudesse, viveria de chats e delivery para conversar com a imensa maioria das pessoas. Infelizmente não posso, e então me forço a sair pra trabalhar, por exemplo, ou para dar uma voltinha na praça com o namorado — prq são coisas que eu não posso me dar ao luxo de abrir mão.

As decepções com a sociedade são tão grandes que a vontade é zero de sair e conviver com outros seres humanos. Conversar. Socializar.

“E aí tá tudo bem?” Ninguém quer ouvir “Não” como resposta.

Ninguém quer escutar os seus problemas e, eventualmente, te ajudar a sair do lugar onde você está.

Quando eu não sou uma boa companhia nem pra mim mesmo, não quero ser para os outros. Então assim, se você me chamou pra fazer alguma coisa nos últimos meses e eu não fui, me desculpe, mas saiba que, se foi chato pra você não ter a minha companhia, foi uma luta interna entre o “vou”/”não vou” — onde geralmente o “não vou” ganha, seguida de horas de milhares de pensamentos sobre como eu sou um péssimo amigo/ser humano.

Contei isso pra dizer que: da próxima vez que alguém (e esse alguém pode ser eu) disser “ah, vô não”, pense duas vezes antes de criticar essa pessoa.

Às vezes até dizer “vô não” é difícil.