Comportamentos no trânsito que trazem karma ruim

Lara P
Lara P
Jul 23, 2017 · 4 min read

Ou “por que dirigir em Salvador não é para iniciantes”

Esses dias eu fui na padaria aqui perto de casa. Como era uma padaria gourmet — depois que eu descobri que gourmetizaram até pipoca, perdi a esperança na humanidade — , havia um estacionamento. E, como onde há estacionamento em Salvador há gente esperando, havia gente esperando. E eu encostei o carro para esperar Zhuntinha® com todo mundo.

Eis que surge uma vaga. O cara atrás de mim — que já estava Esperando há mais tempo — dá um sinal que vai entrar, abaixa o vidro e vira pra mim: “oi, eu já tava aqui esperando” e eu respondi: “sim, beleza #pas” e ele passou e entrou. Nem dois minutos depois uma mulher saiu e eu estacionei.

Pode parecer coisa pequena, mas seis anos dirigindo em Salvador me ensinaram que as pessoas Mudam® quando entram em um carro nessa cidade. E os comportamentos que elas exibem me fazem querer acreditar que 1) existe karma e 2) o karma ruim volta.

(Que fique claro que eu não sou exatamente um exemplo de classe e distinção no trânsito, porque tirei minha carteira aqui e, portanto, fui criada na #selva. Mas, ainda assim, algumas coisas me deixam sem palavras):

Karma ruim #1: Roubar a vaga dos outros

Não façam isso, sério. Se a pessoa está esperando a vaga há mais tempo que você, mesmo que a vaga que surja não esteja imediatamente do lado dela, a vaga é dela. A sua vai aparecer, amigo. (Ou não. Já entreguei vaga e mofei esperando. É a vida). Esse princípio também se aplica quando a pessoa ainda está manobrando, você vai lá e PRUCUTU, surrupia o espaço cobiçado.

Aviso logo que já roubei vaga — sem querer. Não percebi que o cara ia estacionar. Os deuses (novos e velhos) protegem os ignorantes, mas não os espertinhos.

Karma ruim #2: Estacionar em vaga reservada para gestantes/idosos/deficientes

Não seja essa pessoa. Sua cadeira especial no inferno ficará reservadíssima, acredite.

Karma ruim #3: Ocupar mais espaço que o necessário para estacionar

Não faça isso.

A não ser que você seja recém-habilitada (e com isso eu quero dizer com aquele ‘PERMISSÃO’ escrito na carteira), os deuses não terão pena da sua falta de habilidade em inserir o veículo na vaga e irão te punir por ocupar o seu espaço + o de três caminhões de mudança para estacionar o seu smart car.

Karma ruim #5: Comprar um carro maior que a sua vaga de garagem

Isso provavelmente não vai caber na sua garagem. Não compre.

Ao mesmo tempo que você não precisa de dois quarteirões para colocar um Celta, a sua S-10 não vai caber na sua garagem de 50cm². Deixar metade do carro ocupando o espaço de manobra dos outros traz karma ruim. E, mesmo que não traga, a sua mania de grandeza veicular é problema seu, não dos vizinhos.

Karma ruim #6: Ficar na velocidade do Nada® para impedir a pessoa de ultrapassar

Em Salvador, isso acontece frequentemente e de forma não intencional devido à lendária Lerdeza dos Condutores®, mas, se você percebeu que a pessoa do lado quer ultrapassar, das duas uma: ou você acelera para ela entrar atrás de você, ou diminui para ela entrar na frente. Só não seja a pessoa que anda naquele passo que só Empata® todo mundo — inclusive ela mesma.

Karma ruim #7: Ultrapassar com o objetivo de Empatar®

Sério. Se você vai ultrapassar, ande mais rápido que a pessoa atrás de você. Não passe na frente para, subitamente, resolver dirigir a -67km/h.

Karma ruim #8: Dar seta errada

Isso se aplica tanto para as pessoas que não seta nunca, em hipótese alguma, quanto para aquelas que dão seta para um lado e viram para o outro. (Eu não sei se esse fenômeno é único de Salvador, mas, se for, quero devolver o presente). Qual o problema de vocês que fazem isso?! Vocês gostam de confundir os outros/dar fechada nas pessoas de graça?!

Karma ruim #9: Colar no fundo dos outros na ladeira

O tipo de ladeira no qual os desbravadores soteropolitanos se aventuram a colar no fundo dos outros (iBahia)

Com a topografia everestiana dessa cidade, essa deveria ser uma dica de precaução para com o próprio veículo antes de qualquer coisa, mas, aparentemente, não. Soteropolitanos gostam da adrenalina de encostar no fundo dos carros alheios — em plena ladeira — para testar se 1) a pessoa sabe mesmo fazer meia-embreagem ou 2) dá mesmo pra confiar em carro automático. (Dica: o carro automático, às vezes, desce mais. Fica por conta e risco de vocês).

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Lara P

É jornalista, tem cabelo cacheado e acredita em golden retrievers.

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