Não importa o quanto a gente tente alargar o conceito de responsabilidade afetiva, nós nunca vamos — e nem deveríamos — deixar de ser responsáveis pelos nossos próprios sentimentos. Há de se fazer uma diferença entre responsabilidade afetiva e culpabilização dos outros pelo que nós mesmas causamos ao nosso estado emocional. Ninguém é responsável pela dor de ninguém. Sentir-se responsável pela dor de alguém nos torna escravos emocionais e isso certamente diminui a boa vontade pra se fazer o bem.
Vejam. Empoderamento, portanto, está relacionado à agência e capacidade de tomar decisões sobre questões que concernem somente à sua própria classe. São as mulheres falando pelas mulheres, pessoas negras falando pelas pessoas negras, porque somente quem cresceu vivendo e vive, de fato, as opressões cotidianas na pele vai conseguir identificar a melhor maneira de resolvê-las, de lidar com elas. Por isso o protagonismo do grupo vitimizado é tão importante — o protagonismo é, em si, uma forma d…