Qual o meu papel no projeto e no time?

No meu dia a dia como gerente de projetos sigo uma lista considerável de tarefas e reuniões, entre diversos desafios preciso identificar como posso manter o projeto no caminho correto e auxiliar as pessoas do time a seguirem sua jornada.

Este é um novo passo na minha carreira de 10 anos no mercado digital, pois antes nunca havia tido a oportunidade de apoiar as pessoas tão diretamente.

Dia a dia, nos últimos 3 meses, tenho descoberto um sem fim de caminhos, opções, erros e acertos. Com o projeto já tenho uma intuição do que preciso ver, o que não posso deixar passar, onde é provável que vá ocorrer algum problema. E, graças a muitas conversas na Thoughtworks, aprendi a me deixar levar e parar sob demanda. Então estou sempre em busca de conhecimento e quando chego numa encruzilhada busco meios para entender como seguir.

Mas e as pessoas?

Uma das minhas responsabilidades é manter o time rodando, conhecer o ritmo, fluxo, forças e fraquezas de cada um e possibilitar que ao fim deste tempo juntos as pessoas saiam melhores do que entraram no projeto. Que elas cresçam.

Só que isto implica em muitas coisas, desde conhecer cada uma delas e saber o que falar, como falar ou quando falar. Saber o que está por trás das 8 horas dedicadas ao projeto, entender seu momento de vida, entender o que elas buscam e para onde desejam ir. Depois preciso reconhecer o meu lugar neste processo. Se existe ou não espaço, onde ele está, o que a pessoa espera de mim e de que forma eu poderia fazer tudo isso sem frustrar, gerar traumas, ser mal compreendida.

E o medo de errar me assombra todas as horas de todos os dias. Porque, neste caso, não estou colocando em risco ou expondo apenas o meu caminho e a minha visão. Mas também a pessoa com a qual tenho me relacionado. Se eu entender algo errado, se sugerir um ponto sem nó, se deixar de ver algo, posso quebrar uma confiança que vai levar meses para reconstruir.

Ao ler o texto da Samantha Rosa “Sobre cometer erros” me peguei pensando como poderia resolver isso ou deixar que as coisas acontecessem de forma mais fluída e menos dolorida. Acho que uma das opções, além de estar sempre aberta para inputs de melhorias e feedbacks, é deixar bem claro que neste caminho eu também estou aprendendo. Utilizar a visão da diretiva primária das retrospectivas: estou dando o melhor de mim e que os inputs que trago hoje são os melhores inputs que pude trazer com o conhecimento que tenho até agora e a percepção que tive.

Talvez o caminho possa ser: sair do loop que me deixa buscando a melhor forma, a melhor resposta, o melhor apontamento e solicitar que a pessoa construa isto junto comigo. Expor o meu ponto de vista, perguntar se faz sentido e entender o que podemos fazer com essa percepção. 
E torcer, torcer para que todas as pessoas sejam abertas, que compreendam este ponto, que queiram melhorar e que consigam depositar confiança em mim.

E assim o resultado de tudo isto é que vamos construir nossas jornadas juntos. Além de identificar e apoiar os outros a seguirem seu caminho, estas trocas vão fazer de mim uma pessoa muito melhor e vou ter aprendido com todos eles como chegar lá.