Meu Pré-Natal na Holanda

LarHolanda
Aug 24, 2017 · 18 min read
Grávidos na Holanda!!!

Chegou o dia desse post, meu assunto dos últimos 8 meses, como tem sido o acompanhamento da minha gravidez na Holanda.

Quando nós tomamos a decisão de cair no mundo sabíamos que no meio desse caminho iríamos aumentar a família. E levamos esse fato em conta na escolha do “daqui para onde”.

Nos descobrimos grávidos bem na virada de 2016/2017, por mais que já tivéssemos lido sobre o assunto “gravidez na Holanda”, na hora que a coisa acontece é difícil não se sentir perdido. Primeiro porque está anestesiado com a notícia, segundo porque está em outra cultura e terceiro porque como marinheiros de primeira viagem a gente não sabia o que esperar.

Ao longo desses meses recebi muitas perguntas de como tem sido o pré-natal na Holanda, e também escutei alguns relatos de como é o pré-natal no Brasil. O que eu vou dividir aqui é a nossa experiência do pré-natal na Holanda, não sou apta a fazer comparações entre os dois sistemas, Brasil x Holanda. Primeiro pela falta de vivência de um pré-natal no Brasil, segundo que o desejo da maternidade foi algo despertado lentamente em mim, então nunca acompanhei uma gravidez com curiosidade, mesmo de pessoas próximas.

Importante! Não tomem o meu relato como um padrão holandês, por essas coisas da vida que podemos chamar de presente, merecimento, karma positivo, enfim, percebi lá pelo meio da gravidez que me cerquei de profissionais diferenciadas mesmo para os padrões holandeses, o que deixou o meu processo ainda mais especial e tranquilo.

Aliás isso só começou a ficar claro quando conheci uma holandesa grávida de 2 semanas a menos que eu, o pré-natal dela era ligeiramente diferente do meu, mesmos exames, mesmo passo a passo, mas com uma abordagem diferente.

Quem me conhece sabe que eu gosto de ser diferentona, isso não mudaria na gravidez né?!

Curiosidades

  • O índice de cesária na Holanda é de 14%. Mesmo escutando relatos de que os procedimentos de parto tem sido cada vez mais hospitalizados nos últimos anos, eles ainda encaram a cesária como uma cirurgia a ser realizada em caso de extrema necessidade.
  • Bebês com o cordão umbilical no pescoço e não encaixado não são necessidades imediatas para uma cesária.
  • Cerca de 28% dos partos são feitos em casa. Além de ser uma opção segura tem todo o suporte dos seguros de saúde e em caso de complicação no parto a mulher é encaminhada para o hospital.
  • Alguns seguros de saúde não cobrem o parto no hospital.
Kraampaket enviado pelo meu seguro de saúde, Menzis.
  • O seguro de saúde envia uma caixa, a kraampaket, com tudo que a midwife vai precisar para hora do parto. Vem até um body para o bebê.
  • Grávidas ganham caixas com amostras de produtos e cupons de desconto em diversas lojas da Holanda, é bem legal para testar produtos e ver o que tem de opção no mercado.
Zwanger box da loja Etos.
  • Os exames obrigatórios são poucos, cerca de 2 exames de sangue e 2 ecografias durante toda a gravidez.
  • Eles não parecem se importar tanto com o sexo do bebê. Lá pela 16ª semana você pode optar por pagar para fazer um exame e saber o sexo do bebê, cerca de €35,00, ou ainda, optar por esperar até o exame da 20ª semana que é obrigatório e pedir para o profissional que realizará o exame para te falar o sexo.
  • Uma enfermeira, a kraamzorg, irá na sua casa ajudar na primeira semana de vida do bebê.
  • Minhas midwifves nunca pediram para me pesar, isso mesmo, só comecei a subir na balança depois do 7º mês por curiosidade. Quando questionei se elas não deveriam me pesar, escutei “por que? você não me parece estar engordando além do normal e o que me preocupa não é seu peso e sim sua saúde”.

Vamos lá…
Tudo começou com a tradicional mestruação atrasada. Compra teste de gravidez, traduz bula (em holandês) para saber o que cada risquinho significa, fica olhando para o seu vizinho de travesseiro com aquela cara de boba e vendo a cara de bobo dele. Volta pra cama rapidinho, aquela conchinha básica para pensar que nada mais vai ser como antes, e não vai mesmo.

Aqui na Holanda não tem essa de exame de sangue para saber se está grávida, se o teste da farmácia disse que está já é o suficiente.

Deu positivo, qual o próximo passo?

A primeira coisa que pensei foi na minha ginecologista de anos no Brasil, mas aqui, como seria? Será que eu tinha que ligar para o meu huisart? Se você leu meu post sobre o seguro saúde holandês já está familiarizado com o termo, caso não, aconselho a leitura.

Você até pode ligar para o médico da família, mas quem vai acompanhar sua gravidez vai ser a verloskundige, midwife em inglês. Difícil achar uma palavra em português para descrevê-las, mesmo parteira ou enfermeira obstetra soa pouco pra mim. Para ser uma verloskundige, é preciso ter uma formação de 4 anos em obstetrícia. Elas são vinculadas aos seguros de saúde e a cobertura de exames vai de acordo com cada plano.

Para a gravidez a mentalidade aqui é: médico é para doença, gravidez não é doença, logo, você só verá um(a) ginecologista/obstetra em caso de complicações na gravidez ou gravidez de risco. Eu, por exemplo, estou na 38 semana e do começo da gravidez até agora nunca me consultei com um(a) ginecololista/obstetra.

Apesar de muitas pessoas fazerem o link com as doulas elas tem papéis diferentes. Minha midwife explicou que a doula dá um suporte emocional e físico na grávidez e/ou no parto e não tem autorização para fazer alguns procedimentos técnicos, como: avaliaçãodos batimentos cardíacos do bebê, reparo de eventual laceração, inspeção de placenta, etc.

Particularmente acho o papel das doulas super importante, ainda mais para quem está longe da família e em uma cultura diferente, a doula pode ser um grande suporte tanto para a gestante quanto para a midwife.

Na nossa pesquisa, basicamente pelo google, encontramos midwives que são um mix de doula com midwife, lembra que eu comentei lá em cima da sorte que demos?!

A Pascalle e a Esseline do Veloskundigen Aan de Maas, têm acompanhado minha gravidez desde o começo. No meio da gravidez a Suzane entrou para o o time ao cobrir as férias da Pascalle. Foi aquele click certo já na primeira consulta, o santo bateu tão direitinho que se tudo der certo será com ela que faremos meu parto. Todas as três têm sido incríveis ao longo da minha gravidez.

O trabalho delas é diferenciado mesmo para os moldes holandeses. Elas têm uma abordagem holística e humanizada da gravidez, do parto e da maternidade. As consultas são feitas com calma, sempre tomando muito cuidado para que eu esteja bem tanto física quanto emocionalmente, sempre me senti muito acolhida e sem aquela pressão pelo horário. Os exames necessários sempre eram feitos, mas o espaço para eu tirar minhas dúvidas, colocar minhas inseguranças sempre foi respeitado.

Elas estão disponíveis 24h, sério, tenho um telefone para contato a qualquer hora do dia ou da noite, fico feliz de nunca ter precisado ligar de madrugada, mas saber da possibilidade acalma.

E uma das coisas que achei mais fantásticas durante o meu pré-natal é que me senti sempre guiada a ler as mensagens do meu corpo e a acreditar nele.

Para conseguir dar toda essa atenção e dedicação a cada paciente, elas não atendem muitas grávidas ao mesmo tempo e verificam se você se encaixa na filosofia de trabalho delas. Quando ligamos para marcar a primeira consulta a sensação era de que elas estavam fazendo uma entrevista para ver se nós encaixavamos com elas. Acho que deu pra perceber que eu indico elas com todo o meu coração né?

A primeira consulta

Primeira consulta, primeira vez que um “minduim” me fez chorar.

A primeira consulta só acontece depois da 8ª semana, até lá você espera e como elas me disseram, “deixa seu corpo trabalhar que ele sabe o que faz”. Como o aborto espontâneo é comum nesse começo, esse tempo até a 8ª semana é para ver se seu corpo vai rejeitar o óvulo ou seguir com a gravidez.

A primeira consulta é um turbilhão de informação, tanto o que está acontecendo no seu corpo, cuidados que se deve ter até como vai ser o pré-natal.

Nossa primeira consulta foi no comecinho da 8ª semana, com um ultrasom para ver se estava tudo ok, só ver, escutar o coração só depois da 12ª semana. Não existem estudos suficientes para determinar se as ondas sonoras podem ter algum impacto naquele grãozinho se formando na sua barriga, pelo sim, pelo não, espera-se até a 12ª semana.

Já na primeira consulta, assuntos como aborto, fertilidade, decisão de exames, etc, são tratados com muita informação e sem tabu.

Aborto na Holanda

O aborto é permitido até a 22ª semana de gravidez por escolha própria e até a 24ª semana por razões médicas. O assunto foi abordado já na nossa primeira consulta por consequência do exame que prevê algumas síndromes no feto.

Esse exame não é obrigatório na Holanda, ficando a critério dos pais fazê-lo ou não. Para ajudar na nossa decisão de fazer ou não o exame nossa midwife explicou como o aborto é encarado na Holanda. Então em caso de detectada alguma síndrome teríamos a opção de interromper ou nos preparar para seguirmos com a gravidez.

No nosso caso a gravidez foi desejada, uma decisão conjunta, mas se o caso fosse diferente teríamos a opção de interromper a gravidez dentro do prazo previsto em lei.

Para nós que viemos de uma sociedade tão cheia de tabus com relação ao aborto assusta escutar o assunto sendo abordado de forma tranquila, direta e clara, mas no final tranquiliza muito em saber que tenho o poder de decisão sobre o meu corpo.

Fertilidade

Outro assunto tratado na nossa primeira consulta, fertilidade. Elas me perguntaram como foi para nós engravidarmos, se estávamos tentando a muito tempo e então nos apresentaram uma organização que tem um projeto muito bacana de fertilidade, do qual tive o prazer de participar, o Moeders voor Moeders.

O Moeders voor Moeders é uma organização que faz parte de uma empresa farmaceutica e tem o objetivo de ajudar casais com dificuldades para engravidar. Entre a 6ª e a 16ª semana de gravidez a mulher libera um hormônio chamado HCG na urina, esse hormônio é ultilizado para fazer medicamentos para mulheres com dificuldade de engravidar.

As garrafas que são feitas as coletas de urina.

Para participar é muito simples, você se inscreve pelo site e eles entram em contato para marcar um encontro. Combinado o dia, eles vão até a sua casa e te explicam sobre o projeto. Caso você queira participar eles fazem um exame na hora para verificar a quantidade do hormônio no seu corpo. Nesse mesmo encontro deixam 8 garrafas para você começar a coleta de urina e as garrafas são retiras por eles uma vez por semana.

Essas garrafas contém um líquido para conservar a urina coletada durante a semana. As garrafas não ficam cheirando ou passando cheiro para o ambiente.

Eu gostei muito de participar, a gravidez foi algo que veio tão fácil e certeiro nas nossas vidas que ajudar pessoas que passam por tanto, psicologicamente e fisicamente, por esse sonho de gerar uma vida, me fez total sentido. Aliás a gravidez fez isso comigo, despertou empatias que eu não imaginava ser capaz de ter.

Exames que fiz durante a gravidez

Primeiro trimestre: na primeira consulta com a midwife lá pela 8ª semana, é feita uma ecografia. A primeira vez que você vai ver aquele grãozinho dentro de você.

Entre a 11ª e 14ª semana.
Prenatal screening é uma combinação de exame de sangue e ultrasom para detectar algumas síndromes como: Síndrome de Down, Síndrome de Edwards e Síndrome de Patau. Não é obrigatório, ficando a critério dos pais fazer ou não. Devido a falta de obrigatoriedade esse exame é pago a parte, o valor vai depender da cobertura do plano de saúde e do tipo de gravidez, caso seja uma indicação da midwife ele pode ser reembolsado pelo seguro saúde. Nós optamos por fazer e pagamos o valor integral, na época, cerca de €170,00.

Segundo trimestre: exame da 20ª semana.
Structural Echoscopic research, feito para verificar possíveis anomalias no feto. Ele pode ser utilizado para ver o sexo do bebê caso você não queira pagar só para saber o sexo. Esse exame é obrigatório.

Terceiro trimestre: eu fiz ambos os exames na 28ª semana.
Growth ultrasound, ultrassom para fazer medições e ver a posição do bebê.
Exame de sangue para verificar ferro e glicose. Esses exames são obrigatórios.

No meu growth ultrasound, a profissional que fez o exame teve dificuldades de medir o fêmur da nenêm pela posição em que ela estava, fez várias perguntas pra gente e foi um pouco vaga nas respostas para as perguntas que fazíamos, isso me deixou muito tensa. Do dia do meu ultrassom até a consulta com a midwife levou uma semana, e que semana longa, eu estava tão nervosa com o resultado do exame que para me acalmar além de muita explicação e paciência com a pessoa que começou a chorar sem parar quando escutou “está tudo bem com a nenêm, todas as medições estão dentro do padrão, ela só não terá 1,80 de altura”, a midwife fez um ultrassom extra para me acalmar, ganhei até fotinho da minha beiçudinha.

Minha beiçudinha. ❤

Em todas as consultas elas medem minha pressão, ali pelo 4º ou 5º mês, não lembro ao certo, elas começaram a medir minha barriga e lá pelo 7º mês verificar a posição do bebê pelo tato. Em uma consulta elas ensinaram o Pedro como identificar o que era a cabeça, costas, da nossa bebéia e saber o quanto de pressão ele poderia colocar na minha barriga.

Consultas

Até o 6º mês minhas consultas eram mensais, a partir do 7º mês começaram a ser de quinzenais e no começo do 8º mês passaram a ser semanais.

Desde o começo tem muita conversa sobre o que você espera do seu parto, mas antes de entrar na 37ª semana terá uma consulta dedicada só para o parto. Pra gente essa consulta aconteceu na nossa casa, foi uma conversa verdadeira, cheia de informação. Ela nos explicou todo o processo do trabalho de parto, tanto emocional quanto de sensações, como observar meu corpo quando a hora estiver chegando, o momento de ligar, o que esperar delas durante todo o processo, qual o papel do Pedro, coisas que podem acontecer, e caso aconteçam, procedimentos que serão tomados, como será feita a recepção desse novo serzinho que vem ao mundo, enfim, foi uma conversa que nunca imaginei ter e que achei rica e valiosa.

Vocês leram acima que a midwife nos explicou o papel do Pedro no dia do parto certo? Sim, o futuro pai tem seu papel durante toda a gestação e no dia do parto. Pedro e eu engravidamos juntos, claro que tudo está acontecendo fisicamente dentro de mim, mas o papel dele em toda a gravidez foi, e é, fundamental. O fato de estarmos juntos nisso faz com que ele vá tomando contato com a paternidade durante todos esses meses e amadurecendo diversas questões ao longo do processo.

Já fica aí o gancho para mais dois posts: a conversa sobre o parto e a participação do Pedro durante a gravidez e no parto, mas para isso ainda preciso de algumas vivências.

Parto em casa ou na maternidade

“O que você espera do parto?”

No momento certo essa será uma das perguntas que a midwife fará e a escolha do local, em casa ou na maternidade, fica a seu critério. Ouvimos bem no começo da gravidez que a opção de ter o parto em casa seria restrito a quem mora no térreo ou até segundo andar, mas nossa midwife desmentiu essa informação.

Ela esclareceu que caso ocorram complicações durante o parto, se houver dificuldade da grávida sair pela escada (é cada escada estreita nesse país) o corpo de bombeiros pode ser acionado e a retirada é feita pela janela.

“E como a midwife sabe que é o caso de ir para o hospital?” O dado mais importante é obtido monitorando os batimentos cardíacos do bebê. É normal a diminuição das batidas, mas se, eles caírem demais é sinal de que não possível continuar o parto em casa.

A questão do parto natural e a cesária já muda de figura. A cesária só será uma opção em caso de necessidade médica. “Mas Evelyn, meu corpo minhas regras, se eu quero cesária como faz?” Pois é, você tem o direito de decidir o que quer para o seu corpo, mas você não pode exigir de um médico que realize uma cirurgia que ele avalia não ser necessária. Viu onde está o impasse?!

Se você demonstrar sua vontade pela cesária para a midwife, digamos que seja por motivo estético ou por medo, o papel dela será entender seus porquês. Ela explicará os pós e contras de cada tipo de parto para te dar segurança e guiá-la ao parto natural.

Já se o seu motivo para a cesária for relacionado à saúde, por exemplo, má circulação, pressão alta, diabetes, etc, então ela te encaminhará para um ginecologista/obstetra para que seja averiguada a necessidade da cesária. E isso não é nada que se faça em uma só consulta.

Duas situações que ouvi serem tratadas como necessidade de cesária no Brasil e aqui não, são:

  • Bebê não encaixado: primeiro eles tentam manobrar o bebê através de uma manipulação da barriga, algo como uma massagem para induzir o movimento do bebê para a posição de cabeça para baixo. Caso o bebê não mude de posição, tudo vai depender da posição que ele está, se ele estiver de pé o parto natural é possível, se ele estiver na transversal será necessária a cesária.
  • Cordão umbilical enrolado no pescoço: também não é motivo para cesária. Segundo minha midwife o cordão pode ser desenrolado a medida que a cabeça do bebê vai sendo exposta, pois ele ainda está respirando pelo cordão umbilical, refutando a hipótese de sufocamento.

Várias foram as razões que nos levaram a decidir pelo parto na água. Com o parto na água eu tenho mais alternativas para encontrar a melhor posição ao não estar restringida a uma cama. A água na temperatura certa me proporciona um maior relaxamento ao aliviar o peso da barriga. Tudo isso me dará mais conforto e ajudará a aliviar as dores, além de fazer me sentir menos exposta.

Para o bebê, alguns dos benefícios são: oferecer uma transição mais suave entre o útero e o mundo exterior, favorecer que seja um bebê mais tranquilo, proporcionar um desenvolvimento melhor do sistema respiratório, entre outros benefícios.

A conversa sobre o dia do parto nos ajudou muito a consolidar essa escolha. Conversas sinceras podem assustar, mas a confiança que dá saber o que te espera não tem preço. Ela avaliou o espaço físico e deu luzes verdes para que tenhamos o parto em casa e na água.

Restrições da gravidez

Não tiveram muitas e o meu sentimento é que as midwives te dão as informações do porque não ou porque sim, mas a decisão final é com você.

Restrições mesmo elas me passaram duas:

  • bebidas alcoólicas: eu achei a orientação das midwives mais restritiva do que escuto sobre o tema no Brasil. Segundo elas, os estudos a respeito da ingestão de álcool na gravidez não são conclusivos, não se sabe a quantidade segura ou prejudicial ao bebê. O fígado do feto não atua tão eficientemente na metabolização do álcool quanto em um adulto (faz muito sentido) então o álcool ingerido e circulante na corrente sanguínea demorará mais tempo a ser processado pelo bebê. Como eu gosto muito de um vinho e uma cervejinha, achei que isso ia pegar, mas não sei se é o fato de estar em outra frequência, aconteceu de eu nem sentir tanta vontade. E tem outra, as opções de cerveja sem álcool na Holanda são excelentes, então tenho me virado muito bem com elas. No final das contas até o Pedro aderiu a cerveja sem álcool para me acompanhar.
A foto é pra ser clichê mesmo, Heineken, Holanda, mas a diversidade de cervejas sem álcool de excelente qualidade por aqui é grande. Em todo caso, apesar do clichê, a Heineken sem álcool é muito honesta em sabor, ficou como uma excelente alternativa custo x benefício para o verão.
  • comida crua: carne bovina ou pescados, não importa. Mas…, por exemplo, já vi uma amiga holandesa que também está grávida comer algumas vezes o famoso haring (arenque), que é um peixe servido cru, conservado em salmoura, com cebola por cima. Pelo sim, pelo não, só quem comeu foi o Pedro (e gostou, viu).
E é assim que se come.

Uma outra coisa que me perguntam muito é: “mas você ainda está pedalando? Pode?” Acho que com esse assunto eu consigo dar um exemplo de como elas me ensinam a ler os sinais do meu corpo.

No começo da gravidez eu sentia muito cansaço e muita cobrança mental de fazer alguma coisa, então questionei elas em uma consulta:

– Tenho sentindo falta de me exercitar, que tipo de exercício eu posso fazer?

– Depende de como você está se sentindo, se já praticava algum exercício antes de engravidar, do que seu corpo vai dizer.

– Ah, mas sei lá, eu posso correr por exemplo?

– Pode, e quem vai dizer até quando é o seu corpo, você tem que estar atenta aos sinais dele, escutar-se e principalmente respeitar os seus limites.

Segui a indicação, corri um pouco nos primeiros meses, mas depois deixou de ser confortável, parei e tá tudo bem.

Pedalar virou uma opção, além de ser a minha realidade por aqui é também uma grande ajuda no final da gravidez. Locomover-me está cada vez mais pesado e lento, a bike me dá a mobilidade e leveza que eu preciso. Pra mim tem sido mais confortável pedalar do que andar e se para o meu corpo tá tudo bem, seguimos pedalando.

Alimentação

Logo que descobri que estava grávida, minha cunhada, Thaís Leão, nutricionista e dona do blog Fome de quê? me passou uma cartilha fantástica com Orientações Nutricionais: da gestação até a primeira infância.

Eu enjoei bastante no começo, embora não chegasse a vomitar as sensações de enjôo e azia eram fortes. A única coisa que me descia, e era uma delícia, era fast food, virei cliente do Burguer King. Sim, eu sei, shame on me, mas sério, era o que me descia.

Já esse ice coffee tem me acompanhado durante toda a gravidez.

Conversei com a midwife e a resposta foi: “se é isso que o seu corpo está aceitando no momento, coma, sem culpa. Eu prefiro que você coma, mesmo que seja fast food do que fique sem comer nada”.

Foi bem no começo da gravidez e não chegou a durar um mês, nunca mais o Burguer King vai ter aquele gosto.

Depois voltamos para a programação normal.

Passado esse desespero do começo consegui achar outras coisas que me ajudaram com os sintomas da queimação, enjôo e azia do primeiro trimestre. Vou deixar umas dicas rápidas, mas acho que vou fazer um post dedicado só as salvações da minha gravidez.

Água com gás, sorvete, maça e limão, amém!

Sobre vitaminas e complexos alimentares, perguntei algumas vezes sobre a necessidade de tomar e elas sempre me respondiam com outra pergunta “você está se alimentando mal?”. No geral eu me alimento bem, tirando aquelas semanas junkies do começo da gravidez, eu estava me alimentando bem durante a gravidez, mas sabe como é né? Bate aquela insegurança do “será que eu não deveria?” Acho que de tanto eu perguntar me passaram um complexo alimentar que eu tomei por pouco tempo. Eu enjoava muito quando tomava, voltei para a velha tática de escutar o corpo.

Agora no finalzinho da gravidez estou com bastante queimação e azia, elas me indicaram gaviscon, que tem ajudado, mas não tem sido efetivo, então tenho tentando identificar na minha alimentação, possíveis fatores de piora dos sintomas.

To do list caso você esteja na Holanda

Ali pelo quarto mês, é legal começar a:

  • Fazer sua pesquisa e escolher uma Kraamzorg;
  • Ligar para o seu seguro de saúde e requisitar a kraampakket;
  • E se for o caso, começar a pesquisa e se increver nas creches, pois pelo que me disseram elas são bem concorridas.

A kraamzorg é a enfermeira que comentei lá em cima, nas curiosidades. Ela vai de 5 a 8 dias, cerca de 3 a 8 horas na sua casa nos primeiros dias de vida do bebê. A função dela é te ajudar na adaptação com o recém chegado(a) e até em algumas tarefas da casa. No nosso caso que optamos pelo parto em casa, ela acompanhará o parto com o papel de ser uma ajuda para a midwife. No caso de parto no hospital ela irá até sua casa quando você tiver alta.

Nós contamos com a sorte novamente por aqui, por uma falha de comunicação e uma tranquilidade demasiada nossa só fomos entrar em contato com uma kraamzorg no sexto mês. A indicação foi da nossa midwife que fez o primeiro contato para termos mais chance de uma brexa na agenda e daquelas coisas da vida, Reset nos incluiu na sua agenda.

Ali pela 34ª semana ela veio aqui em casa conversar para conversarmos e nos explicar o papel dela nos guiando nesses primeiros dias, vai te dizer o que você precisa ter para o dia do parto caso ele aconteça em casa, se você quer que ela participe e ajudar com a lista da bolsa maternidade. Mesmo em caso de parto em casa é pedido que deixe pronta uma bolsa maternidade em caso de emergência.

Depois de duas horas de conversa eu não poderia estar mais feliz em saber que vou poder contar com uma profissional como ela. Prometo dividir a experiência depois.

O seguro saúde cobre os custos dessa profissional, se não completamente, uma boa parte, vai depender do seu plano.

A kraampakket, é a tal caixa com tudo que a midwife irá necessitar para a hora do parto. Foi outra coisa que nós demoramos para solicitar e eu levei a maior bronca por telefone do seguro saúde.

Sobre a creche eu não vou poder falar, não fomos ver ainda, estamos em processo de mudança de endereço bem no final da gravidez e como aqui tudo é vinculado ao seu código postal precisamos primeiro saber onde iremos morar.

A espera

Estou entrando na 39ª semana da gravidez, nossa menina pode chegar a qualquer momento, de uma forma geral estou tranquila. Até aqui me senti muito segura em todo o processo mesmo com a barreira da língua e da cultura.

Volto para dividir como foi o parto e o pós parto.

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