a dor de um mundo que dói
me sinto mal pelo Escalopinho ao molho madeira enquanto crianças esmolam em frente ao restaurante.
me sinto mal ao comentar futilidades após atentados, aviões que caem e bombas pelo mundo.
me sinto mal ao assistir jornal.
me sinto mal ao ver crianças vendendo biscoitos na rua.
me sinto mal ao ver crianças vendendo biscoitos na rua…
me sinto mal ao ver crianças na rua.
me sinto mal por ter tido uma infância feliz.
me sinto mal ao passar em grandes avenidas e ver pessoas sentindo frio, sem um teto para amenizar.
me sinto mal quando vejo um carro funerário cheio de flores, não pela morte em si, mas pela dor de alguém.
me sinto mal pelos os que morrem de fome, os que morrem de alma e os que morrem sem amor.
me sinto mal porque essas cenas ecoam na minha cabeça. ecoam tanto que precisei escoar. escoaram tanto que;
me sinto mal.
me sinto mal pelo café quente e, ainda, a completa sanidade para escrever.
me sinto mal pelo mundo estar mau e andar mal.
me sinto mal por não fazer nada.
me sinto mal
e também sinto muito.
