compilação de nós

dia 7

como se fossem duas notas da simples melodia
um mistério stereo que eu te cantaria
eu cantaria, cantaria

quando a gente terminou, eu ouvia Mistério Stereo, do Curumin. num tiro certeiro, a vida me trouxe a canção sem dó. o andar da nossa conversa me atravessava feito um caminhão no peito. a música? não era triste, mas tornou-se desde então.

vibrar em cada canto dominante no seu coração
rodeando, balançando, enfeitando

passado e presente cruzando minha frente. o efeito era feito câmera lenta, ora preto, ora em cor. a dor doía tanto que só havia silêncio, mesmo que duas melodias distintas estivessem tocando. é possível duas coisas acontecerem assim? duas trilhas, dois momentos, dois nós e dois de nós…

seu ouvido, seu pescoço, seu corpo, sua casa, seus jardins

eu não queria pensar. eu havia prometido ficar, havia prometido te amar. mas, as palavras que saíam de mim tinham uma tonelada de sentimentos distintos, comandados pela tristeza em partir.

se você percebesse
que eu faço de tudo só pra te encantar
todo dia, eu cantaria, todo dia

quando mais uma vez o refrão viria me acertar, tive de parar. a música tocava alto demais, mesmo que baixinha. em silêncio, eu ouvi só tua voz e a minha, que sintonizadas disseram é foda.


dia 12

pus um aplicativo automático que medisse o tempo. quatro anos ou 1460 dias? 1460 dias, óbvio! me parece mais impactante. depois de muito escrever, te descrever, nos relatar, deixei em mil jeitos todas as minhas saudades e particularidades. a quem quero convencer? convencer de que tu era tudo… você era.

decidi por não escrever. escolhi não eternizar em palavras os últimos momentos da nossa história. não queria que fosse mais um texto comum sobre fins, de como é ruim ver você partir, de como eu sinto por ter que ir…

decidi não oferecer detalhes teus. tudo o que te aprendi e te deixei ser. o universo que era você e os flashes de como me sorria estão guardados pra mim. em mim. todas minhas memórias são unicamente tuas, nossas. nosso mundo. era. sei lá! descobri que é complicado escrever sobre fins sem falar especificamente de ti. entendi. por isso todo mundo põe detalhes em fins. não vou! só não sei como terminar isso aqui.

deve ser porque mesmo sabendo, a gente nunca tá pronto. a gente nunca tá. a gente;

deixo gravado em ponto e vírgula.

e a ti, desejo o melhor dos mundos.

E eu acredito no mecanismo do infinito, fazendo com que tudo aconteça na hora exata. (Caio Fernando)

dia 13

eu era uma compilação de nós,

nos dois sentidos da palavra.

tu era uma compilação de nós,

nos dois sentidos da palavra.

coleções próprias

memórias, histórias e dias.

muitos dias.

respiro fundo | fecho os olhos.

blackout!

que comece um novo mundo.

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