impermanência
memórias.
2:03 ao som de Seafret | Oceans
hoje, eu fumei um beck vendo o sol se pôr e, logo depois, assisti a um filme que fez meus olhos encherem d’água. comi um BK.
ontem, cheguei em casa e comecei a ler Amor é um cão dos diabos, do Bukowski. também fiz o jantar.
domingo, eu te vi e tive a certeza que não somos mais. comi o que tinha na geladeira e dormi 12 horas seguidas.
semana passada, eu visitei alguns lugares, conheci uma galera, bebi bastante e tudo isso agora, às 2:03 da madrugada, são só lembranças. uma compilação de acontecimentos e detalhes que, em breve, não me lembrarei mais.
percebe? pergunto-me, então, por quanto tempo seu rosto vai resistir à minha impermanência de memórias,
pois,
a cada segundo que passa, eu me lembro menos de domingo.
a cada hora que passa, eu me lembro menos de semana passada.
a cada dia que passa, eu me lembro menos de você. e nossas memórias estão escorrendo por minhas mãos, sem galhos no caminho ou correnteza contrária.
não posso segurá-las.
e mesmo que quisesse, não conseguiria.
penso;
esse despoder parece deixar tudo tão líquido…
e, de fato, é.
é tudo sobre a impermanência que somos.
então,
para quando eu esquecer completamente dos teus detalhes
(e vou)
deixo esse texto sem ligações e um pouco disperso,
(é assim no fim das contas)
mas não se preocupem
e me perdoem pelo tempo,
logo vocês esquecerão essa baboseira também.
“I like the stars. It’s the illusion of permanence, I think. I mean, they’re always flaring up and caving in and going out. But from here, I can pretend… I can pretend that things last. I can pretend that lives last longer than moments. Gods come, and gods go. Mortals flicker and flash and fade. Worlds don’t last; and stars and galaxies are transient, fleeting things that twinkle like fireflies and vanish into cold and dust. But I can pretend…” (Neil Gaiman)
