Os traumas vividos por seus tataravôs podem ser passados para você?*

Imagem: Adam Klosin, CRG

*Texto traduzido de maneira safada e amadora, qualquer sugestão de melhoria ou correção será sempre bem vinda.
Conteúdo original “Can Trauma Experienced by Your Great-Great-Grandparents Be Passed on to You?” disponível em:
http://gizmodo.com/can-trauma-experienced-by-your-great-great-grandparents-1797897567

“Nossas famílias passam pedaços delas mesmas para nós em mais de uma maneira. A cor do seu olho pode ser fruto de herança genética, porém nem tudo que herdamos está codificado nas instruções do nosso DNA. Uma afinidade por literatura russa pode ser algo que seus pais te passaram através da influência social, lendo para você antes de dormir, da mesma maneira que os pais deles fizeram com eles. Experiências de vida como o trauma, pesquisadores descobriram recentemente, pode ser passado para frente, também. Crianças podem herdar as mudanças que ocorrem na forma como os genes de seus parentes são expressos devido a um stress ambientalmente desencadeado.

Conforme pesquisadores tem se aprofundado em genética, o estudo de como pessoas herdam as experiências de vida de seus ancestrais tem aumentado muito. A questão é controversa porque questiona a premissa básica de que os genes codificados em nosso DNA são a única forma de passar informações biológicas para futuras gerações. Ao invés disso, a ideia de “herança epigenética” sugere que coisas como fumar, dieta e stress podem impactar futuras gerações. Fatores ambientais como stress modificam nossos genes, ao mandar sinais químicos para nosso DNA que liga e desliga-os. Essas instruções químicas, pesquisadores agora acreditam, também podem ser passadas para frente.

Um novo estudo publicado quarta-feita no jornal “Science Advances” (“Avanços Científicos”) sugere que essas mudanças podem impactar mais gerações do que previsto anteriormente, e esclarece como essas mudanças epigenéticas ocorrem. Em estudos com vermes, pesquisadores europeus afiliados ao Centro de Regulação Genômica descobriram que estados alterados de expressão genética podem ser herdados por até cinco gerações. Essas mudanças, eles descobriram, podem ter sido causadas por uma falha que ocorre durante o processo que copia o DNA durante a divisão celular.

“Não é exatamente como herança, porque a cada geração as chances de passar para frente essas mudanças, diminui”, Ben Lehner, um dos autores do estudo, contou ao nosso site. “É herança, mas com uma grande taxa de erro.”

Durante os últimos anos, pesquisas tem mostrado evidências de herança epigenética em ratazanas, ratos e até humanos. Em 2015, um grande estudo de uma equipe de pesquisadores do hospital “Mount Sinai” em Nova Iorque observou como os traumas sofridos pelos sobreviventes do holocausto são capazes de serem passados para seus filhos. Foram analisados os genes de crianças de 32 pessoas (homens e mulheres) judias que estiveram presas em campos de concentração nazista durante a segunda guerra mundial, que passaram por torturas ou precisaram se esconder durante a guerra. Eles encontraram evidências de mudanças genéticas em um gene associado com a regulação de hormônios de stress nas crianças, estas surgiram relacionadas a marcas epigenéticas no DNA de seus pais. Isso é significativo, porque a maneira que estes genes são regulados pode determinar como uma pessoa lida com stress.

Em ratos, estudos tem sido ainda mais profundos, apesar de não ficar claro se os mesmos efeitos ocorrem em humanos. Em um estudo, pesquisadores treinaram ratos machos a temerem o cheiro de flor de cerejeira ao emparelhar sempre o surgimento do cheiro com um pequeno choque elétrico nos animais. Suas proles exibiram o mesmo temor pelo cheiro. Outro estudo com ratos descobriu que diferentes dietas em ratos idênticos poderiam resultar em intolerância a glucose e risco de obesidade em suas proles.

Como e por que essas mudanças são transmitidas entre gerações é o que Lehner e seus colegas estão interessados em estudar. Em seus estudos com minhocas, eles inseriram um gene no genoma dos animais que normalmente seria silenciado, e descobriram que as minhocas com o gene também carregavam mutações em proteínas envolvidas no processo de cópia do DNA. Suas proles não carregaram a mesma mutação na réplica de DNA, porém durante cinco gerações seguintes o gene em questão ainda fora incorretamente ativado.

A ideia que esses tipos de mudanças são passadas por pessoas é controverso. E não há muitas evidências sólidas que algumas mudanças de fato são passadas além de uma geração. Mas Lehner comenta que a real questão não é se mudanças epigenéticas são de fato herdadas.

“É realmente um debate quantitativo sobre o quanto dessa informação não genética acontece em humanos”, ele diz. Em outras palavras, a questão, segundo ele, não é se informação biológica não genética é passada para frente ou não, mas quanto pode ser e é.

O mecanismo exato é incerto, mas a então chamada “herança leve” pode ser a resposta que seres humanos desenvolveram no intuito de lidar com coisas como a fome. Em plantas, essa ideia é bem compreendida. Deixas como mudanças na temperatura, por exemplo, podem impactar coisas como o tempo que uma planta floreia por várias gerações.

A medida de quais fatores ambientais podem afetar as futuras gerações de seres humanos ainda é amplamente desconhecida. No entanto, descobrir isso provavelmente causaria grandes implicações na manutenção da saúde humana. Imagine, por exemplo, que a dieta de um pai irá impactar na propensão de seus filhos à obesidade ou alergia a trigo. Isso o fará pensar duas vezes antes de comer um donut todos os dias de café da manhã.

Por hora, apesar de tudo, ainda existem muito mais perguntas do que respostas.”

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