O que o RPG pode nos ensinar sobre aprendizado

Desde que foram reconhecidos cientificamente, nós já esfregamos muito na cara da sociedade os benefícios do videogame. E, em algum lugar da minha história entre o Ragnarok e o WoW, acredito ter encontrado mais uma lição filosófica nessa atividade tão viciante:
Quanto mais alto o nível, de mais XP você precisa pra passar de nível novamente.
Você já resolveu pegar pra aprender algo novo e sentiu que, depois daquele impulso inicial de aprendizado, estagnou?
Geralmente, é nesse ponto que as pessoas abandonam a idéia. É muito desmotivador sentir que você parou de progredir e não consegue mais atravessar a barreira para passar de nível. Mas, se tivéssemos uma contagem de experiência como no RPG, e soubéssemos de quantos precisamos para passar de nível, continuaríamos tentando. E é por isso que continuamos jogando, não é? Se não houvesse aquela barrinha, provavelmente largaríamos o jogo por cansar de matar monstrinho, sem nunca saber que faltavam só 5 XP pro próximo nível.
E, se a mesma quantidade de XP (ou estudo, ou trabalho) fosse necessária pra subir de nível toda vez, seria muito mais fácil; mas, quanto mais alto o seu nível, de mais experiência você precisa pra passar. Isso não é meramente um ajuste de dificuldade do jogo. É algo análogo à própria vida.
O aprendizado é um fenômeno bastante curioso. Já dizia Sócrates (supostamente, ao menos) algo nas linhas de: quanto mais sei, mais vejo que nada sei. Quanto mais estudamos, mais ramificações descobrimos e percebemos que há muito mais para saber do que enxergávamos antes. Aprender é como caminhar em direção ao horizonte; não importa o quanto ou quão rápido avançamos, ele continua se afastando no mesmo ritmo. Sabendo, então, que nunca alcançaremos aquela linha, devemos aprender com o caminho que percorremos, apreciar a paisagem e curtir a jornada.
