Mulheres que eu sou
Sempre me inspirei em mulheres, desde criança e em todos os aspectos. Os estudos falam que a gente começa pela mãe, né? Então. Até que um dia quando eu era adolescente, ela me perguntou o porquê de eu não ter posteres de homens na parede do quarto, eu não respondi, mas hoje posso responder claramente que, os homens já dominam o mundo, eu jamais deixaria que dominassem o meu.
Cresci assim meio sozinha, gostava de ser diferente, ouvia muito a Rita Lee, achava um máximo. Sempre gostei das loucas, das intensas, das românticas incorrigíveis, botava uma Adriana Calcanhotto e ficava extasiada com tanta identificação, e assim foi com várias outras. Daí encontrei Elis Regina, viciei, aprendi as músicas, vi entrevistas, estava obcecada. E assim eu fui me encontrando, naquelas que não tinham medo de sentir e nem falar sobre o que sentiam da maneira que realmente sentiam, sem pudor nenhum.
Quando eu me encontrei com a minha alma de artista, eu precisava de inspirações em todas as áreas, daí chegou Marina Abramović, veio a Björk, a Audrey Hepburn, a Fernanda Young, a Marisa Monte, a Laura Marling, e tantas, tantas, tantas outras…
Eu tenho até hoje fotos de mulheres na parede, pra eu nunca esquecer que se elas conseguiram, eu consigo. Mulheres são isso, me inspiram só por existirem e resistirem no meio artístico. Sem pudor, sem medo de ser quem são. Eu cresço cada vez mais mas apenas porque elas vieram antes de mim, se hoje eu sou, é porque elas foram e ainda são — aqui dentro. Até que eu descubra completamente quem a Larissa é no meio delas.
