Confortável [sic]

Larissa Murcia
Aug 27, 2017 · 2 min read

Aquele banco perto da saída do ônibus deveria ser tombado pelo patrimônio histórico como uma dose de conforto diária para quem usa transporte público, esticar as pernas no avião dá uma revigorada que qualquer ser humano entende o significado da vida. Mas lugares e confortos à parte, isso aí não é nadinha perto do colo da mamãe, do abraço de quem se ama ou até mesmo de uma lembrança infância.

Tenho pensado muito em estar confortável. Até comprei um crocs. Cafona, porém confortável. Sempre procuro produtos “confort” na parte de limpeza do mercado. Já até tentei alinhamento de alguns dos meus chakras, mas eles insistem em estar desalinhados. Então, a minha grande descoberta de conforto e motivo para este texto, não tem nada a ver com espaço e muito menos com pernas relaxadas. Na verdade é bem bobinha, quase sempre tem o Silva cantando Marisa no fundo, eu sozinha, apenas eu e a sensação de estar com quem eu deveria estar.

Odeio cair na zona da autoajuda, apesar de achar que todos os remédios dados com o prefixo “auto” são os mais eficientes. Nenhum conselho, toque ou aviso vale de alguma coisa se a gente não para um minutinho pra pensar por nós mesmos. É como se fosse um estalinho de festa junina que só explode quando -sozinhos- conseguimos cair a ficha. Daí pra frente os estalos são tantos que até o réveillon de Copacabana ficaria com inveja.

Acho que a minha caixa de estalinhos apareceu quando consegui remanejar um rancor guardado e colocar num lugar de paz, quando mudei de opinião e mudei para caraca. Aliás, não sei porque as pessoas abominam tanto mudar de opinião, e insistem em colocar o nosso primeiro pensamento sobre alguma coisa como o verdadeiro. Meu parceirinho, se fosse assim até hoje a humanidade acharia que lugar de mulher é cuidando do lar (por obrigação). Bora tomar um caldo do conforto e ficar com a certeza de que deitar na rede é da hora quando a possibilidade de fincar os pés no chão só depende de você. Parafraseando uma outra aí: Relaxa e goza.

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    Larissa Murcia

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