Um pouquinho de quase

Morno. Muro. Neutro. Três palavrinhas tão sem sal que eu bocejo só de escrever, mas nada disso me causa mais pavor do que: quase. Isso mesmo, aquele por um triz ou por um fio que a gente fica cultivando quando não consegue concluir alguma coisa.

Os lugares que quase fui, as musica que quase escutei, as despedidas que quase tive, as viagens que quase concretizei em algum momento foram vontades que encontraram uma pedra no meio do caminho que nem o Drummond conseguiria prever. Mas o quase que mais me intriga, é o do amor. Aquele mesmo que a gente vai alimentando, constrói como se fosse um bonsai e mesmo assim não dá certo. Por mais que seja um quase, sempre acaba sendo amor. E depois que mergulhamos bem fundo não podemos sequer levar uma conchinha para dizer que estivemos lá. Porque nesse caso, o quase é nada.

Alguém que você quase namorou, não teve nada com você. O cara que você quase casou, não foi seu marido. A separação pela qual você quase quis passar continua sendo uma prisão. Adoro aquela do quem quase vive já morreu. Bora bater com a cara no muro, mas vamos fazer isso na maior entrega.

E depois ficar com essas bordas causa uma reflexão danada do porquê o quase foi a única alternativa, será que foram os momentos que não coincidiram? Ou faltou aquele molho do Big Mac… O quase tortura mais do que barulho de metal com metal.

Tenho rebolado mais do que a Anitta para escapar desse almost, mas o fim das contas, sempre acabo com o quadril dolorido. Não tenho mais paciência para diminuir meus critérios para deixar alguém quase me preencher. E, se de moeda em moeda a gente constrói um castelo, de quase em quase dá uma bagagem para aeroporto nenhum por defeito. Tem lado bom.

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