Segunda-feira sem carne

Estudos no mundo inteiro já chegaram a mesma conclusão: nosso modo de se alimentar está nos matando aos poucos. Seja porque a indústria alimentícia anda de mãos dadas com a indústria farmacêutica, seja porque estamos destruindo o planeta com pasto, a alimentação humana hoje é o maior desastre ecológico que poderia haver.

Como mudar a alimentação é mexer na cultura de um povo, e temos todo um discurso construído em torno da gastronomia e dos afetos que as pessoas geram em relação à comida, essas mudanças são muitas vezes polêmicas.

Para atenuar esse problema, publicitários e ativistas pensaram na ideia da segunda-feira sem carne, um dia da semana para se ser vegetariano e impactar menos no meio ambiente com seus hábitos particulares. Os números são espantosos sobre o quanto se economiza de água, por exemplo, em se manter um dia por semana vegetariano. E claro que muitas pessoas acabam por perceber que ser vegetariano não é tão difícil assim e passam a ser pelos outros 6 dias também… mas esse pequeno gesto já muda bastante coisa.

Se engana quem pensa que nos alimentamos apenas de comida. Além do próprio ar, de prana, os seres humanos se alimentam também de emoções, de ruminar situações, relações, de ingerir sentimentos. E nesses tempos de debatedores furiosos de manchete de Facebook, devemos nos questionar: do que estamos nós alimentando? Eu sei… eu sei… mas se nada for dito, mas não está certo, mas isso e aquilo…

Cultura. É difícil mudar… mas e se tentaremos um dia? Um dia na semana? Terça-feira, por exemplo? Terça será o dia em que trabalharemos para a nossa mente não reagir. Se tenho dificuldades em apenas observar, não vou até o problema (você não iria numa churrascaria na segunda sem carne, não é?), hoje vou evitar redes sociais, grupos de amigos divergentes, conversas em que possa me alimentar de raiva. Nessa terça eu vou viver de paz.

Algumas pessoas se sentem fortes sem carne. Outras se sentem fracas. Isso deve acontecer com os sentimentos também… mas é preciso se observar. Queremos um mundo com menos impacto ambiental e queremos nos alimentar de forma natural. Mas como estamos cuidando da nossa mente? Acho que a diminuição da produção de raiva e ódio podem trazer tantos benefícios que você talvez queira continuar nessa dieta.

E quem sabe sem tanta raiva você comece a reconsiderar seus hábitos. Até mesmo o de comer carne… e quem sabe não conseguimos estender essa paz para os outros dias, para os outros seres? E um dia teremos um mundo em paz. Mas não sejamos miss de concurso de bairro: querer a paz significa comprometer-se com ela. Comece por você.

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