Você pode amar o ex, sem querer ele de volta.

Larissa Henrici
Aug 28, 2017 · 8 min read

E tudo bem!

E tá tudo bem.

Ontem tava fazendo uma lista mental dos meus antigos relacionamentos até que cheguei no meu primeiro namorado — Ops, pera aí quem eu quero enganar? Só tive um relacionamento sério ahahah.

Eu já não me já surpreendo com minhas viagens mentais que vão do Pantone desse ano até, lembrar a capa do cd do kid abelha de anos atrás.Essa começou com uma pasta no pinterest com coletânea de cores, tava nesse mood 80’s 90’s, fazendo pesquisa de moda e acabei aqui. Lembrei das meias que a Paula Toler estava usando numa capa do meu cd favorito do kid abelha, que eu costumava escutar no carro dos meus pais em viagens de família.

esse amarelo que eu tava procurando e ai, resultou nesse texto

Enfim, quando as emoções afloram assim, difícil me conter. É como tirar uma daquelas fitas da cartola de um mágico onde uma está amarrada na outra e não tem mais fim, começo a cantar, a falar sozinha .

Dessa vez lembrei de uma conversa que cortei pelo meio e simulo como poderia ter desenrolado se eu tive pronta para responder todas as perguntas que uma menina me fez

Ai vá o resultado:

Você tem namorado?

Essa pergunta na verdade foi feita por uma menina do Egito de 18 anos, que dividiu o quarto comigo por uma semana em Chennai/India uns meses atrás. Ela me perguntou se eu tinha namorado, por que todos os filmes que ela via, as estrangeiras sempre tinham namorado (fofo e surreal). E lá fui tentar resumir minha história para ela, eu tava bem sem saco para respondê-la na real #foimalz. me limitei a dizer:

-Namorei 7 anos, foi meu primeiro namorado mas eu terminei com ele .

-Você não gostava mais dele? — ela continuou e eu deitada na cama com um livro na mão para me proteger da metralhadora curiosa da adolescente mulçumana diante de sua primeira amiga estrangeira.

-Eu gostava, gosto dele ainda mas não para ser meu namorado. — Ela me olhou com cara de criança que tem que desvendar uma charada. Eu arrependida podia ter encerrado a conversa com um simples ‘ é não gostava mais’.

-Como pode você gostar da pessoa e não querer ficar com ela?

Me limitei a dizer - Não sei te explicar.

Mas agora vou explicar, imaginando tudo que poderia ter dito à ela.

Terminou porque, porque terminou?

Foi quando entendi uma frase que me recusava acreditar quando era adolescente “um relacionamento não dura apenas com amor.” Entendi que o amor é algo que a gente sente, que brota e dura sem pedir nada em troca mas, uma relação à dois é como uma fórmula e, talvez ele seja um dos vários ingredientes.

Lembro de sentir que não estava mais viva no relacionamento, de me sentir sufocada, e de repetir mil vezes que precisava ficar sozinha no desfecho de todas as brigas. Até que foi chegando um momento que as brigas foram ficando mais recheadas de raiva e eu não sabia explicar de onde aquilo vinha, depois foram ficando cheias de comodismo eu já nem queria brigar. Como um filme que você já viu o final, fui deixando para lá sem perceber.

A rotina nos engoliu, as culpas que jogávamos um no outro foram ficando pesadas, o tempo virou peso e não motivo de celebração. Meus olhos não brilhavam mais ao vê-lo. Eu já não tinha mais esperança ao olhar a lista de coisas que eu queria que ele mudasse eu, percebi que ela era tão grande que eu estava forçando ele a ser uma pessoa que ele não era.

Ele dizia que eu não ia encontrar alguém como ele, que era muito especial um amor assim — Exageros do primeiro amor? Não deixava der ser verdade visto que cada um é único. A gente se apegava na nossa história, nas coisas que passamos juntos. Mas essas histórias foram fincando tão no passado que eram só histórias não eram mais nossa realidade.

Quando ele pedia desculpa eu pensava “tanto faz, ele vai fazer de novo, eu sei”. Quando ele falava meus defeitos eu não via razão para mudar. Fomos cedendo, ignorando diferenças, para manter a relação que já não sabíamos o que éramos sem o outro.

Era um relacionamento abusivo?

Sim, era abusivo, era abusivo dos dois lados.

Só tive contato com esse termo depois de já ter terminado e entendi através de depoimentos de outras pessoas sobre várias coisas que aconteceram comigo ( por isso a importância de movimentos feministas e depoimentos públicos de mulheres reais que abrem tantas portas para esse debate). Comecei então ter mais consciência do que era aceitável e o que não era dentro de uma relação e, decidir com mais consciência o que eu queria para mim quando estivesse em uma.

Nossa relação era imatura em diversos aspectos pois era um reflexo das pessoas que éramos, tínhamos a maturidade para diversas situações da vida adulta mas na questão afetiva éramos crianças. Cada um estacionado num certa idade/momento do desenvolvimento pessoal, tínhamos carências e inseguranças sem fim, perigosamente disfarçadas de cuidado, de amor, de atenção.

Ele tinha feridas que eu nunca iria entender, nunca poderia curar e na tentativa de preenchê-lo eu me esvaziava. Eu queria coisas que nem sabia por isso ele não podia me dar, eu queria viver intensamente e não sabia por onde começar.

Sabe gente, existem várias camadas de um relacionamento abusivo, no meu ponto de vista tudo começa ao tentar buscar no outro o que não temos em nós mesmos. E isso cria um vínculo de dependência que é romantizado em novelas, músicas (uma lista aqui, aqui) filmes e muito perigoso, porque parece normal.

Um exemplo de música da mesma banda que falei acima, o kid abelha, tem uma música com um trecho que eu odeio “eu preciso de alguém sem o qual eu passe mal, sem o qual eu não seja de alguém, eu preciso de alguém”.

Eu digo para mim mesma e, digo para quem ler esse texto : Não queira ninguém que precise de você. Queira alguém que não precise de você para nada mas, queira por vontade, estar com você, não uma necessidade.~ eu já escrevi sobre isso aqui, talvez te inspire.

Como lidar com o passado?

Como diz Criolo “As pessoas não são más elas só estão perdidas” — completo: cabe cada um achar seu caminho, não siga ninguém.

Se colocar no lugar do outro, entender o que tem por trás de certas atitudes é o caminho que eu encontro para curar as dores e me resolver. Tento não me vitimizar se algo ruim acontece comigo (claro que não estou falando de violência ou crime tá gente!)

Eu tive que perdoar ele pelas atitudes que ele achava que era amor e não eram. Tive que me perdoar por ter feito o mesmo com ele.

Uma dica para alguém na mesma situação?

Lista de razões : Eu tive que escrever uma lista de razões de porque terminar, tive que lê-la várias vezes quando me senti carente e sozinha para não mandar mensagem (eu não podia ser egoísta de mexer na ferida de alguém só porque a minha estava doendo). Tive que ler quando ele me procurava. Tive que ler quando outros partiram meu coração. Eu tinha que ir até o fim na minha decisão, não por orgulho mas, para ter certeza do caminho que escolhi.

Como saber se uma relação chegou ao fim?

Eu penso que as relações acabam na verdade, antes de terminarem. Quando a gente cria coragem para ver é muitas vezes quando já não tem mas nada ali, resta a decisão porque contra fatos não há argumento — Normalmente a gente começa a fugir do tema.

No meu caso eu via minha relação caminhar para o próximo passo, o casamento, e isso me assustava demais. Eu me imaginava casando mais por seguir o roteiro — Afinal, 7 anos juntos. Eu me via às vezes pensando em como seria, me animava mais com a ideia da festa (alerta!) . Assistia aquele programa Chuva de arroz do Gnt e, chorava com as histórias. Até que entendi que eu chorava por que eu queria sentir tudo que aquelas noivas estavam sentindo em seus discursos, queria entender porque aquele dia era um grande dia. Eu não sentia aquilo, não mais.

Não sentia que ele deveria ser o pais dos meus filhos, apesar de desejar muito que ele pudesse um dia realizar o desejo de ser pai e que seria um ótimo pai.Eu vi as famílias no altar mas não via nossas famílias assim, apesar de gostar de cada pessoas da família dele, só não queria que eles fossem minha família.

Eu tinha um furacão dentro de mim que fazia minha cabeça rodar, escapavam lágrimas sem motivos, e elas nem se escondiam mais dele. Ele sempre era atencioso com elas, me abraçava, me acalmava, ele sempre estava ali, tentando. Eu só não queria viver uma vida de tentativas.

Pensei em terminar tantas vezes antes de ter coragem de fazer de uma vez. Eu sabia que teria que ser como tirar um band-aid de um ferimento, tinha que puxar de uma vez. Eu não me dei o direito de pedir um tempo, esses coisas não funcionavam mais, já estávamos muito tempos juntos e para mim, uma relação tão longa ou você sabe ou você não sabe. Eu não ia deixá-lo de lado esperando enquanto eu tentava me resolver, eu não achava justo, eu não sabia o quanto isso ia demorar, eu não sabia para onde ir depois.

O dia D e depois?

E assim foi o fim, deixei tudo muito claro, tive que ser muito forte em minha decisão, não recuei 1 cm, pois sabia que não teria força para fazer isso duas vezes. Avisei que ia excluir ele de todas as redes sociais por que sabia que ia doer ter qualquer notícias. Me joguei de cabeça no trabalho pois, sabia que de imediato eu só precisa me afastar da dor e quando estivesse mais forte mergulharia fundo nela até resolver todas as emoções dentro de mim.

Eu conhecia ele sabia como ele ficaria e tive a estranha vontade de ajudá-lo a me esquecer, de querer abraça-lo quando ele ficasse perdido, de ajudá-lo com uma lista de razões para me odiar.

Ao invés disso, criei um vácuo gigante entre mim e ele foi o único jeito que encontrei de me proteger e proteger ele de mim.

E hoje?

Hoje após 3 anos ( dizem que esse é o tempo de um luto), passo à limpo aqui o restinho dessa história com esse texto. Depois de ter “mergulhado” fundo em todas as nuances de sentimentos que esse assunto me traz.

Me permiti culpá-lo quando precisava da raiva para me afastar, me permiti não pensar nele para manter a distância, me permiti me interessar por outros caras sem pressão de me apaixonar de novo, desfrutei minha solidão e liberdade, ir para balada e levantar a bandeira para aas amigas “bora todo mundo ficar solteira”, “pega e não se apega”, me permiti ter a fase nunca mais quero saber de homem e só ter compromisso com netflix, me permiti conversar com ele depois de 1 ano quando senti que estava confortável para aparar as arestas, me permiti sentir ciúmes ao stalkear o instagram dele e ver que isso era só posse e orgulho, me permiti não fazer parte do círculo de amizades dele mas ser uma pessoa que ele sabe ( e dizer isso cara a cara ) que pode procurar sempre que precisar, me permiti rever minha decisão e redimensionar meus sentimentos e ter mais certeza do que nunca de que foi lindo e acabou.

Descobri e me permitir amar o ex, sem querer ele de volta.

P.S : Yasmin querida desculpe não ter tido paciência com você e não ter compartilhado minha história.

)

Larissa Henrici

Written by

Sem pretensões. Com mais ideias soltas que lições. Caçadora de cores e palavras, fiz um mochilão de volta ao mundo e não sei bem escrever sobre isso.

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