Tempestade
Se eu tivesse resposta pra todas as incertezas, se tivesse deixado aquele bilhete na mesa, se você falasse a verdade, talvez não estaria aqui escrevendo essa lembrança.
Me lembro de ter batido a porta naquela madrugada chuvosa de terça feira, você não queria me escutar muito bem, só implorou pra entrar, eu cedi e você dormiu bêbado no meu sofá.
Dia seguinte, cheiro de café com a responsabilidade e vergonha do dia seguinte, sem perguntas ou olhares cruzados — tome um banho gelado e ao sair bata a porta mais uma vez — assim aconteceu.
Não te vejo desde outubro, não sei se me perdi ou esqueci de tentar essa história mal resolvida, aliás, não tem o que desenrolar. Nós fomos o que poderíamos ser, talvez não o suficiente e agora não importa mais.
Só peço, da próxima vez bata na porta duas vezes e grite meu nome, assim terei a certeza de não (me) abrir nunca mais.