Amar é como andar de bicicleta.

Larissa Neumann
Aug 31, 2018 · 3 min read

Você nunca esquece

Hoje eu chorei, chorei como uma criança que caiu da bicicleta e agora está tendo que lavar seus ralados, chorei tanto para que as lágrimas pudessem lavar tudo e todos que passaram pela minha vida mas já se foram.

Chorei também pra que houvesse uma enxurrada para levar o que ficou de quem decidiu não ficar. Mas quando se lava com água e sabão uma ferida exposta dói, dói tanto que e alguns momentos acho que não vou suportar. Mas já doeu antes, já lavei antes e sigo aqui como se nunca tivesse caído da bicicleta.

Você pode acreditar que não ha sentido algum em fazer uma analogia de relacionamentos com pedalar, mas se questione, alguém te obrigou a subir nessa bicicleta? Alguém te obrigou a se relacionar?

Nós acreditamos estar prontos então pedalamos. Algumas pedaladas podem durar muito tempo, outras nem tanto. Alguns momentos a bicicleta vai te derrubar outros é você quem vai deixar a bicicleta cair, mas é a gravidade, é o acaso, é um buraco no caminho ou talvez uma pedra, ninguém imagina que vai cair, então não se pode deixar de pedalar. Fico feliz ao lembrar que, tem gente que subiu em sua bicicleta há muito tempo e está pedalando até hoje. Algumas pessoas até conseguem soltar as mãos e sentir o vento batendo em seu rosto, eu nunca tive alguém, ou melhor, uma bicicleta na qual eu confiasse a ponto de soltar minhas mãos.

Mas como meus amigos sempre dizem que sou sedentária e então agora decidi passar um bom tempo sem pedalar e não quero encontrar uma bicicleta louca para ser pedalada, pois em meu último tombo eu nem mesmo havia subido na bicicleta, eu só estava lá, do lado dela, pronta para pedalar, mas outra pessoa quem está pedalando e eu fiquei aqui caída no chão, tentando cuidar de alguns machucados feios demais para quem teve um tombo tão tosco.


Sempre fui o tipo de criança que assistia feliz as aventuras dos amigos, levei anos para então ter a minha primeira bicicleta e quando tive, pouco tempo depois eu fui atropelada. Quando aconteceu eu tinha 7 anos e consegui pular no momento em que o carro estava prestes a bater na bicicleta, bati a cabeça no poste e fiquei inconsciente. Por que agora eu não consegui pular antes de me atingirem? Dessa vez o impacto foi tão grande que eu estou mais destruída que a minha bicicleta da infância que, por incrível que pareça não teve conserto.

Alguns amigos me dizem para ir trazer a bicicleta de volta, pois ela foi roubada de mim e outros dizem que se fosse para estarmos pedalando, então estaríamos, mas nenhum deles me perguntou o que eu acho, ou até mesmo, o que quero fazer. Acho que voltei a ser aquela criança quieta que só assiste às aventuras alheias. Talvez eu deva mesmo me manter sentando no meio-fio gritando para meus amigos soltarem o quindão e curtirem o vento batendo em seu rosto, mas agora eu estou aqui ouvindo minha amiga falar da sua namorada, contar dos planos e de como ela tem sorte, eu fico feliz por ela, muito feliz, e observando ela eu vi que não sei pedalar.


Se você for a próxima biblioteca que surgir em minha vida, por favor tenha rodinhas, pois eu voltei a ser aquela criança insegura.

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