imagem do perfil do rosto de uma mulher, simulando um robô. Grafismos representando redes neurais da inteligência artificial
imagem do perfil do rosto de uma mulher, simulando um robô. Grafismos representando redes neurais da inteligência artificial

4.0: A fábrica dos dados e a inteligência das máquinas

Larissa Pessoa
Nov 7 · 5 min read

A indústria, desde a sua criação, é uma fonte propulsora de mudanças no comportamento na sociedade. As formas de produção e consumo são grandes indicadores de mudanças no relacionamento entre os seres vivos e a natureza. O cenário atual é marcado pela tecnologia como aceleradora de todos os processos políticos, econômicos e sociais, refletindo um novo perfil de consumidor, uma nova moeda de valor (os dados) e uma nova forma de solucionar problemas através da inteligência das máquinas.

Todo esse processo de mudanças começou com a máquina a vapor em meados do século XVIII. A produção manual foi perdendo espaço para a produção mecanizada na Primeira Revolução Industrial, ganhando mais velocidade e escalabilidade. Em seguida, por volta de 1850, veio a eletricidade para mudar a rotina e a forma de trabalho nas cidades. Na Terceira Revolução, em meados do século XX, a chegada dos computadores provocou grandes mudanças que foram marcadas pela eletrônica, telecomunicação e tecnologia da informação.

A relação tempo-espaço fica cada vez menor, aproximando cada vez mais as pessoas, e acelerando a velocidade das informações. Pode-se perceber a evolução cronológica e tecnológica de processos no contexto da comunicação: carta, telegrama, ligação por telefone, e-mail, redes sociais e o que ainda virá, como exemplo tem o sistema de telepresença holográfica.

Hoje, nossa realidade sofre mudanças da forma mais acelerada, até então nunca vista antes, e tendo como grande responsável a convergência entre as tecnologias digitais (internet das coisas, blockchain), físicas (robótica, impressão 3D) e biológicas (manipulação genética).

A Quarta Revolução Industrial, é o ponto inicial para essas transformações na sociedade, que terá o seu mundo real cada vez mais virtual, e sua porta de entrada são os sistemas ciberfísicos.

Os sistemas ciberfísicos são sistemas compostos por elementos computacionais e elementos físicos que interagem de forma colaborativa, onde as operações são monitoradas e controladas por núcleos de comunicação e computação. São sistemas capazes de mudar a relação espaço-tempo que estamos costumados a ver, além de toda nossa forma de viver em sociedade.

Essas transformações fazem parte da Quarta Revolução Industrial ou 4.0, termo criado pelo alemão Klaus Schawb, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial (FEM). A convergência de tecnologias está presente na robótica, inteligência artificial, realidade aumentada, nanotecnologia, impressão 3D, biologia sintética, internet das coisas (IoT) e big data.

As mudanças provocadas pela tecnologia estão aceleradas e criam sensações de que o mundo real e o mundo virtual estão cada vez mais parecidos e interligados. Esse canal de ligação está presente nos sistemas ciberfísicos, que tem como base de informações os bancos de dados.

Estamos conectados o tempo todo e registrando uma infinita quantidade de dados em espaços físicos e digitais. Toda informação inserida na internet, seja nas redes sociais ou em buscas de sites de pesquisa como o Google, contém dados, informações sensíveis ou não, mas que têm um grande valor no mercado atual. Esse valor está relacionado com o novo perfil do consumidor e com as formas de produção da indústria 4.0. As pessoas estão consumindo cada vez mais produtos ligados a “bolha” de interesse das suas redes, do remarketing, de publicidade segmentada para seu perfil, e este cenário mostra uma indústria conectada com essa nova necessidade de mercado.

A internet permite que essa conexão digital dos dados tenha uma grande escala em milésimos de segundos e de forma automatizada através da tecnologia, que tem como uma de suas vertentes a inteligência artificial (IA). A IA é um ramo do conhecimento da ciência da computação que simula a capacidade de raciocínio, percepção e aprendizagem para resolver problemas.

O inglês Alan Turing, matemático e cientista da computação, está como um dos precursores do uso do termo “inteligência artificial”, fazendo várias referências à capacidade de inteligência das máquinas e a formalização do conceito de algoritmo.

As redes neurais da IA simulam o comportamento do cérebro humano, para tomar decisões de forma inteligente, mas ainda não têm o poder da consciência, algo inerente ao ser humano. Todas as decisões das máquinas são guiadas por inputs de comparação de dados e algoritmos que geram outputs de respostas. São comandos gerados pelo homem, para automatizar tarefas em grande escala, velocidade, impacto e precisão, superando a produção humana no mesmo intervalo de tempo. Usada como forma de monitorar e controlar os dados, através do aprendizado profundo de máquinas(deep learning).

As máquinas ganharam um papel de protagonista na história com o conceito de "máquinas inteligentes", capazes de resolver problemas baseados em algoritmos, mas ainda não são capazes de tomar decisões baseadas na consciência.

A robótica e a impressão 3D também são diferenciais na indústria 4.0, responsáveis por mudanças na forma de produção escalável, em novas formas de matéria-prima e mão de obra, além no impacto que essa nova forma de produzir provoca no mercado de trabalho.

Robô andando
Robô andando
https://jameslancett.tumblr.com/

A indústria 4.0 está revolucionando todo o mercado e abrindo espaço para questionamentos sobre a migração de funções de trabalho exercidas por humanos para serem exercidas por robôs. As atividades repetitivas e automáticas estão sendo entregues a robôs, inicialmente junto aos humanos como forma de supervisão, mas que em breve possa ser função das máquinas.

A Quarta Revolução Industrial, será responsável por transformações ainda não mensuráveis, mas algumas situações já se fazem presentes. A ética será um dos temas fundamentais, questionando sobre como fazer uso e gerenciamento dos dados de usuários de forma responsável. Outro fator é o mercado de trabalho, onde muitas funções deixarão de existir e serão automatizadas por robôs, podendo gerar uma maior taxa de desemprego. Dentre todas as mudanças, o comportamento e as habilidades do ser humano estarão sempre em foco. Com o aprendizado das máquinas, o homem precisará rever suas competências de raciocínio, estratégia, empatia, criatividade e tomada de decisões, pois essas habilidades ainda não podem ser aprendidas pelos robôs. A consciência ainda é um grande valor humano e não pode ser esquecido na fábrica de dados.

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