
4.0: A fábrica dos dados e a inteligência das máquinas
A indústria, desde a sua criação, é uma fonte propulsora de mudanças no comportamento na sociedade. As formas de produção e consumo são grandes indicadores de mudanças no relacionamento entre os seres vivos e a natureza. O cenário atual é marcado pela tecnologia como aceleradora de todos os processos políticos, econômicos e sociais, refletindo um novo perfil de consumidor, uma nova moeda de valor (os dados) e uma nova forma de solucionar problemas através da inteligência das máquinas.
Todo esse processo de mudanças começou com a máquina a vapor em meados do século XVIII. A produção manual foi perdendo espaço para a produção mecanizada na Primeira Revolução Industrial, ganhando mais velocidade e escalabilidade. Em seguida, por volta de 1850, veio a eletricidade para mudar a rotina e a forma de trabalho nas cidades. Na Terceira Revolução, em meados do século XX, a chegada dos computadores provocou grandes mudanças que foram marcadas pela eletrônica, telecomunicação e tecnologia da informação.
A relação tempo-espaço fica cada vez menor, aproximando cada vez mais as pessoas, e acelerando a velocidade das informações. Pode-se perceber a evolução cronológica e tecnológica de processos no contexto da comunicação: carta, telegrama, ligação por telefone, e-mail, redes sociais e o que ainda virá, como exemplo tem o sistema de telepresença holográfica.
Hoje, nossa realidade sofre mudanças da forma mais acelerada, até então nunca vista antes, e tendo como grande responsável a convergência entre as tecnologias digitais (internet das coisas, blockchain), físicas (robótica, impressão 3D) e biológicas (manipulação genética).
A Quarta Revolução Industrial, é o ponto inicial para essas transformações na sociedade, que terá o seu mundo real cada vez mais virtual, e sua porta de entrada são os sistemas ciberfísicos.
Os sistemas ciberfísicos são sistemas compostos por elementos computacionais e elementos físicos que interagem de forma colaborativa, onde as operações são monitoradas e controladas por núcleos de comunicação e computação. São sistemas capazes de mudar a relação espaço-tempo que estamos costumados a ver, além de toda nossa forma de viver em sociedade.
Essas transformações fazem parte da Quarta Revolução Industrial ou 4.0, termo criado pelo alemão Klaus Schawb, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial (FEM). A convergência de tecnologias está presente na robótica, inteligência artificial, realidade aumentada, nanotecnologia, impressão 3D, biologia sintética, internet das coisas (IoT) e big data.
As mudanças provocadas pela tecnologia estão aceleradas e criam sensações de que o mundo real e o mundo virtual estão cada vez mais parecidos e interligados. Esse canal de ligação está presente nos sistemas ciberfísicos, que tem como base de informações os bancos de dados.
Estamos conectados o tempo todo e registrando uma infinita quantidade de dados em espaços físicos e digitais. Toda informação inserida na internet, seja nas redes sociais ou em buscas de sites de pesquisa como o Google, contém dados, informações sensíveis ou não, mas que têm um grande valor no mercado atual. Esse valor está relacionado com o novo perfil do consumidor e com as formas de produção da indústria 4.0. As pessoas estão consumindo cada vez mais produtos ligados a “bolha” de interesse das suas redes, do remarketing, de publicidade segmentada para seu perfil, e este cenário mostra uma indústria conectada com essa nova necessidade de mercado.
A internet permite que essa conexão digital dos dados tenha uma grande escala em milésimos de segundos e de forma automatizada através da tecnologia, que tem como uma de suas vertentes a inteligência artificial (IA). A IA é um ramo do conhecimento da ciência da computação que simula a capacidade de raciocínio, percepção e aprendizagem para resolver problemas.
O inglês Alan Turing, matemático e cientista da computação, está como um dos precursores do uso do termo “inteligência artificial”, fazendo várias referências à capacidade de inteligência das máquinas e a formalização do conceito de algoritmo.
As redes neurais da IA simulam o comportamento do cérebro humano, para tomar decisões de forma inteligente, mas ainda não têm o poder da consciência, algo inerente ao ser humano. Todas as decisões das máquinas são guiadas por inputs de comparação de dados e algoritmos que geram outputs de respostas. São comandos gerados pelo homem, para automatizar tarefas em grande escala, velocidade, impacto e precisão, superando a produção humana no mesmo intervalo de tempo. Usada como forma de monitorar e controlar os dados, através do aprendizado profundo de máquinas(deep learning).
As máquinas ganharam um papel de protagonista na história com o conceito de "máquinas inteligentes", capazes de resolver problemas baseados em algoritmos, mas ainda não são capazes de tomar decisões baseadas na consciência.
A robótica e a impressão 3D também são diferenciais na indústria 4.0, responsáveis por mudanças na forma de produção escalável, em novas formas de matéria-prima e mão de obra, além no impacto que essa nova forma de produzir provoca no mercado de trabalho.

A indústria 4.0 está revolucionando todo o mercado e abrindo espaço para questionamentos sobre a migração de funções de trabalho exercidas por humanos para serem exercidas por robôs. As atividades repetitivas e automáticas estão sendo entregues a robôs, inicialmente junto aos humanos como forma de supervisão, mas que em breve possa ser função das máquinas.
A Quarta Revolução Industrial, será responsável por transformações ainda não mensuráveis, mas algumas situações já se fazem presentes. A ética será um dos temas fundamentais, questionando sobre como fazer uso e gerenciamento dos dados de usuários de forma responsável. Outro fator é o mercado de trabalho, onde muitas funções deixarão de existir e serão automatizadas por robôs, podendo gerar uma maior taxa de desemprego. Dentre todas as mudanças, o comportamento e as habilidades do ser humano estarão sempre em foco. Com o aprendizado das máquinas, o homem precisará rever suas competências de raciocínio, estratégia, empatia, criatividade e tomada de decisões, pois essas habilidades ainda não podem ser aprendidas pelos robôs. A consciência ainda é um grande valor humano e não pode ser esquecido na fábrica de dados.
