Enlace

Duas crianças caminham de mãos dadas imitando os adultos a sua frente. 
Elas não sabem o porquê mas sentem uma leve curiosidade com a junção de suas mãos e o calor que lhes é provocado.

Parecia um gesto insignificante, afinal, quantos adultos fazem isso? Mas quando os pais de uma delas pararam de fazer isso foi um sinal terrível. As mãos que antes se juntavam e pareciam formar um coração — o coração de seu filho, como diziam com certa frequência — passaram a fazer gestos obscenos uma a outra.

Decididamente não era um gesto insignificante.
 
Agora eles se olhavam e apertavam forte. Não era só calor pois era difícil se olharem nos olhos enquanto suas palmas estavam coladas. Não queriam separá-las. O garoto tinha medo que se o fizessem o calor logo seria substituído pelo frio que se instaura pela sua casa quando seu pai bate a porta no meio da noite.

A mãe da segunda criança nunca tinha sido vista segurando mãos e essa aparentava ser mais feliz. Seria esse o segredo? Nunca começar? Deveriam ter pensado nisso antes de terem feito. Que ideia estúpida, ora. Agora estavam conectados no que parecia ser o resto de suas vidas pelos laços visíveis de suas mãos e pelos invisíveis; aqueles que mesmo quando os nós de seus dedos se desfazem, ainda conseguem fazer sentir o seu enlaçar em um cantinho morno ao lado esquerdo do peito.

Like what you read? Give Larissa Rodrigues a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.