Fim de linha

As vezes acho que falo demais. Outrora penso que deixo de dizer as coisas essenciais. Os pensamentos se completam parando para pensar. Não me faltam as coisas superficiais e corriqueiras a serem ditas, mas pouco sai de mim as coisas profundas que prendem a minha mente por horas. 
Talvez por saber que certas coisas são impossíveis de serem arquitetadas em palavras, ou por simplesmente me abster de ir mais fundo em certas conversas. Acho que as pessoas não vão querer ouvir. 
Essa semana pensei sobre quantas vezes ao dia nos contradizemos. Logo em seguida pensei quantas pessoas naquele exato momento estavam sendo hipócritas. 128.749.
Pensei, então, sobre a probabilidade de ter dado um chute certeiro. E sobre quantas pessoas estariam fazendo isso nesse exato momento. 251.
Engraçado como a gente consegue se entreter com coisas tão pequenas em uma viagem de ônibus, se nos permitimos. 
No segundo seguinte me vi pensando em conversar com alguém sobre isso — entrar em um dilema. Não foi por preguiça que não o fiz, mas por me sentir só. Isso eu tinha certeza. 
Não é como se no meu telefone não existissem contatos o suficiente para começar conversas existenciais sobre coisas inúteis, mas me vi chutando o número de pessoas que gostariam de conversar comigo naquele exato momento e perder minutos preciosos do seu dia ocupado com algo que não daria futuro — porque estamos sempre focando nas coisas que tapam os buracos da nossa ansiedade sobre o que vem depois.
Ao invés de pegar o celular, apenas senti o vazio tomar conta e a vontade de chegar em casa mais rápido. A sensação perigosa havia voltado, assim como a minha abstinência de palavras e vontade de falar.

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