Estudante de História da Arte, Juliana Brunes juntou sua paixão pela estética com sua relação antiga em escrever diários, criando colagens que dão cara a suas ideias e sentimentos. São imagens & diálogos com cor, forma e conteúdo que saltam os olhos à primeira vista. Por Larissa Xavier

A sessão “o outro” é o espaço destinado a convidades especiais que, além de falarem no podcast da L.C. sobre literatura e seu envolvimento para a escrita em primeira pessoa, tem sua confissão aqui publicada — para seu deleite e porque não, empatia.

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Geminiana, feminista e lésbica, a escritora Nina Maria tem dois livros publicados “A Flor Da Pele” e “Há Nove Luas em Mim”. Como portadora de depressão e da síndrome de borderline, Nina topou se confessar para a Literatura Confessional em nome da literatura que tanto ama e também de sua própria saúde mental.

A sessão “o outro” é o espaço destinado a convidades especiais que, além de falarem no podcast da L.C. sobre literatura e seu envolvimento para a escrita em primeira pessoa, tem sua confissão aqui publicada — para seu deleite e porque não, empatia.

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Vibe textual que me vem à cabeça quando penso em Nina. Por @federica_cancia

Nina Maria se confessando em:

A pele que habito

A pele que habito arde a todo instante, vivo em erupção, sou meu próprio vulcão e eu grito-ardo- explodo várias e várias vezes, silenciosamente. A pele que habito transpassada e decalcada por linhas, sobrevive entre fios prestes a se romperem — fios de uma roupa rasgada-usada-amassada cujo ninguém mais quer. A pele que habito é cheia de linhas, carrega marcas e traumas inexplorados [estou nua, sozinha, numa ilha deserta com meus medos]. A pele que habito não habita em mim, porque às vezes, eu não existo. …


Mulher trans, escritora, taróloga e segunda convidada a se confessar por escrito no Literatura Confessional.

A sessão “o outro” é o espaço destinado a convidades especiais que, além de falarem no podcast da L.C. sobre literatura e seu envolvimento para a escrita em primeira pessoa, tem sua confissão aqui publicada — para seu deleite e porque não, empatia.

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essa imagem ilustra bem o perfil da Meliny :)

Meliny Bevacqua se confessando em:

eu nunca pensei em chegar aqui. vim arrastada. o que me faz perguntar, estou aqui? se sou passado, presente, futuro. estou, né? ou por conta disso, não estou em nenhum lugar? mente incessante. nome-talismã. terra incidente. onde estou aqui falando? agora já posso ir embora. procurar portas por onde sair e portais por onde adentrar. adentrar o que? dentro, fora, no meio. uma mente não consegue sentar para meditar. uma mente é o céu onde o corpo é a terra. eixo crânio-caudal. kundalini. arjuna louco de ácido no meio da batalha. a coluna é uma estrada que sobe até o chão. o céu é um chão onde nunca se pisa. a morte é uma resposta nunca elaborada. não entendo nada das aulas de anatomia e também não entendi nenhuma outra aula, mas entendi muitas outras coisas além-aula em aula. inventei o futuro no canto de um caderno abandonado. minha mente tem duas mãos e dois pés, mas perdeu seu corpo. já menti. o passado é uma cidade que eu nunca vou voltar. tentei escrever algo diferente e errei. quanto medo de uma gaveta, pavor de convites dos céus e de corredores cilíndricos estreitos e profundos. mas nada psicanalítico. mais nada. e o pior dos medos a morte. 2000 e pouco e um amigo criança me convidou para saltar num pêndulo. 40 metros de queda livre. ainda estou a cair. quero continuar errando. desespero blasé. drama cotidiário. nudez e chão. impossível saber do que se fala quando se escuta. já tive 13 nomes e morei em um ponto de ônibus. quanta besteira resulta de um tempo onde não pude viver. mania de romantizar a dor. dificuldade em falar nas relações que ficaram para trás. e crença que tem coisa que não se deve colocar a mão. criança espantada com histórias egípcias. dificuldade em encarar mais de uma página. sou mãe de um planeta, filhe que me ensina a estar viva, um presente. meu presente é um sonho. tenho uma filha que quase não tenho contato. e hoje está tudo bem. fui invadida. uma cobra mora na minha cabeça. tentei ser cética e nada me permite. tenho muita ansiedade com a caixa de entrada. muitos anos condensados num pedaço desdobrado de memória. sou mulher, deitada na cama antes de dormir sempre pensando em sonhar. sou amor em todo o corpo e tenho um grande amor na minha vida. divido cama. sou realmente romântica e sempre luto contra as doenças do romantismo. hoje sou muito que achei que nunca seria. sou inclusive quem eu já odiei. e sinto que não sei contar aquilo que queria. nem falar sobre os arrependimentos que transmutei. …


Para além de uma leitura despretensiosa, o livro “Pessoas Normais”, de Sally Rooney, é um deleitável ponto de partida para enlaçar as “normalidades” do amor na ficção e na vida real. Por Larissa Xavier

Dentre tanto que fascina na literatura, uma delas está o poder que alguns escritores têm em capturar experiências amorosas e as desmembrarem em quantas páginas, diálogos, parágrafos, e capítulos forem necessários. Assim, certas obras passam a resultar em deliciosos romances que são consumidos como refeição ansiada na mesa de pessoas comuns.

Por outro lado, quando se pensa no sucesso de um livro, a métrica usada para tal não é somente validada por quem o concebeu, ou seja, o autor, mas, sim, se depois de lê-lo o leitor é rendido e se sente imediatamente compelido a passá-lo adiante. De mão em mão, de boca em boca. Foi exatamente o que aconteceu com o fenômeno literário “Pessoas Normais” (Normal People). Escrito pela irlandesa Sally Rooney, a obra também teve adaptação para TV (aliás co-escrita pela própria autora) e foi disponibilizada no formato de séries pela plataforma de streaming Hulu. …


A primeira convidada a se “confessar”e falar de literatura no divã do Literatura Confessional

Uma das maiores qualidades da Literatura, como arte, é a possibilidade de conectar corações partidos, almas perdidas, corpos imcompreendidos, talvez nunca vistos antes; através das palavras. De transformar sentimentos que pareciam isolados, em vejam só, corriqueiros.

Quando eu ainda estava concebendo este projeto, algo que sempre quis desde o início era que ele tivesse, claro, muito de mim, mas também que ele tivesse muito do outro, consequentemente tendo muito de nós todxs. Afinal, “eu sou eu e eu sou o outro também”. O que nos une e o que nos separa é exatamente as vulnerabilidades e as potências de cada um. …


A história do filme brasileiro “Elena”, escrito, vivido e contado pela irmã e diretora, Petra Costa, traz um misto da busca artística-espiritual na tentativa de ressignificar a dor, a arte, e a complexidade que é existir; algo que também deveríamos fazer com nossas próprias vidas, de um jeito, ou de outro. Por Larissa Xavier

Se tem um material que tenho paixão, é o papel, este em que as pessoas podem transformar suas ideias em algo ali concretizado; seja em estrutura, palavra, ou imagem, e, que depois, qualquer um pode ter o prazer de tocar, de folhear, de abraçar.

Infelizmente, não me lembro quando ou como, mas em meio à milhares de flyers, cadernos, cartões postais, e marcadores que guardei/guardo, me recordo de ter um, em especial, por muito tempo. Nele havia uma mulher afundando em água verde-esmeralda escuro. Ela vestia um vestido com algumas flores estampadas, de tecido leve que poderia ser algodão ou chiffon; tinha ares daqueles antiguinhos. No topo do cartão estava impresso o título devidamente destacado — ou um nome que vai ser sempre próprio no fim das contas — Elena. …


A série “#BaseadoEmMemóriasReais” resgata um momento passado (e nem tão passado assim) e o transforma em uma narrativa espacial, cotidiana, por vezes bem-humorada, romantizada e, por que não, exagerada até demais.

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Por kuuso

Foi logo após eu decidir escovar os dentes. Poucos minutos após o almoço quase sempre me deixa, geralmente, ou com gosto de quero mais pela comida engolida (literalmente), logo, não muito bem degustada, ou pela agonia que pressiona para que eu vá refrescar minha boca de verão; para assim, prosseguir para o turno da tarde com paz no coração.

Como dizia, escovava os dentes e minha cabeça que, diferente de mim, nunca faz horário de almoço — portanto, cumpre sua jornada semanal 24/7 — estava, como de costume, em plena forma fazendo o seu trabalho: pensando, resgatando ou criando novos pensamentos na velocidade da luz. Foi numa dessas que fui iscada pela tal da “memória viva”, que é quando uma lembrança vem tão forte que te transporta novamente para o momento ocorrido em que ela se passou. Geralmente ela dura minutos, mas que são sentidos como a eternidade, esta que nunca tenho certeza se de fato podemos senti-la ou não. Pois bem, surdina é uma das características que marca esse tipo de memória, e como tal, ela vez em sempre passa pra dar um check in na minha mente. …


De livros, de rótulos, de conversas de boteco {…} a todos que se dispõem a fazer da palavra seu começo, meio e fim. Vida longa aos que escrevem!

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Photo by Debby Hudson on Unsplash

Desde criança, eu sempre achei que havia algo nobre e misterioso sobre escrever; sobre as pessoas que faziam isso muito bem, que pudessem criar novos ou revelar existentes universos como se fossem deuses ou feiticeiros. Donos de si mesmo e de seu próprio mundo.

Desde criança, eu sempre senti que havia algo mágico em pessoas que pudessem entrar na mente e na pele de outras pessoas, que pudessem gerar delas mesmas pessoas como eu, como você; ou ainda, que inventassem algumas totalmente novas via papel. …


…uma espécie de relato amoroso por livros & pessoas; histórias. O que no fim é totalmente plausível. E por que não seria? Por Larissa Xavier

Certamente eu já devia ter passado por ele várias vezes na vida. Poderíamos ter nos esbarrado numa livraria qualquer do centro ou muito provavelmente na da Cultura, que fica na Avenida Paulista, um dos lugares em que eu mais gostava de me perder no meio de tantas prateleiras.

Certamente ele poderia ter chegado às minhas mãos no espaço-tempo de 2008, quando foi publicado no Brasil, mas provavelmente eu não estivesse preparada para as lições de vida, e, porque não, literárias que ele viria a me ensinar. …


Quando se compartilha pensamentos, memórias, desejos, reclamações, caprichos – ou ainda medos, incertezas e confusões – mãos se cumprimentam e mentes se conectam, ainda que em nosso imaginário. Por Larissa Xavier

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Annie Spratt on Unsplash

Todas as formas de escrita são válidas sejam elas romances, dissertações, manuais, ou textão no Instagram. É colocando em palavras que a humanidade tem conseguido se expressar e, principalmente, criar vínculos.

Acredito piamente que escrever e qualquer outra forma artística liberta o que nossa alma aprisiona no decorrer de nossas vidas. Ela, ao mesmo tempo, é uma válvula de escape, um esconderijo, um refúgio, onde o escritor se sente salvo, vivo. Ou ainda em um flash, ela é a luz que traz a ressurreição aos que, por ventura, estiveram mortos de alguma maneira. Escrever em primeira pessoa, por outro lado, não somente desvenda a interioridade do autor na intenção de criar um vínculo exterior, como também, o ajuda a manter uma relação consigo mesmo quase que como uma terapia, onde ele é o terapeuta e o terapiado. …

About

Larissa Xavier

Frequentemente escrevo sobre mim, o outro; nós. E, sempre que possível, mistura astrologia nessa soma aí. Siga meus devaneios no @literaturaconfessional

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