Sobre crescer

Quando se tem 15 costumamos pensar que já somos maduros o suficiente para tomar decisões adultas, mas só quando é necessário tomar decisões realmente adultas percebemos que no fundo, mas não tão fundo assim, ainda temos 15 anos independente da idade. Então nós vamos tomando decisões, vamos abnegando coisas, vamos abandonando pessoas e pessoas vão nos abandonando, a vida vai mudando… E ainda é um choque quando notamos esse estado de metamorfose inevitável.
Eu acho que isso faz parte de crescer e amadurecer de verdade: perceber que algumas das atividades que você costumava fazer devem ficar para trás, então você simplesmente vai aos poucos deixando de fazer coisas e ir à lugares que antes gostava porque agora estas coisas e lugares não são mais saudáveis e úteis como eram antes, tudo isso com a intenção de ter tempo para outras atividades mais importantes que vão surgindo junto das responsabilidades e da maturidade de crescer.
Certas paixões, costumes, opiniões e manias vão morrendo para dar espaço a outras, talvez isso cure ou machuque… Algumas dessas coisas vão automaticamente perdendo a graça e sem muito esforço nos afastamos delas. Vai chegar um momento em que você olhará para trás depois de muitas mudanças e admitirá que aquelas coisas não têm mais espaço na sua vida, apesar da saudade. É nesse momento que você percebe que cresceu, mas vai de cada um decidir se gostou ou não de crescer. Eu não sei se gostei.
Escrevi este texto da minha perspectiva: 18 anos, iniciando a vida de jovem adulto na universidade, deixando algumas coisas pra lá, amigos do ensino médio que jurei que seriam para vida toda me abandonando etc. Mas acho que serve para qualquer fase de amadurecimento da vida, exceto pelo peso emocional que vai aumentando a cada fase. Por incrível que pareça, a maturidade não atinge nossos sentimentos como atinge as outras áreas da nossa vida e percebemos que no fundo, mas não tão fundo assim, ainda somos adolescentes chorões de 15 anos de idade.