O peso da existência já é maior que a coerência em minhas palavras, dói ao dormir, dói ao acordar

Sem você tudo parece ser mais difícil de lidar, é como perder meu braço esquerdo sendo canhota

Vivo encarando a solidão sem ter com quem esbravejar quando sinto raiva e também sem ter com quem sorrir quando graça eu achar

Não aprendi a criar laços, passei tempo demais tentando desatar o nosso

Meu corpo segue vivo mas minha alma morta, minhas emoções congeladas e quase inexistentes vagueiam a cidade na esperança de te encontrar

O corpo pesa, peso esse que não sentia desde a partida de alguém que muito amei, antes de ti

A cabeça estremece, bagunçada feito uma pilha de roupas sujas no canto do quarto, mas não quero quebrar o acordo que fiz sobre não te procurar

Te acho em outros gestos, lembro do toque e das marcas que fez sob meu corpo, deixou vermelho o meu ombro na última vez que nos amamos

Dói lembrar

Choro de saudades, e choro de novo e de novo

Pensar que já distribui o meu amor, amor esse que pensei ser só meu, amor que era nosso

Quero correr pros teus braços de novo mas sei que sou um peso, um fardo bonito e sensual demais pra você rejeitar quando se depara

As promessas que me fez fará também à outros corpos, e em breve serei só uma memória de um tempo que já não existe mais.