Tá tudo bem sair sozinha se você namora, ok?

Muito se fala sobre a independência financeira feminina nas últimas décadas, mas ouço pouco sobre independência emocional. O que deveria ser pauta de mais diálogos e textões, já que é um dos princípios pra não vivermos uma relação abusiva.

Eu vivo cercada por mulheres independentes e teoricamente empoderadas, todas as minhas amigas (sem exceção) se desdobram, fazem mil coisas ao mesmo tempo e ganham seu próprio dinheiro. Louco que 80% delas viveram a pouco tempo ou ainda vivem uma relação em que são/eram totalmente dependentes emocionante de seus respectivos parceiros e parceiras (sim, mulheres também são abusivas) a ponto de não saírem sem eles.

É difícil distinguir amor de apego, ainda mais quando a gente tá vulnerável e carente, em tempos do looping infinito de matchs quando aparece alguém disposto a dividir as angustias e dar afeto é quase impossível dizer não. Os 90’s kids se apegam mesmo, ouvi dizer que até mais que nos tempos de juventude dos nossos pais.

Seja pelo sentimento de posse em que a monogamia foi construída, ou pelo ego que infla por ter alguém aos seus pés, eu vejo gente abdicando de viver sua própria vida pra viver a do parceiro. É legal dividir momentos, fazer planos, construir um futuro com uma outra pessoa, o que não podemos é viver em função do outro!
“É que hoje eu não posso sair, fulano não vai poder ir.”

Na frase o sujeito Fulano é o namorado da sua amiga, quem nunca ouviu essa?

Quem nunca deu rolê com aquele casal em que a turma só é amiga de um deles mas só saem se o outro for?

Pode soar até arrogante da minha parte mas QUALÉ A PORRA DO PROBLEMA DE SAIR SEM O NAMORADO? Ou fazer qualquer coisa que não o envolva? Por que a gente se priva de tomar uma cervejinha com as amigas, cantar total eclipse of the heart no karaokê ou só jogar conversa fora?

A individualidade feminina nunca foi normalizada como a masculina, os homens sempre puderam comparecer ao sagrado futebol de quarta com os amigos. É normal os caras se reunirem pra ver um show da banda que gostam ou só falar de bunda bonita, mas cadê a gente? Onde começa a sua vida e termina a do perceiro? O que você gosta de fazer quando tá sozinha?

Esse textinho tá cheio de perguntas pra você se perguntar mesmo, e você? Por onde anda as suas vontades?

Minhas amigas de longa data que namoram eu só vejo esporadicamente. Nem é incompatibilidade de agendas, é desculpa esfarrapada o nome.

Se anular em função de outro homem é o tipo de coisa que vi minha vó fazer, minha mãe fazer, minhas tias…eu jurava que nunca faria, mas já fiz também. Só não quero fazer de novo.

No fim das contas nós sempre somos as loucas que sufocam os pobres coitados por que queremos passeios românticos num final de semana, mas ninguém liga se somos sufocadas por não termos o nosso próprio momento. Cuide de você, não só de uma relação.

Vale lembrar que dependência emocional vai muito além de não sair sozinha, mas se eu prolongar o papo fica extenso demais. Essa é só a pontinha do iceberg, onde começa o problema.

Mas o pior é o fim.

Quem viveu algum relacionamento longo sabe como é doloroso recomeçar sozinha depois do término, nas primeiras semanas a sensação é de uma queda de um penhasco mesmo. A gente já não sabe mais quem é, a imersão na vida do cara na maioria das vezes faz você esquecer de si mesma. Cê já nem lembrava mais como é dormir sozinha. Sei que é foda.

Mas se a gente levar as relações com um pouquinho mais de leveza talvez os processos não se tornem tão dolorosos, sabe? Saia mais com as amigas, não lembre delas só quando levar um pé na bunda! Tenha um tempo pra fazer o que VOCÊ gosta de fazer.

Beba bastante água e feliz 2018 ☺