A Era do Consumo Consciente
O consumo desenfreado se tornou costume nas últimas décadas, comprar e “ter” para muitos ganhou status e autoafirmação. Esse modo de vida está mudando, as pessoas estão buscando mais sentido para as coisas, estão procurando se auto conhecer, entender melhor suas necessidades e, principalmente, estão pensando no planeta como um todo — isso está refletindo no consumo da sociedade, e o Brasil não está ficando para atrás desse movimento.

Toda a humanidade já consome cerca de 25% a mais de recursos naturais do que a terra é capaz de repor. A superpopulação é a grande culpada disso, mas o consumo exagerado de boa parte das pessoas ajuda a piorar esse percentual. Esse panorama gera grande problemas para o planeta, como a falta de água potável, o desmatamento exacerbado, a poluição e a desigualdade social. O consumo mundial deve ser repensado imediatamente por todos os indivíduos e por todos os setores da indústria.

As indústrias mais poluentes e de maior consumo de água do mundo são a do Petróleo, a de Alimentos e a da Moda. Sendo assim, a compra de produtos oriundos dessas indústrias demanda ainda mais atenção e informação.
Sobre a indústria do petróleo sabemos que a sua extração nos oceanos acarreta enormes problemas ambientais com os graves vazamentos de petróleo dos oceanos — gerando impacto aos animais marinhos, às aves e para toda a população que depende do mar. Temos que diminuir a nossa necessidade de veículos próprios — ganhando, em consequência, a redução do consumo de petróleo e a queima de combustíveis fósseis. O transporte público, as bicicletas e os meios alternativos de transporte estão ganhando cada vez mais importância nas grandes cidades.

A respeito da indústria de alimentos, poucos sabem sobre o seu alto índice de poluição. Ela é a grande responsável pelo desmatamento global, onde são abertos grandes pastos para a criação de gado e outros animais fornecedores de carne, leite e derivados.
Para piorar todo esse cenário, os gases emitidos por esses animais poluem mais do que a queima de combustíveis fósseis dos carros. Para imaginar o grande impacto que isso causa no mundo devemos levar em consideração que: anualmente, cerca de 70 bilhões de animais são abatidos na terra; que metade de toda produção de grãos do mundo é destinada à esses animais; que 70% de todo consumo de água doce do planeta é usado na agropecuária; que para se produzir 1 kg de carne bovina, são necessários 15.500L de água e que, em contrapartida, para se produzir 1 kg de batata são necessários 800L.

Percebemos, então, a grande importância da redução do consumo de carne em toda a população global. E, claro, não podemos deixar de lado o grande problema do desperdício de alimentos e a enorme quantidade de lixo que gera a indústria alimentícia.
Em paralelo, a indústria da moda também gera graves efeitos ao meio ambiente. Para entendermos as dimensões desse impacto se tem que, para produzir uma calça jeans é usado cerca de 3.480 litros de água (53 chuveiradas de 7 minutos); que de 17 a 20% da poluição da água industrial vem do tingimento e tratamento têxtil; que um número estimado de 8.000 produtos químicos sintéticos são usados em todo o mundo para transformar matérias-primas em produtos têxteis, e que a grande maioria desses resíduos são liberados em fontes de água doce. Isso, sem contar nas toneladas de roupas descartas nos lixões todos os dias.
Além de todo esse problema ambiental a indústria da moda causa problemas sociais, como o trabalho escravo e a exploração da mão-de-obra — o que se agrava com o tipo de produção levado pelas grandes empresas fast-fashion.
Sendo assim, chegou o momento de pensar sobre o nosso consumo de moda por meio de uma perspectiva diferente, com um olhar sensível para as pessoas que estão por trás dessa indústria e para o impacto ambiental que ela traz ao planeta. Doar e trocar roupas ganhou um novo sentido.

Chegamos à era do consumo consciente. As marcas, os designers, os empresários e a publicidade já perceberam isso — estão usando cada vez mais da criatividade não apenas para vender, mas também para conscientizar e trazer produtos mais saudáveis aos consumidores. Segundo pesquisa da consultoria Price, 95% dos brasileiros preferem empresas que defendem o desenvolvimento sustentável e que têm ações transformadoras para a sociedade. Ou seja, está caindo a velha ideia de que, no Brasil, as pessoas só querem preço baixo e que não ligam para a sustentabilidade ou para a sociedade. Estamos caminhando para o fim desta cultura antiga de produção em massa e do consumo excessivo. O novo habito é: antes de consumir, pensar.