Moda sem gênero — muito além da tendência

Classificar moda por masculina e feminina sempre foi costumeiro. Hoje, as coisas mudaram. A moda sem gênero chegou para ficar.
Lojas específicas para mulheres, lojas específicas para homens. Lojas dividas em seções, moda feminina e moda masculina, taxando as regras da moda binária. Tudo isso não nos deixa enxergar direito o quanto a moda está direcionando nossos olhos e nossos pensamentos em relação ao gênero. A democratização da moda, a expansão da moda não-binária — esse é propósito.
Vários termos são utilizados para a moda sem gênero, tais como: unissex, plurissex, genderless, gender-bender, agender. Independente de rótulos esse conceito cada dia ganha mais espaço na moda, tanto a internacional, quanto a nacional — se aplicando a roupas e acessórios, como sapatos, bolsas e jóias.
Moda unissex é um conceito que não foi criado agora. A estilista Coco Chanel, nos anos 20, com toda a sua genialidade e sua repulsa por roupas femininas vulgares, buscou para o guarda-roupas das mulheres peças das vestimentas masculinas. Itens como a calça pantalona, camisas e suspensórios. Além da introdução desses itens no mundo feminino, a visão das pessoas sobre moda começou a mudar ali. Elementos foram sendo modificados, a moda masculina se tornando mais fluida e, consequentemente, a moda feminina mais confortável e preocupada com o recorte das peças. Por exemplo, os chapéus das mulheres, tão voluptuosos e coloridos na época, foram ganhando as características dos chapéus masculinos, tons sóbrios e formatos menores. Já as roupas femininas herdaram inspirações de uniformes masculinos, como os da marinha francesa.

Na foto, Jaden Smith (filho de Will Smith) aparece na nova campanha da marca Louis Vuitton, com roupas conhecidas como “femininas”. O tema ganhou seu auge e gerou discussões. Jaden é um garoto que não liga para normas de gênero e é hetero, ao contrário do que muitos falaram. Ele provou que a sexualidade da pessoa nem sempre é questão. Nas redes sociais ele afirmou: “eu não visto roupas de mulher, eu visto roupas”.
Adentrando no Brasil e na moda mais consciente, encontrei marcas como a carioca Beira (foto/campanha), encabeçada pela estilista Lívia Campos, que produz roupas unissex, preocupada com a forma e o toque, e despreocupada com os paradigmas de gênero. A Beira é conhecida por seus tons sóbrios e detalhes internos, como bolsos e fendas.

Várias outras marcas podem não ter coleções totalmente genderless, mas oferecem esse tipo de peças. É o caso da Maria Nuvem (primeira foto), uma marca paulista das estilistas Natália Lessa e Renata Rosa, que encaixa em suas coleções peças lindas, que podem ser usadas por homens e mulheres, com tecidos leves e estampados. Deixando claro que a maneira de usar é o que conta — a peça sem gênero é versátil e única.
Tudo isso não quer dizer que temos que ignorar todo o conhecimento da moda em modelagem dos corpos femininos e masculinos — a moda pode sim valorizar o corpo. Mas quer dizer que a moda vai além disso, quer dizer que nela há espaço para o plurissex, e que isso deve ser cada vez mais usado e aceitado por todos nós, livrando o mundo de regras binárias e de preconceitos de gênero. Uma vez que roupa é feita para vestir, e não para definir o sexo das pessoas. Rumo a democratização da moda.