Os dez motivos do porquê não compro mais de Fast-Fashion

(Um tapa da cara do Fast-Fashion)

O Fast-Fashion é utilizado pelos grandes magazines para a produção rápida e contínua de novas peças de roupas e acessórios de moda. Um processo que gera grande aumento no faturamento dessas empresas. Mas, como isso afeta o nosso cotidiano, nosso consumo e o nosso mundo?

Saiba porque aboli o consumo em Fast-Fashion.

1. Impacto ambiental

A indústria da moda é uma das maiores poluidoras do mundo, causadora de sérios problemas de contaminação ambiental. Esse impacto existe desde a fase do cultivo das matérias-primas até a fase final de consumo: o descarte.

São aplicadas uma quantidade enorme de resíduos tóxicos de pesticidas e fertilizantes artificiais para o cultivo da matéria prima dos tecidos, como, por exemplo, para a preservação do algodão. Se tratam de agrotóxicos que poluem o ambiente (danificam o solo e geram gases tóxicos) e causam efeitos endócrinos e neurológicos em quem é exposto e usa aquele produto. O Endossulfan, um dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil, foi proibido por lei nos países da Europa, mas continua sendo amplamente utilizado aqui e na China.

Na fase de produção industrial, a lavagem e o tingimento são os principais poluidores, devido à grande variedade de fibras, corantes artificiais, metais pesados e substâncias como o amido, iodo, proteínas e gordura — além da temperatura elevada e pH dos banhos altamente poluidores. Esse processo demanda enorme quantidade de energia e milhares litros de água, que geram água residual contaminada. Essa água tóxica é despejada, poluindo os rios.

Um dos processos mais poluentes na indústria da moda está na fabricação do couro de origem animal. Quando você compra uma peça de couro provavelmente não sabe o que está por trás da sua produção. Além da sacrificação terrível desses bichos e o grave problema de sustentabilidade que a criação em massa desses animais causa ao planeta, o couro, para chegar no estado que você encontra para comprá-lo, passa por um conjunto de procedimentos chamados de curtimento. Como se pode imaginar, o processo de transformação da pele desses bichinhos em matéria-prima para sapatos, bolsas, roupas e outros acessórios, é agressivo e requer uma quantidade enorme de produtos químicos, altamente tóxicos.

O descarte das roupas é o último poluente no processo de consumo desses produtos. Todos os anos são descartadas milhares de toneladas de peças de roupas nos lixões e aterros sanitários de todo o mundo. O Fast-Fashion é um dos grandes culpados de tudo isso — nos próximos itens entenderá melhor o porquê.

2. Qualidade

O processo de confecção de roupas em larga escala, de forma rápida e contínua, produz com qualidade inferior àquele produzido em baixa escala. Os profissionais da moda que fabricam roupas em quantidades menores têm muito mais intimidade com as peças que trabalham, de modo que dedicam a elas mais tempo e carinho.

É costume encontrar peças compradas em Fast- Fashion que mudam de tamanho ou de cor na primeira lavagem, que descosturam rápido, rasguem ou soltem bolinhas. Reclamar? Só com ajuda divina — o cliente é apenas um dentre milhares, você não será devidamente ouvido. Ás vezes, o cliente chega a ter que recorrer ao Juizado de Pequenas Causas, o que muitos não fazem, tendo em vista que as peças têm o valor muito baixo e não vale o desgaste necessário para acessar o Judiciário.

3. Trabalho escravo e Exploração de Mão de Obra

Existem inúmeras comprovações e denúncias de utilização de trabalho escravo na indústria da moda do Fast-Fashion em várias partes do mundo — principalmente na China e Índia — mas, também, no Brasil. Casos descobertos em empresas como a Zara, Luigi Bertolli, Renner e M.Officer.

Um dos motivos pelos quais as pessoas compram em Fast-Fashion é o preço. É certo que quando você compra uma peça de um valor muito baixo, alguém está pagando por você — seja por exploração da mão de obra ou pelo trabalho escravo. Sendo assim, o custo moral que você carrega nas costas não vale a pena!

4. Substâncias Tóxicas

Quando você usa roupas compradas em Fast-Fashion, está se expondo a dezenas de substâncias tóxicas e cancerígenas.

O Greenpeace Internacional, em uma campanha chamada Detox, fez uma pesquisa intitulada “Os fios tóxicos — o grande remendo da indústria da moda”, que aponta a existência de substâncias usadas na produção de roupas por Fast-Fashion que alteram a atividade hormonal das pessoas, além de agentes cancerígenos. Foram analisadas 141 peças compradas em 29 países durante o mês de abril de 2012. Foram 20 marcas analisadas e todas tiveram resultado positivo em pelo menos um dos itens. Os maiores índices foram encontrados nas roupas da Zara. Dentre as outras avaliadas estavam peças da C&A, Levi’s, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Diesel, GAP e Victoria’s Secret.

5. Instiga o Consumismo

Os preços muito baixos trazem uma enorme descartabilidade às roupas compradas em Fast-Fashion. Quanto mais você compra, mais você quer. O primeiro motivo é duração dessas roupas, que estragam com rapidez. O segundo é que assim que lançar a próxima coleção, você não irá querer usar mais as peças da coleção passada. Dessa forma, você acha que está gastando pouco, mas com a quantidade de roupas que compra ao longo do tempo, está gastando muito mais!

É necessário destacar também que o ambiente de uma loja Fast-Fashion e os próprios shoppings te instigam a comprar mais. Tudo é feito para você se sentir em uma vida perfeita, em harmonia: a impecável padronização de lojas, o clima agradável do ar-condicionado, a quantidade de seguranças vagando pelos corredores, os lugares de recreação para deixar as crianças, o conforto, o fácil acesso de carro, a organização dos produtos, etc. Você é inconscientemente enganado o tempo todo. Você já ouviu falar de alguém que morreu dentro de um shopping? Possivelmente não — eles não deixariam perder o encanto. Tudo é devidamente organizado para você não querer sair dali consumindo pouco.

6. Valorizar a moda independente

Temos que valorizar o artesão, o novo designer, o atelier e as pequenas empresas. O consumo consciente e a economia solidária são o caminho. Hoje com o fácil acesso à internet não é difícil descobrir onde e como encontrar esses produtos. Esses designers (sempre incluindo o artesão) possuem conceitos mais humanos e ecológicos. Os danos causados ao meio ambiente nesse tipo de produção são mínimos, e nem se comparam ao estrago feito pelas Fast-Fashion. Temos que valorizar o handmade, o feito no Brasil e, se vier de fora, que seja consciente.

Como já dito, as peças produzidas em pequena escala são objetos de mais cuidado e carinho. Quando você compra uma peça dessas pequenas marcas, você compra com ela uma história.

7. Exclusividade

Muito ao contrário do que ocorre quando você compra peças no Fast-Fashion, quando você compra algo de uma pequena empresa ou de um artesão, aquilo é exclusivo. Dificilmente irá encontrar alguém como a mesma peça andando por aí. E, se encontrar, que sorte! Converse com essa pessoa, porque ela é bacana!

Sentir-se diferente da modinha usada pelos demais, isso é muito bom. Você pensa, tem seus conceitos, seu próprio gosto e estilo.

8. Reutilização e Reciclagem

Fast-Fashion não reutiliza, muito menos recicla.

Se você quer uma roupa nova, existem várias marcas e designers que trabalham com a reciclagem no seu processo de fabricação. Reutilizam materiais, tecidos, água, corantes, inclusive resíduos fabricados por outros tipos de indústrias… o upcycling é necessário e muito interessante! Levante a bandeira da sustentabilidade.

Uma outra coisa legal é a compra e venda em brechós. Você ali, ao invés de comprar algo novo, compra uma peça de segunda mão, aquela quase nova de alguém que não a quis mais. Bom também para vender lá algumas roupinhas que estão acumulando no seu guarda-roupas sem uso: ganha uma graninha e evita o desperdício.

Outro caminho é a troca de roupas. Algo ainda não muito utilizado no Brasil, mas muito utilizado no exterior. Temos aqui o hábito de trocar roupas apenas com amigos e familiares. Já nas gringas existem várias feiras de trocas de peças de roupas (e outros produtos). A ideia é ótima e tem que ser mais utilizada aqui por nossas bandas!

Claro que a troca e venda de roupas usadas são para aquelas peças seminovas. Quando você for dar aquela “limpada” no guarda-roupas, separe sempre as peças para doação — essas também devem ser doadas conscientemente, sabendo para quem ou onde estão indo. Procure pessoas que realmente farão proveito das peças, seja através de conhecidos, ou de instituições com projetos sociais. A doação responsável é importante para garantir mais tempo de vida às peças, evitando que elas sejam descartadas cedo e de forma inadequada.

9. Estilo

As marcas que trabalham em pequena escala são extremamente criativas. São designers engajados e que pensam no consumidor, ligados à diversidade cultural, aos acontecimentos e a tecnologia.

Fugindo do Fast-Fashion você consegue entender melhor o seu estilo próprio, independente de qual seja. Daí você compreende que a moda do Fast-Fashion é a moda da mesmice, a “modinha”, aquela de produtos sem conteúdo e de um consumo inconsciente.

10. Versatilidade e Moda Atemporal

Tudo comprado em Fast-Fashion é passageiro. A moda passa e a peça acaba.

As roupas produzidas por esses novos designers e pequenas empresas são atemporais. São aquelas peças chaves, versáteis, que são realmente boas de se ter no guarda-roupas, que se encaixam perfeitamente em qualquer contexto.

Quando o consumo é consciente, você o substitui por autoestima — como já dizia as meninas da Oficina de Estilo. Quando você tem um guarda-roupas funcional, você fica melhor consigo mesmo, usa as roupas com gosto e em qualquer época. Fazer produções e combinações de roupas atemporais é muito mais fácil!

É por essas e outras que acredito nesse movimento e na transformação consciente de quem o adere. Um lifestyle que deveria ser já considerado parte da vida das pessoas, afinal, estamos vivendo uma era de mudanças e novos propósitos que estão bem aqui, do nosso lado e ao nosso alcance.