É chegado a hora

Descobrimos que amamos alguém quando aprendemos que muitas vezes o adeus é o melhor a se dizer. Alguns são ditos para que possamos ficar bem com nós mesmos, já outros para que não façamos sofrer alguém, por causa de nossas incertezas.

Nunca pensei que teria coragem de dizer adeus, mas por algumas vezes foi necessário. Disse adeus, quando ele era inevitável, quando mesmo que sem passar pela boca, ele foi dito. Foi materializado na mente e transmitido quilômetros a fora. Ele foi pensado quando percebi que a mala pesava mais do que os momentos vividos nos lugares passados. Esse com certeza foi o adeus mais difícil de dizer. Ele ainda dói, não sei se me curei, ou estou em processo. Entretanto, só o fato dele ter sido pensado já andou mais da metade do percurso .

Ainda me desapegando a tudo, eu disse um adeus que não gostaria de dar. Um adeus que para mim não seria necessário, mas a alteridade não deveria ser descartada. Era hora de dar ao outro algo que eu não estava dando, que nada mais era do que a verdade dos meus sentimentos. Como continuar sendo o presente de alguém, e promessa de futuro, se presa no passado, no adeus anterior eu estava? Não podia ser justo, e não era. Portanto, fez-se um adeus.

Entretanto, tudo não parava por ai. Ainda existia mais uma história, uma dessas que a gente quer dizer, mas se perde e não diz. Ainda é difícil, muito difícil. Mas quando percebemos que o adeus, o fazer a mala só nos é complicado, que vemos que ficar é sacrifício que não deve ser feito. Um sacrifício que nos dói bem lá no fundo, onde só deveria crescer amor. Não sei bem como dizer esse adeus. Estou esperando mesmo que o tempo resolva, pois essa dor aqui aliviava a primeira, e a primeira aliviava esta, mas não é assim que se deve ser. Uma hora a casquinha do machucado tem de sair, as malas desfeitas e o coração não pode mais chorar.

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