uma história sobre tudo que vai

“Quando chegar a hora de você fazer uma mudança (para crescer), o universo fará de você tão desconfortável e tão infeliz, que você acabará não tendo escolha.”

Essa frase tirou meu sono por várias semanas.

Geralmente, a gente se prende a coisas tão pequenas em nome da felicidade. Eu sempre a via em outras coisas, em pessoas, em momentos que eram de outra pessoa e não meus. De tão cega, a via até no sofrimento. Acreditava que, no fundo, a faca que me feria era a mesma que iria me salvar da dor. Até que não foi mais suficiente, e eu me tornei infeliz. Dei de cara com essa frase um dia no Facebook e, desde então, comecei a refletir sobre todas as coisas que nos cercam.

Uma vez, um amigo me disse que “você não vai encontrar a cura no mesmo frasco que te causou a doença”. Provavelmente foram outras palavras, mas o cerne da questão permanece o mesmo. E mesmo que todos os santos digam não, que os amigos digam que sim, e que todo o universo conspire como um tapa na cara dizendo “miga, acorde!”, eu sempre tive a péssima mania de me autossabotar. A gente acredita. E vai até o fim. Até perceber que o fim já estava pré-estabelecido desde o começo errado de todas as coisas.

Desde que eu fiz as mudanças que considerei necessárias para meu crescimento, a evolução é constante, claríssima e instantânea. Deixei de acreditar em muitas coisas, perdi outras, mas a vida me mostrou que o mundo é muito maior do que as lágrimas que a gente derruba por deixar de ser quem se é. E eu me prometi cuidar de mim, dos meus amigos, dos meus anseios, dos meus amores, dos meus sonhos. E nunca estive tão feliz comigo mesma.

Comecei a ter um sonho novo por dia. Passei a gostar da garota estranha que eu via todo dia no espelho e desejava que não fosse eu — percebi que ela tem belos olhos, que veem toda a beleza do mundo se não tiver nada atravancando seu horizonte. Retomei antigos contatos. Trouxe gente nova e cheia de vida pra minha vida. Relembrei como é voltar pra casa com o maxilar dolorido de tanto rir. Me dei o desafio de encontrar pelo menos três motivos pra sorrir todo dia. Mostrei meus projetos pra outras pessoas com a segurança de quem faz o que ama fazer. As crises de ansiedade foram embora, comecei a ter prazer nas pequenas coisas de novo. Não tive um dia triste sequer.

É bom abrir mão. Quando você esvazia a mala, deixa tudo pra trás e anda em linha reta até qualquer lugar. Tudo sob controle. Tudo no lugar. Principalmente do lado de dentro.

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