A besta do apocalipse é a esquerda, só eles não sabem disso

Dos muitos vícios da nossa imprensa e seus redatores e colunistas quando cobrem assuntos internacionais — valer-se apenas de fontes de esquerda, como o NY Times ou o Guardian, por exemplo — um dos mais irritantes é o hábito de considerar o povo americano ignorante, incapaz, estúpido. Mais recentemente, eles têm aplicado o mesmo aos britânicos.

Arnaldo Jabor publicou recentemente mais um desses textos afirmando coisas como:

Os americanos médios são muito caretas; não são retrógrados por causa da ignorância e da miséria, como entre nós.

E, também:

Lá, eles são reacionários mesmo, uma direita assumida ativa, seguindo a religiosidade fundamentalista, com um Deus rancoroso, proibitivo.

Jabor, o iluminado cronista que despreza os terríveis americanos, comunista revolucionário na juventude (mesmo sabendo dos crimes de Stálin) não se conforma com o fato de que metade dos americanos não professam a mesma ideologia que ele. Ele e o resto da imprensa brasileira parecem ignorar que o prócer a ameaçar a Rússia com uma hecatombe nuclear foi Joe Bidden, o vice-presidente de Obama e figura proeminente no partido Democrata — e Bidden, até o momento, ainda não foi desautorizado no que disse. Convenientemente esquecem de informar ao distinto público brasileiro que a candidata pela qual torcem também fez o mesmo, dizendo que “haverá retaliações severas, mesmo em caso de guerra cibernética”. Qual tipo de retaliações severas há para uma potência nuclear como a Rússia que não envolva o uso de armas atômicas permanece um mistério para mim.

Tem um palhaço assustador nesta foto. Seu nome é Joe Bidden.

Desdenhar (“É a rebelião dos imbecis”) do povo que, para além da primeira constituição do mundo moderno, apresentou ao planeta conceitos inauditos até então — muitos deles nas emendas constitucionais — é o serviço porco e eivado de rancor ginasial que a imprensa brasileira — e Arnaldo Jabor em específico — prestam à população brasileira. Acreditar que a república mais bem sucedida dos últimos dois séculos, tanto econômica quanto socialmente, seja o cesto de deploráveis e irredimíveis de que Hillary Clinton acusou todos os que não apoiam sua candidatura é, para repetir, apenas rancor ginasial, não jornalismo.

Preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos da América
Cópia do século XVIII da Magna Carta de 1215

Da mesma maneira Jabor e a imprensa em geral se comportaram durante o referendo sobre o Brexit. A começar, previram um fim do mundo que não aconteceu. Jamais se detiveram em analisar os argumentos do lado vencedor: que o Reino Unido estava perdendo a soberania diante de uma tirania burocrática aboletada em Bruxelas e que o influxo descontrolado de imigrantes não fluentes no idioma do país e com baixa escolaridade está pondo uma pressão insuportável sobre os serviços públicos, de saúde à habitação, passando por educação e transportes. Também está baixando o salário médio dos mais pobres, que votaram em massa pelo Brexit, entre outros.

Trataram o caso com a empáfia dos arrogantes, com a húbris dos *déspotas esclarecidos*. Como se os descendentes do povo que inventou a democracia parlamentar, foi o primeiro a abolir a escravidão, tirou o mundo do feudalismo com suas revoluções Industrial e Científicas e enfrentou e derrotou várias vezes tiranias oriundas do continente europeu — inclusive a maior máquina de guerra da História, setenta anos atrás — precisasse da opinião de ex-cineastas, ex-existencialistas, comunas ou ex-comunas suburbanos mundo afora para decidir seu destino.

Não é só. Assim foi no Brexit, assim está sendo nos EUA e até mesmo no segundo turno da eleição do Rio de Janeiro: toda vez que alguém ou algum grupo diz que não aceita — dentro das regras do jogo democrático — ser governado por bandidos esquerdistas, é tratado como imbecil, racista, fascista e outros epítetos pouco edificantes. Na verdade, é tratado como se não fosse gente.

Barbara Oakley, autora do excelente “Pathological Altruism” — sobre como boas intenções podem levar a resultados desastrosos — comenta em entrevista o quão fácil por vezes é negar a humanidade de outro grupo humano, seja qual for a razão, e o quanto o meio em que estamos inseridos pode influenciar nesse comportamento feroz e tribal. Parece que o Arnaldo Jabor, a imprensa e a esquerda em geral sofrem exatamente desses males. O Brasil é um país triste e atrasado porque suas elites intelectuais vivem numa perpétua torre de marfim stalinista, crendo ser não só os faróis do mundo, mas os únicos portadores da virtude e da bondade. Os outros — nós todos, que rejeitamos o autoritarismo genocida das esquerdas socialistas e das esquerdas em geral — somos os monstros egoístas e que “não têm conserto”, os “deploráveis e irredimíveis” de suas fábulas bem intencionadas.

Milo Yiannopoulos está certo: é preciso ridicularizar e rir desbragadamente dessa gente e do politicamente correto. Talvez o medo do ridículo faça-os voltar à arena do debate das ideias e parar com a demonização pura e simples dos que não são parte de sua seita lunática.

Escuta um conselho de um deplorável, Jabor: Vai morar num banlieu parisiense com seus amiguinhos islâmicos, meu filho. E diga-nos depois qual dos deuses é mais rancoroso: o dos gringos, o seu deus Stálin ou o deus porco e pedófilo dos cabeças-de-toalha?

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