Da árvore até a mão.

Trazendo uma proposta econômica de conscientização, aplicativo permite localizar árvores frutíferas e hortas comunitárias no mundo todo

Com mais de 600 mil usuários e mais de 1 milhão de locais registrados, o Falling Fruit é um aplicativo que dá acesso a um mapa colaborativo que permite localizar diversas frutas e plantas comestíveis, bem como compartilhar e registrar informações sobre elas e foi criado em 2013 pelos estudantes estadunidenses Ethan Welty e Caleb Phillips, na cidade de Boulder, Colorado (EUA). A iniciativa partiu no momento em que Ethan começou a preparar a sua própria cerveja. Com o seu pé de maçã esgotado, ele começou a buscar frutas em outros lugares, usando o “Inventário de Árvores de Boulder” (mapeamento de terras aráveis de sua cidade) levando consigo sua câmera, bloco de notas e GPS que o permitiu criar uma pequena base de dados pessoal. Tempos depois, percebeu que não precisava mais comprar frutas no supermercado e se perguntou como essa emoção de “caçar” alimentos poderia ser compartilhada com as outras pessoas. “Fiquei espantado que ninguém mais parecia notar como muitas frutas estavam crescendo acima de suas cabeças e pela porta afora, enquanto nos dirigimos para os supermercados para comprar alimentos enviados do mundo todo”, conta Ethan.
A iniciativa incentiva moradores urbanos a se engajar com a procura e o consumo de alimentos naturais e frescos. “À medida que deixamos de reconhecer as árvores frutíferas uma vez plantadas, elas são esquecidas. Essa Consciência Ambiental está muito em falta, pelo menos aqui na América do Norte. Toda vez que vou para a rua para procurar alimentos, alguém de passagem fica maravilhado com o que estou fazendo. Eles não conseguem acreditar que a árvore que foi plantada há anos produz o mesmo fruto que compram no supermercado. Às vezes é uma planta rara que ninguém ao menos conhece”, acrescenta.
O Falling Fruit despertou atenção do público para a abundância de comida e seu enorme potencial de crescimento. “Por exemplo, dos 690 mil arvores publicas em Toronto, Canadá, apenas 10% tem o uso comestivel, incluindo bordos de açúcar, tílias, maçãs pomar e nozes persa. A decisão é nossa se vamos utilizar nossas florestas urbanas e suas deliciosas comidas frescas como uma fonte de abastecimento”, explica o norte-americano.
Ethan diz que sua plataforma impõe uma ideia de partilha, possibilitando compartilhar conhecimentos, colheitas e colaboração entre as pessoas, uma vez que elas o usam para alimentar moradores de rua da comunidade. Donos de terras são incentivados a doar suas produções excedentes para caridade com ajuda de organizações locais, evitando o desperdicio por apodrecimento.

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“Trabalhando em um projeto tão próspero, eu sinto que estou fazendo uma boa ação para o mundo!” FOTO: Divulgação, Ethan Welty.

Dos EUA ao Brasil

O site já possui 2.565 usuários brasileiros desde a sua criação, ainda que tenha sido traduzido para o Português somente em abril de 2015. A plataforma vem se popularizando por aqui desde o início de 2016, quando começou a ganhar destaque na imprensa brasileira.
Apesar das perspectivas, o Falling Fruit ainda não é tão popular em nosso país, mas ele está presente: são 73 registros, espalhados por 9 estados, com a maioria concentrada em Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Seus usuários, em geral, são pessoas que também fazem parte de associações e grupos não-governamentais sem fins lucrativos voltados ao meio ambiente.
Leandro Pagnoncelli, 37 anos, Gerente de Marketing, faz parte de muitos projetos relacionados à sustentabilidade; um deles é a Horta Comunitária do Grajaú, localizada no Rio de Janeiro e registrada por ele recentemente na plataforma. “Conheci o Falling Fruit através do compartilhamento em grupos nas redes sociais que tem a sustentabilidade como tema e a ideia é excelente! Acredito em projetos colaborativos e em como as redes reais e virtuais podem potencializar iniciativas”, elogia a ferramenta.

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Moradores da região cuidando da Horta do Grajaú. Foto: Divulgação, Leandro Pagnoncelli.
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Da esquerda para direita; manjericão, tomate e coentro. Foto: Divulgação, Leandro Pagnoncelli.
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Moradores atuando na preservação da horta, no bairro de Betânia, Belo Horizonte. Foto: Divulgação, Renata Leite Fotografia

Na Grande Metrópole

“Eu era responsável pelo ‘Criando Terra’, um projeto que trabalhava com agricultura urbana e agroecologia. No espaço onde se desenvolviam as atividades, já haviam algumas árvores frutíferas e plantas cultivadas e as registrei no Falling Fruit, auxiliando em sua divulgação”, conta o paulista Jordano Roma, 30 anos e autônomo.
Ele também conheceu o aplicativo pelo Facebook, em um grupo sobre agricultura urbana. Já registrou produtos como mamão, manjericão e batata doce. “Não notei efeitos do registro, mas deve-se considerar que a horta está inserida em um Instituto da USP, onde não é permitido a livre circulação de pessoas vindas de fora”, aponta.

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Horta localizada no Campus da USP, em São Paulo. Foto: Criando Terra / Facebook

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Entusiasta da Comunicação, graduanda em Rádio e TV, apaixonada por escrever e fã do The Smiths. :D

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