Reconstrução.


Estava ventando, parecia que meu corpo iria ser levado pra longe. Chovia o mar inteiro pelas nossas cabeças. Os tetos de todos os lugares ao redor já haviam sido levados, um barracão também. Não havia saída, aquilo era o fim.

Mamãe se agarrava a mim e ao meu irmão, todos choravam. Em meio aquele barulho ensurdecedor meu irmão agarrou minha mão e me olhou com os olhos encharcados, de lágrimas, de chuvas, de tudo.

O mundo parecia um caos. Eu só queria gritar. Não havíamos nos recuperado de 2011, e tudo volta a cair. A vida se resumia a tragédias. Choramos juntos, abraçados, esperando sobreviver.

Ao chegar ao fim daquilo tudo, deu pra sair do amontoado de tijolos que um dia foi nossa casinha, e não havia restado nada. Catamos o que poderia ser útil, e lá fomos nós reconstruir tudo. De novo.