Eu tentei tirar minha vida. O amor me trouxe de volta

Eu sempre fui daquelas que disse que nunca teria coragem de ir para a outra dimensão (se é que você acredita ela) sem ser convidada. Mas eu não conhecia o desespero, a angústia, a falta de vontade de viver, a certeza de que nada que eu possa fazer vai ajudar nem a mim, nem a qualquer pessoa como seu sempre sonhei.

Em nenhum minuto deixei de pensar nos meus amados, nos meus amigos tão queridos, nos meus pais que me amam incondicionalmente, no meu namorado, que é a minha força para levantar todos os dias e amar a vida e os lindos dias que teremos pela frente. Mas ontem, um forte gatilho, daqueles que te atormentam dia e noite, noite e dia apontou a arma para a minha cabeça. Ainda no carro, escrevia no meu caderno de confidências um pedido de perdão — um não, milhares. Por ser fraca, por não lutar mais, por não conseguir viver sem meus sonhos, minhas idealizações , minha eterna loucura de fazer esse mundo um lugar melhor para as pessoas, com mais direitos e oportunidades. Uma carta de despedida.

Tomei muitos remédios, deitei e esperei que eles me levassem para longe do desespero. Do contrário, vi o choro da minha mãe, que é meu anjo da guarda, o choro da minha irmã que eu tanto amo, o desespero do meu pai que nem sempre demostrou tudo o que sente por mim.

Fui ao hospital e senti os olhares de culpa, de todos que achavam que eu estava abandonando todos eles. Mal sabem eles que eu sentia que estaria dando um alívio, um peso a menos para carregar. Nunca gostei de me sentir um peso e eu estou sendo um peso. Sempre fui independente, sempre fiz tudo sozinha. Ontem, senti que minha presença não só não faria falta como traria paz.

Lá fiquei, esperando a medicação sair e ouvindo de todos o quanto eu seria mal ao ir embora, que estaria abandonando a todos. Mal sabem que sou eu quem se sente abandonada, ainda que sem motivo algum. Tentei explicar, não fui ouvida. Acho que pessoas na minha situação nunca são ouvidas como deveriam. O sentimento de culpa, o choro, o desespero só aumentavam. Não me deixavam, não iam embora.

Ao encostar no rosto cheio de lágrimas da minha irmã, minha companheira que eu tanto amo, a vida me trouxe de volta. O sorriso tão acolhedor da minha mãe me trouxe de volta, que aceitou meu pedido de perdão na hora. O abraço e a risada do meu pai (acho que ele faz isso quando ele está nervoso). O carinho do meu namorado, que me prometeu estar comigo em todos os passos e e fez prometer que eu jamais abandonaria ele me trouxe de volta .

O desespero nos tenta tirar a vida. O amor traz a vida de volta.

PS: estou bem, procurando novos tratamentos. Esses relatos tão duros e que geram tanta exposição me fazem bem. Espero, de coração estar tentando fazer pessoas entender que por mais que nós tentemos escapar da vida, há muito amor para nos trazer de volta. É uma fase ruim. Um ponto e vírgula. Uma hora, há de passar. Eles passarão, eu passarinho (Mário Quintana).

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