segunda-feira

SEGUNDA-FEIRA

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

21:00

ei, a gente pode falar sobre segunda-feira? não, não é bem sobre segunda-feira. não é sobre o brownie que, mesmo tendo sido previamente ecomendado, fez falta pra todo mundo. não vamos falar sobre os ubers e cervejas, ou sobre os encontros, ou sobre as músicas, apesar de que esse pub tem umas playlists ótimas.

não. não vamos falar sobre você estar milagrosamente maquiada (dava pra notar alguns reflexos quando embaixo da luz do poste, mas nada que ofuscasse o brilho e a magia dos seus olhos). também não chega a ser sobre você ter aparecido, mesmo me avisando que não iria, horas antes, porque não saberia reagir. eu já estava me conformando a passar essa noite sem você.

vamos falar sobre segunda-feira, sobre aquele momento que você decidiu que seria legal me beijar -só que não na frente de todo mundo — e sobre termos entrado e reativado nossa conexão do mesmo lugar que paramos da última vez (e dessa vez o intervalo nem foi tão grande assim). vamos falar sobre tudo isso ser tão visceral, desde a primeira vez (há oito meses, lembra?).

e que tal se falássemos sobre isso sem receios? ah, sim, aconteceu. e o engraçado é que eu li muito pouco essa parte da conversa. na verdade, faz tempo que não leio nossas conversas de antes desse hiato (por que eu quero acreditar que é temporário?).

eu tô aprendendo a lidar, sabe? ou não. mas o fato é que estou me desapegando das coisas que me ligam a você e que aprofundam a sensação de distanciamento e abandono (tá, talvez não seja essa a palavra). eu acho que está me fazendo bem, apesar de não ser muito efetivo pra tirar você e essa história toda da minha cabeça.

e como eu queria limitar essa exposição. como eu queria acabar com esse contato tênue que a gente ainda tem e que, por ser tão frágil e pequeno, é tão desconfortável de lidar. como eu sei que eu preciso me afastar mais das coisas que remetem a você. porque uma atividade sua só, por menor e mais irrelevante que seja, já é suficiente pra ativar um gatilho em mim e começar a criar mil e uma histórias aqui.

porque saber que a sua vida está acontecendo sem que eu possa compartilhar, de alguma forma, isso com você, me dói de uma maneira inexplicável. parece patético, egoísta, e me dói admitir isso. mas eu sei que, lá no fundo, existe um pouco de altruísmo. lógico, do tanto que esse sentimento que eu tenho por ti permite.

e foi por isso, foi para evitar esse desconforto, que fui me afastando. da tua persona virtual, das coisas que te mostram a mim. às vezes dá errado, óbvio. não imagina o tanto que eu quis responder, te mandar mensagem, avisar que nada do que aquilo parecia era aquilo de fato. não sabe o tanto que eu quis ir lá, interpretar o seu perfil, tentar entender o que estava acontecendo, mas me segurei porque acredito que essa distância, esse não estar ciente é mais saudável pra minha mente, pros meus sentimentos. às vezes, é claro, eu falho miseravelmente. e pode ter certeza que a minha esperança é que você entenda todas as minhas explicações a partir de todos os vestígios que eu deixo nas minhas redes sociais.

hoje nem é mais segunda-feira e, desde aquela, incontáveis segundas-feiras chegaram, permaneceram e se foram. nenhuma tão visceral. nenhuma tão confusa. nenhuma tão simbiótica. é quinta-feira e estivemos a uma proximidade geográfica até adequada, suficiente para ressignificar os dias da semana e, quem sabe, mudar o título (e o direcionamento) desse texto.

mas hoje é quinta — feira. como as sextas, sábados e domingos que me pego lembrando de toda essa história e desejando a segunda-feira. aquela.

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