Efígie

e ontem, na aula sobre funcionalismo, decidi eleger palavras com significado bonito, palavras que me lembrem o mais íntimo da poética. efígie.

nossa melhor imagem é você depois do banho, só com a toalha presa na cintura, em companhia de pingos avulsos no ombro. o cabelo no ombro. 
nossa melhor imagem é você mexendo os cabelos pra trás com as mãos, tudo para fazer com que os fios demorem-se intactos à porta dos olhos. 
agora, aumenta a disponibilidade dos pingos avulsos nas costas, unidos aos sinais e às linhas sinuosas do seu esqueleto.
nossa melhor imagem é o recife vestido de carnaval. é o pernambuco entrando no rochedo.
nossa melhor imagem é a moça do olhar folgado em renoir. é o menino folgando um céu inventado que se reflete no rio, explorando os peixes-nuvem. 
nossa melhor imagem é você vendo, de longe, minhas pernas voando na cama elástica. é o meu cabelo de ondas pulando da cabeça e nadando no vento de Natal. nossa melhor imagem são as ondas do meu cabelo tirando ondinha com as ondas do seu.
nossa melhor imagem é a tarde posterior à tarde de sol, com chuva
é o Ipê que, no inverno, guarda o rosa. 
nossa melhor imagem é a menina triste, na chuva, olhando o Ipê e cobiçando saudosa o rosa — mas todo mundo cansa, uma hora, de brincar do lado de fora, no relento. 
nossa melhor imagem é essa menina chegando em casa molhada de chuva, com pingos avulsos caindo do cabelo pro peito. o cabelo no ombro. 
nossa melhor imagem é sua mão no ombro da menina. sua mão fria do banho que molhou seu cabelo que pinga pingos avulsos no seu ombro e nas costas. essa mesma mão acalmando os pingos da mão da menina. 
nossa melhor imagem somos nós dois dividindo um abraço molhado com pingos avulsos, de chuva e chuveiro e poros, deslizando perdidos pasmos inquietos e curiosos 
no oceano do corpo.

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